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Levantamento mostra que mais de 263 mil brasileiros vivem no Paraguai, atraídos por oportunidades

Regime de Maquila oferece incentivos à produção para exportação, enquanto empresários avaliam custos tributários, mão de obra e burocracia no país vizinho

20/10/2026 23h47
Por: Reciel Rocha
Fonte: Da redação com assessorias
Levantamento aponta que cerca de 23 mil brasileiros conquistaram residência no Paraguai ao longo do último ano.
Levantamento aponta que cerca de 23 mil brasileiros conquistaram residência no Paraguai ao longo do último ano.

O Paraguai tornou-se um destino de interesse para brasileiros que buscam oportunidades de trabalho, residência e negócios. Segundo uma estimativa do governo brasileiro, mais de 263 mil brasileiros viviam no país vizinho. No setor empresarial, incentivos fiscais, custos de produção e regras tributárias mais simples estão entre os fatores que estimulam a transferência de operações para o mercado paraguaio.

Dados apresentados no levantamento que serve de base a esta reportagem indicam que aproximadamente 23 mil brasileiros obtiveram residência no Paraguai no ano passado. No campo empresarial, pelo menos 232 empresas brasileiras teriam transferido atividades para o país desde 2007.

A presença de empresários brasileiros também é expressiva no regime de Maquila, sistema criado para incentivar a produção destinada à exportação. Segundo os dados divulgados, brasileiros representam cerca de 70% dos negócios estrangeiros instalados nesse modelo.

A combinação de incentivos fiscais, proximidade geográfica e custos operacionais é apontada como um dos principais motivos para a escolha do Paraguai. As vantagens, contudo, variam conforme o setor, o enquadramento tributário e as características de cada negócio.

 

Lei de Maquila oferece incentivos à exportação

Criada em 1997, a Lei de Maquila permite que empresas instaladas no Paraguai importem máquinas, equipamentos, matérias-primas e insumos com benefícios fiscais, desde que cumpram as condições previstas no regime e destinem a produção à exportação.

Nesse modelo, a tributação específica corresponde, segundo os dados apresentados, a aproximadamente 1% do valor agregado gerado na exportação. O regime também prevê benefícios fiscais em diferentes etapas da produção.

A legislação passou por mudanças recentes, com ampliação dos incentivos. Entre as alterações informadas estão a concessão de benefícios por um período inicial de 20 anos, com possibilidade de renovação, e a inclusão de atividades de serviços entre as elegíveis.

O modelo procura atrair investimentos voltados ao mercado externo, estimular a atividade industrial e ampliar a competitividade das empresas instaladas no país.

 

Tributação e burocracia pesam na decisão

Outro fator apontado por empresários é a diferença entre os sistemas tributários dos dois países. No Brasil, as empresas precisam cumprir obrigações fiscais que variam conforme a atividade e a localização, incluindo tributos sobre consumo, produção, serviços e folha de pagamento.

No Paraguai, o sistema tributário é frequentemente resumido pela expressão “triplo 10”, referência às alíquotas gerais de 10% do imposto de renda empresarial, 10% do imposto de renda pessoal e 10% do imposto sobre valor agregado (IVA). As regras específicas dependem do tipo de operação e do enquadramento fiscal.

Empresas habilitadas ao regime de Maquila têm condições diferenciadas. Os dados que embasam o levantamento apontam carga tributária e encargos trabalhistas médios próximos de 12% para essas operações, enquanto o custo equivalente no Brasil poderia chegar a 80%, conforme a atividade e a metodologia de cálculo. Os percentuais não representam uma comparação universal aplicável a todas as empresas.

A burocracia e a previsibilidade regulatória também aparecem entre os fatores considerados pelos investidores. Empresários interessados em ampliar a produção avaliam o tempo necessário para cumprir exigências administrativas, a estabilidade das regras e os custos de manutenção das operações.

 

Custo da mão de obra entra na conta

As despesas com pessoal também influenciam as decisões de investimento. Embora o salário mínimo paraguaio seja apontado como superior ao brasileiro, os encargos associados à contratação são descritos como menores em determinadas comparações.

Segundo os dados apresentados, o custo adicional de um funcionário no Paraguai gira em torno de 35% do salário nominal. No Brasil, a soma de encargos e benefícios obrigatórios pode elevar significativamente o custo total da contratação, chegando, em algumas estimativas, a valores próximos do dobro do salário pago.

As diferenças incluem regras para férias, contribuições previdenciárias e a inexistência de um sistema equivalente ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) brasileiro. Os custos efetivos, entretanto, variam de acordo com a legislação aplicável, a categoria profissional e os benefícios oferecidos.

 

Alto Paraná concentra empresas brasileiras

A localização é outro diferencial do Paraguai. De acordo com os dados do levantamento, quase metade das empresas brasileiras instaladas no país está no departamento de Alto Paraná, próximo à fronteira com o Brasil.

A proximidade facilita a logística de mercadorias destinadas a mercados como Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A conexão rodoviária também permite que empresários mantenham relações comerciais com fornecedores e clientes brasileiros.

Produtos comercializados entre os países podem se beneficiar das regras do Mercosul, desde que cumpram os requisitos de origem e as demais condições previstas nos acordos. A preferência tarifária não significa isenção automática de todos os tributos brasileiros incidentes sobre a importação.

 

Procura por investimentos continua

O interesse pelo mercado paraguaio também alcança pequenas e médias empresas. Segundo informações atribuídas à Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai, a entidade recebe entre 20 e 40 empresários por mês interessados em conhecer as possibilidades de investimento no país.

A procura indica que a mudança não se restringe a grandes indústrias. Negócios de diferentes portes avaliam os incentivos disponíveis, a estrutura de custos e as condições para atender mercados externos.

A decisão de transferir uma operação, porém, exige análise individual de tributação, logística, mão de obra, legislação e acesso aos consumidores. Embora o Paraguai ofereça vantagens específicas para determinadas atividades, a viabilidade depende do modelo de negócio e das exigências para operar legalmente nos dois países.

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