O volume torrencial de chuva, registrado entre a noite de domingo (11) e o final da manhã desta terça-feira (13) causou uma série de transtornos na fronteira, deixando as equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e outras frentes de segurança e resgate em alerta máximo.
Em Foz do Iguaçu, a Região Norte foi a mais atingida, com registro de 170 milímetros de precipitação acumulada, conforme dados dos pluviômetros do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) instalados no município. Houve ainda o registro de 142 milímetros na Região Leste e 102 milímetros na Região Sul.
Pontos de alagamento foram registrados em diversas vias, nas localidades do Jardim Ipanema, bairro Bourbon, Morenitas, e Jardim das Flores. Houve também quedas de árvores e destelhamentos. No cenário, 16 pessoas foram acolhidas em casas de passagem e 12 estavam desalojadas até o início da tarde de ontem (13).
Ainda, na região do Porto de Areia, no bairro Porto Meira, o nível da água atingiu as instalações da empresa. No Cataratas Iate Clube, a área dos quiosques já foi inundada. As autoridades competentes seguem monitorando a situação, pois Foz e outras localidades do Oeste do Paraná seguem nesta quarta-feira (14) sob alerta laranja de perigo para tempestades, conforme boletim emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Em Ciudad del Este a situação é ainda mais crítica, especialmente nas áreas ribeirinhas. O Lago da República, no centro da cidade, transbordou e inundou a Avenida Concejal Romer. Nos bairros San Rafael, San Agustín e Remansito, pelo menos 185 famílias já tiveram de deixar as residências por conta da cheia do Rio Paraná, que inundou os imóveis. As pessoas e animais foram retirados com segurança e encaminhadas a um abrigo temporário, onde estão recebendo assistência de equipes da prefeitura, Itaipu Binacional e Cruz Vermelha.
Na manhã de segunda-feira (12), uma mulher de 58 anos morreu durante o desabamento de uma residência às margens do Arroio Acaraymí, no bairro Pablo Rojas. O terreno onde ficava o imóvel cedeu devido ao acúmulo de água.
Em Presidente Franco, o alto volume de chuva levou à evacuação do Porto Fluvial, nas proximidades da foz do Rio Iguaçu. Também foi suspensa a operação da balsa que faz ligação do município paraguaio com Puerto Iguazú, na Argentina.
Média de chuvas para outubro já foi ultrapassada
Em um intervalo de apenas 12 dias, Foz do Iguaçu já ultrapassou a média histórica de chuva que era esperada para todo o mês de outubro. De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) até o final da tarde de segunda-feira (12) a cidade recebeu 261,8 milímetros de precipitação, quando o total esperado para o mês era de 251,1 milímetros.
Para esta quarta-feira (14), Foz ainda permanece sob alerta de temporal, com temperatura amena que não deve ultrapassar os 24°C. Para quinta-feira (15) a previsão ainda é de instabilidade, mas a chuva começa finalmente a perder força, com acumulado previsto de apenas 1,8 milímetros. Na sexta-feira (16) o tempo permanece nublado, mas no final de semana o sol deve voltar a aparecer, trazendo um pouco de alívio à população atingida pelas águas dos últimos dias.
Vazão exorbitante nos rios Paraná e Iguaçu
O nível do Rio Paraná já se aproxima dos 117 metros acima do nível do mar com o acumulado de chuvas. No Rio Iguaçu a vazão atual é seis vezes superior à média nas Cataratas. Ao meio-dia de terça-feira (13), a medição feita pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) indicava 11.500 metros cúbicos por segundo (m³/s) nas quedas. Apesar do alto volume, a visitação no Parque Nacional do Iguaçu seque liberada. No momento há apenas uma restrição de acesso a passarela da garganta do diabo.
A situação de ambos os rios está sendo acompanhada pela Marinha, pela Defesa Civil e pela Comissão Especial de Cheias da Itaipu. A avaliação mútua se faz necessária porque o Rio Iguaçu deságua no Paraná no ponto abaixo da Usina de Itaipu, causando um forte impacto nas áreas ribeirinhas.
Como segurança, o vertedouro da Itaipu em Foz está aberto de forma ininterrupta desde 30 de setembro. A operação deve continuar até que o volume possa ser controlado apenas por meio da geração de energia.
Também por segurança, a Capitania Fluvial do Rio Paraná (CFRP) emitiu um alerta à comunidade náutica sobre os riscos à navegação, devido a intensificação das correntezas nos rios e condições meteorológicas adversas, que podem ocasionar acidentes.
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Vento
Umidade

