O Paraguai e os Estados Unidos assinaram, nesta semana, dois acordos para ampliar a cooperação em segurança fronteiriça e estabelecer procedimentos para a interceptação de aeronaves civis suspeitas no espaço aéreo paraguaio. Os documentos foram formalizados em Assunção, durante o primeiro dia de visita do vice-secretário de Estado norte-americano, Christopher Landau.
Um dos acordos trata da cooperação para interceptar aeronaves, conforme as legislações dos dois países e o direito internacional. O outro prevê o fortalecimento das capacidades das autoridades paraguaias que atuam nos pontos de entrada do país, incluindo a possibilidade de adoção de uma tecnologia norte-americana para identificar pessoas procuradas pela Justiça.
A assinatura reforça a aproximação entre os dois governos em temas de segurança e defesa. Segundo o jornal paraguaio La Nación, os documentos estabelecem as bases para ampliar a cooperação operacional entre os países.
Acordos preveem controle aéreo e identificação de pessoas
O primeiro documento, formalizado por meio de um acordo de notas reversais, estabelece procedimentos para a interceptação de aeronaves civis que utilizem o espaço aéreo do Paraguai.
O texto busca “estabelecer um marco de cooperação entre ambos os países para a implementação de procedimentos de interceptação aérea, conforme as respectivas legislações e o direito internacional”.
O segundo instrumento é um memorando de intenção voltado à segurança nas fronteiras. De acordo com o La Nación, o documento “contempla o fortalecimento das capacidades das autoridades paraguaias que operam nos pontos de entrada no país”.
Nesse contexto, o Paraguai manifestou interesse em utilizar o Sistema Seguro de Comparação e Avaliação de Identificação de Pessoas, conhecido pela sigla em inglês PISCES. Desenvolvida pelos Estados Unidos, a ferramenta auxilia na identificação de pessoas procuradas pela Justiça.
O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, destacou a maturidade das relações bilaterais durante a cerimônia. Landau, por sua vez, apontou o Paraguai como um dos principais parceiros norte-americanos no continente.
“Esta é uma visita muito importante para a nossa diplomacia. Estamos muito focados em voltar a colocar atenção no Hemisfério Ocidental, nossa grande América que vai do Canadá à Terra do Fogo”, afirmou o vice-secretário de Estado dos Estados Unidos.
Visita inclui passagem por Itaipu
A agenda de Christopher Landau no Paraguai também prevê uma oferenda floral no Panteão dos Heróis, em Assunção, e uma visita à Usina Hidrelétrica de Itaipu, empreendimento binacional estratégico para o Brasil e o Paraguai.
A passagem pela usina ocorre em meio às discussões sobre o potencial energético paraguaio para atrair investimentos em tecnologia. Em maio de 2025, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, mencionou a possibilidade de o Paraguai receber projetos de inteligência artificial que aproveitem a disponibilidade de energia elétrica.
A utilização e a comercialização da energia de Itaipu, entretanto, envolvem questões técnicas e econômicas e dependem dos entendimentos entre os dois países que compartilham a usina.
A visita de Landau responde a um convite feito em junho pelo ministro das Relações Exteriores paraguaio. Até a publicação do material original, a agenda oficial completa do diplomata ainda não havia sido divulgada, o que impedia a confirmação de todas as reuniões previstas e das autoridades participantes.
Landau tem vínculos pessoais com o Paraguai. Filho do diplomata George Walter Landau, que foi embaixador dos Estados Unidos em Assunção, ele viveu no país entre 1972 e 1977 e estudou na Escola Americana da capital paraguaia.
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