O rio Paraná atingiu 116,13 metros acima do nível do mar na tarde de segunda-feira (12), na estação de medição da Ponte da Amizade, em meio à elevação dos níveis dos rios Paraná e Iguaçu provocada pelas chuvas intensas na região. A Itaipu Binacional mantém o monitoramento hidrológico e avalia medidas operacionais para reduzir os impactos da cheia, enquanto a Defesa Civil de Foz do Iguaçu intensifica a vigilância em áreas ribeirinhas.
Em Foz do Iguaçu, a água já atingiu o Porto de Areia, no bairro Porto Meira. As residências da região começam a ser afetadas quando o Paraná alcança 119 metros acima do nível do mar. Segundo as previsões divulgadas pela Itaipu, até o momento não há indicação de que o rio chegue a essa cota.
No Paraguai, as inundações já atingiram mais de 100 famílias do bairro San Rafael, que receberam assistência para a retirada de pertences e o deslocamento a locais seguros.
Chuvas intensas elevam nível dos rios
Nas últimas 72 horas, algumas estações de medição da bacia do rio Iguaçu registraram acumulados de chuva próximos de 200 milímetros. Em pontos da área de influência do reservatório de Itaipu, os volumes ultrapassaram 100 milímetros.
Segundo a usina, episódios de precipitação significativa vêm sendo registrados desde a segunda quinzena de setembro nas bacias hidrográficas relevantes para sua operação. O cenário também sofre influência do fenômeno El Niño.
O aumento da vazão do rio Iguaçu é um dos fatores que contribuem para a elevação do Paraná. Como o Iguaçu deságua no Paraná abaixo da usina, o grande volume de água reduz a capacidade de escoamento do rio principal na região da confluência. Esse processo, conhecido como efeito de remanso, pode elevar ainda mais o nível do Paraná.
A Itaipu controla a vazão liberada pelo reservatório, porém não tem controle sobre o volume de água do rio Iguaçu. Por isso, mesmo com medidas preventivas, as chuvas intensas nas duas bacias podem provocar elevações rápidas do nível do Paraná.
“Diante desse cenário, estamos utilizando todos os recursos operacionais disponíveis para minimizar os impactos da cheia sobre a população”, afirma o engenheiro Paulo Zanelli Jr., coordenador da Comissão Especial de Cheias da Itaipu.
Usina avalia medidas preventivas
A Comissão Especial de Cheias da Itaipu acompanha continuamente os níveis dos rios e as previsões hidrológicas. Entre as medidas adotadas estão o monitoramento das chuvas, a avaliação de estratégias operacionais para amortecer o pico da cheia, a emissão antecipada de alertas e o apoio à retirada preventiva de famílias de áreas de risco.
A Defesa Civil de Foz do Iguaçu também acompanha a situação há vários dias e intensificou o monitoramento. O órgão orienta empresas e moradores de áreas ribeirinhas a adotar medidas preventivas e, quando necessário, deixar antecipadamente locais sujeitos a alagamentos e inundações.
No bairro San Rafael, no Paraguai, a Assessoria de Responsabilidade Social da Itaipu coordena os trabalhos de evacuação. As equipes auxiliam na retirada de pertences e no transporte das famílias para áreas seguras, com apoio das Forças Armadas, da Marinha Nacional, da Secretaria de Emergência Nacional (SEN), de voluntários e de integrantes da comunidade.
A Itaipu informou que continuará acompanhando as condições hidrológicas e atualizando as previsões em articulação com os órgãos responsáveis, para orientar as ações de prevenção e reduzir os riscos à população.
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