A cheia do Rio Paraná afeta cerca de mil famílias em Ciudad del Este, no Paraguai, e mantém autoridades em alerta, apesar do recuo gradual do nível da água. O município mantém ações de assistência nos bairros inundados, com distribuição de alimentos, funcionamento de 11 cozinhas comunitárias e apoio à retirada de moradores, móveis e eletrodomésticos das áreas atingidas.
O rio começou a baixar depois de atingir 121,4 metros na quarta-feira (14). Na quinta-feira (15), a medição na estação da Ponte da Amizade indicava 121,24 metros acima do nível do mar. A expectativa é de que o nível recuasse para cerca de 119 metros até o fim da tarde de sábado (17), desde que as condições meteorológicas favorecessem a redução.
Mesmo com a tendência de queda, o Paraná permanece muito acima do nível considerado normal, de aproximadamente 105,5 metros. A previsão de novas chuvas na semana seguinte também mantém a incerteza sobre a evolução da cheia.
Ex Cantera concentra maior número de famílias afetadas
Segundo o levantamento da prefeitura de Ciudad del Este, os alagamentos atingem diferentes setores do município, entre eles Remansito, Belén, Che la Reina, Santa Ana, San Rafael, San Agustín, Km 9 Monday, 8 de Diciembre, Km 10 Acaray, Yrendague, Ex Cantera e 23 de Octubre.
A região de Ex Cantera concentra o maior número de famílias afetadas, com 260. San Rafael e San Agustín somam outras 200 famílias.
As equipes municipais mantêm 11 cozinhas comunitárias em funcionamento para fornecer alimentação aos moradores atingidos. Também há apoio para a retirada de pessoas e pertences das áreas inundadas. Até a divulgação do balanço, não havia previsão para o retorno das famílias às residências.
Além dos alagamentos, as ruas de alguns bairros apresentam acúmulo de lixo deixado pela inundação, o que exige atenção durante a redução do nível da água e a recuperação das áreas atingidas.
Itaipu monitora previsão de chuvas
A redução do nível do Paraná depende da evolução das condições meteorológicas e do comportamento dos rios que contribuem para a cheia. O coordenador da Comissão Especial de Cheias da Itaipu Binacional, o engenheiro Paulo Zanelli Jr., afirmou que as projeções consideram informações de diferentes centros de previsão.
“Trabalhamos com dados de diversos centros de previsão meteorológica para elaborar previsões para diferentes cenários. Porém, existe um certo grau de incerteza, e nem sempre as previsões de chuva se confirmam. Evidentemente, esperamos que as chuvas cessem, mas também precisamos estar preparados para qualquer situação”, explicou.
A expectativa inicial era de uma trégua nas chuvas até quarta-feira (21). A possibilidade de precipitações na semana seguinte, porém, pode alterar o ritmo de descida do rio e prolongar os impactos da enchente.
Foz aguarda redução da água em áreas atingidas
Em Foz do Iguaçu, a redução do nível dos rios deve permitir o retorno das famílias afetadas na Vila Bancária, na área conhecida como Comunidade do Cemitério, às margens do Rio Boicy, na região central.
Na região do Porto de Areia, a recuperação deve ser mais lenta. O volume de água ainda mantém estruturas submersas, incluindo os quiosques do Iate Clube.
A situação na fronteira segue condicionada à redução do nível dos rios e à estabilidade do tempo. Mesmo com o recuo registrado, a água ainda ocupa áreas residenciais e estruturas próximas às margens.
Vazão das Cataratas cai para 10,7 milhões de litros por segundo
A vazão das Cataratas do Iguaçu também começou a diminuir. Na manhã de sexta-feira (16), a medição apontava 10,7 milhões de litros de água por segundo, abaixo dos mais de 15 milhões registrados no início da semana.
Apesar da queda, o volume continua cerca de sete vezes acima do normal, estimado em 1,5 milhão de litros por segundo.
O Parque Nacional do Iguaçu, no lado brasileiro, permanece aberto à visitação. As restrições se concentram na passarela da Garganta do Diabo e na parte baixa do mirante do elevador, que estão temporariamente fechadas. Os demais mirantes seguem disponíveis aos visitantes.
No lado argentino do parque, duas das três trilhas panorâmicas tiveram o acesso liberado na sexta-feira. Todos os espaços haviam sido fechados na quarta-feira (14), por questões de segurança. A passarela da Garganta do Diabo permanece interditada também na Argentina.
A continuidade das operações nos dois lados depende das condições de segurança e do comportamento do volume de água, que ainda permanece elevado.
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