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ENCHENTES

Nova previsão de chuvas intensas prolonga o desalojamento de famílias ribeirinhas em CDE

Os sistemas de meteorologia indicam precipitações até o fim de outubro, mantendo o alerta para novas elevações no nível do Rio Paraná

23/10/2026 14h41
Por: Robson Meireles
Fonte: Da redação
Em CDE, aproximadamente 1.230 famílias de nove setores precisaram deixar suas casas em decorrência das enchentes-Foto: Prefeitura de CDE
Em CDE, aproximadamente 1.230 famílias de nove setores precisaram deixar suas casas em decorrência das enchentes-Foto: Prefeitura de CDE

A previsão de chuvas intensas até pelo menos 30 de outubro pode prolongar ainda mais o período de desalojamento das famílias atingidas pelas cheias dos Rios Paraná e Iguaçu em Ciudad del Este, no Paraguai. O alerta foi emitido pela Comissão Especial de Cheias de Itaipu, que acompanha as condições hidrológicas da região.

De acordo com o órgão, nos próximos dias as precipitações devem atingir com maior intensidade as bacias dos rios Ivaí, Acaray, Monday e Piquiri, fazendo com que o nível da água no Rio Paraná suba ainda mais. Diante desse cenário, o monitoramento continua, e a população é orientada a acompanhar os comunicados e alertas oficiais.

Em CDE, aproximadamente 1.230 famílias de nove setores precisaram deixar suas casas em decorrência das enchentes. As áreas ribeirinhas enfrentam os efeitos da cheia há cerca de 15 dias. Parte dos moradores está abrigada em barracas improvisadas no bairro San Rafael, enquanto outros buscaram imóveis para alugar ou se instalaram temporariamente na casa de parentes e em abrigos, disponibilizados em escolas e ginásios.

A situação também afeta o município de Presidente Franco, onde mais de 40 residências foram atingidas. As famílias desalojadas foram encaminhadas para abrigos provisórios montados em um salão de uma seccional partidária e em um espaço de uma igreja.

Influência de outros rios contribui para a elevação do Paraná

Segundo Itaipu Binacional, a operação da usina e o gerenciamento do reservatório permitem regular o volume de água liberado, respeitando os limites operacionais. No entanto, a empresa não controla a vazão do Rio Iguaçu, que deságua no Paraná abaixo da barragem.

O aumento do volume de água do Iguaçu provoca o chamado efeito de remanso, que dificulta o escoamento do Paraná na região de encontro dos dois rios. Esse fenômeno contribui para a elevação do nível da água e agrava as condições nas áreas sujeitas a alagamentos.

O coordenador da Comissão Especial de Cheias, o engenheiro Paulo Zanelli Júnior, lembrou que Foz do Iguaçu e Ciudad del Este já enfrentaram grandes episódios de inundação, especialmente em 1983, 1992 e 2014. Segundo ele, a experiência acumulada nesses eventos contribui para aprimorar a capacidade de resposta diante de novas ocorrências.

Nível do Rio Paraná voltou a subir

Após apresentar uma queda de aproximadamente cinco metros em relação ao pico de 121 metros registrado na semana passada, o nível do Rio Paraná voltou a subir. Na quarta-feira (21), o rio atingiu a cota de 116,90 metros acima do nível do mar. Na quinta-feira (22), o nível máximo chegou a 117,29 metros.

A expectativa é de que o nível permanece próximo dos 116 metros durante este fim de semana. Para viabilizar a redução do nível do reservatório e manter a capacidade de controle estratégico das vazões do Rio Paraná, o vertedouro da Itaipu Binacional deverá continuar aberto nos próximos dias.

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