Após quatro dias de estiagem, Foz do Iguaçu entra novamente nesta quarta-feira (21) em alerta amarelo para o risco em potencial de tempestades com vento forte, possibilidade granizo e grande volume acumulado de chuva até sábado (24).
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), todo o Oeste do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul pode ser atingido por temporais a partir das 15h de hoje. No decorrer do dia o mal tempo se espalha, abrangendo todas as localidades dos três estados.
Há indicativo de ventos acima de 40 km/h, potencial para queda de galhos e árvores, danos na rede elétrica e alagamentos. O Inmet também alerta para possíveis danos em plantações.
Um levantamento realizado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) indica que as tempestades previstas são fruto de um sistema de baixa pressão entre a Bolívia, o Paraguai e a Argentina, com extensão aos estados do Sul do Brasil, que mantêm o intenso transporte de umidade da Região Amazônica.
Para Foz, estão previstos até 14,9 milímetros de chuva para esta quarta-feira, com temperatura amenas entre 20° C e 28°C. Na quinta-feira (22) são esperados 23,5 mm de precipitação. Na sexta-feira (23), o acumulado deve ficar em 11,6 mm. Já no sábado (24), a previsão indica chuva intensa, com acumulado acima de 58,3 milímetros. Há variações entre os sistemas de meteorologia, com uma média aproximada de 108 milímetros de chuva na fronteira até o final de semana.
O sol deve voltar a aparecer no domingo (25) e o tempo deve seguir aberto por, pelo menos, cinco dias. Para o feriado de Finados, em 2 de novembro, os sistemas indicam um novo regresso de chuva a Foz e região.
Autoridades atentas
As equipes da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros seguem em alerta em Foz frente à previsão de chuvas e do alto nível do Rio Paraná, que chegou a subir mais de 21 metros com os temporais dos últimos 15 dias.
Na segunda-feira (19) o rio marcou volume de 118 metros acima do nível do mar. Houve uma leve redução de três metros em comparação a semana passada, mas o nível ainda segue 16 metros acima do normal.
O rio Iguaçu também apresentou uma redução de vazão, que está em torno de 8 milhões de litros por segundo. Entretanto, o volume ainda está bem acima da média de 1,5 milhão de litros por segundo.
A cheia chegou a afetar mais de 1.200 famílias nos bairros ribeirinhos de Ciudad del Este. Boa parte dos atingidos foi encaminhada para abrigos em escolas e ginásios. Cozinhas comunitárias foram montadas em pontos estratégicos para atender as vítimas, que seguem sendo acompanhadas por equipes da prefeitura, bombeiros voluntários, Cruz Vermelha e Itaipu Binacional. Não há previsão de quando elas poderão retornar às residências.
Em Foz do Iguaçu, cinco famílias tiveram as casas invadidas pela água do Rio Boyci na região da Comunidade do Cemitério. Também houve registro de outras 20 famílias desalojadas, sendo a maioria na Comunidade do Bubas. Clubes náuticos tiveram quiosques submersos pela enchente. Os prejuízos ainda serão contabilizados.
Riscos à saúde e lixo acumulado
As ruas inundadas de Ciudad del Este ficaram tomadas por uma grande quantidade de lixo, elevando o risco da transmissão de doenças pela contaminação das águas. Ainda não há previsão de limpeza nas vias, pois o serviço depende da redução no nível do Rio Paraná para que a água possa baixar nos bairros afetados.
Em Foz também foi registrado o descarte irregular de resíduos, um fator que contribuiu para o entupimento de bueiros e piora no quadro de alagamentos. A prefeitura em Foz oferece coleta seletiva semanal e caçambas comunitárias gratuitas para evitar estas ocorrências.
Os equipamentos podem ser solicitados por associações de moradores no Protocolo Geral do Município, das 8h às 14h. Galhos e entulhos também podem ser levados ao aterro sanitário. Denúncias de descarte irregular podem ser feitas pelo aplicativo eOuve ou pelo telefone 156.
Sensação
Vento
Umidade

