A Ponte da Integração, construída para ampliar a ligação entre Foz do Iguaçu, no Brasil, e Presidente Franco, no Paraguai, registrou a passagem de apenas 48 veículos particulares em seu primeiro mês de liberação para carros de passeio.
Um levantamento divulgado pela Receita Federal mostra que entre 14 de setembro e 14 de outubro, 20 veículos saíram do Brasil em direção ao Paraguai, enquanto outros 28 fizeram o trajeto inverso, entrando em Foz. No período, foram contabilizados pouco mais 50 passageiros nos dois sentidos.
Um dos principais obstáculos para a utilização da ponte por veículos particulares é a exigência do Documento de Trânsito Vicinal Fronteiriço (DTVF). A autorização é obrigatória para motoristas e passageiros que desejam atravessar a estrutura de carro, mas a emissão está autorizada apenas para moradores de Foz, Ciudad del Este, Presidente Franco e Hernandarias.
O documento fronteiriço não pode, neste momento, ser emitido para brasileiros que moram no Paraguai e tem documentação migratória permanente. O mesmo vale para paraguaios que moram de forma legalizada em Foz.
De acordo com as autoridades de migração, esses cidadãos não se enquadram nas regras para a solicitação do DTVF, que é exigido para o tráfego pela Ponte da Integração. Portanto, a única alternativa de travessia continua sendo a Ponte Internacional da Amizade. A restrição, segundo um levantamento feito pelo jornal paraguaio ABC Color, em Ciudad del Este, atinge milhares de estudantes de medicina que moram em cidades fronteiriças do país vizinho.
O custo da emissão do DTVF também já foi alvo de críticas e impasses. Após reclamações, o Paraguai reduziu o valor cobrado dos brasileiros, que passou de aproximadamente 234 mil guaranis, cerca de R$ 205, para 74.929 guaranis, o equivalente a aproximadamente R$ 64, conforme os valores divulgados em setembro. Agora o custo está equiparado em ambos os países.
Concurso no Paraguai
Em meio à ampliação gradual do funcionamento da Ponte da Integração, o governo paraguaio anunciou a contratação de oito inspetores migratórios para atuar no posto de controle da unidade em Presidente Franco.
O concurso público, divulgado pela Direção Nacional de Migrações do Paraguai em outubro, busca reforçar a equipe responsável pela fiscalização de documentos e pelos procedimentos de entrada e saída de viajantes.
A contratação faz parte da estruturação dos serviços migratórios necessários para a operação total e eficiente da nova ligação entre Brasil e Paraguai. Entretanto, o reforço de pessoal não significa, por si só, a ampliação imediata dos horários ou das categorias de veículos autorizadas a utilizar a ponte.
A baixa movimentação registrada no primeiro mês de liberação da estrutura para o tráfego de carros particulares indica que a abertura total da ponte depende não apenas de condições físicas e equipes de fiscalização, mas também de acordos futuros que permitam aos moradores da fronteira utilizar a passagem de maneira mais efetiva.
Obras de acesso no Paraguai também são um desafio
Outro fator que influencia a operação da Ponte da Integração é a infraestrutura viária do lado paraguaio. Embora a estrutura tenha sido inaugurada em dezembro de 2025, a abertura continua ocorrendo por etapas, e a circulação permanece condicionada à conclusão de obras complementares.
Um levantamento recente mostra que cinco contratos relacionados aos acessos à nova ponte tiveram acréscimos de aproximadamente 194,3 bilhões de guaranis, equivalentes a cerca de R$ 168 milhões, em relação aos valores inicialmente contratados em Presidente Franco.
Os contratos envolvem obras de conexão à rede interurbana, acessos rurais, Zona Primária e Terminal de Cargas da Administração Nacional de Navegação e Portos. Enquanto essas obras não forem finalizadas, a utilização da ponte seguirá limitada, especialmente para determinadas categorias de transporte de cargas.
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