O som do berimbau, as palmas e o canto marcam o ritmo de uma manifestação cultural que atravessou séculos e conquistou espaço em diferentes partes do mundo. Em Foz do Iguaçu, a capoeira reúne arte, movimento, música e convivência comunitária, com iniciativas que utilizam a prática para aproximar gerações e ampliar o acesso à cultura.
A modalidade combina movimentos de luta, dança, jogo e improvisação. Na roda, os participantes interagem ao som dos instrumentos e das cantigas, seguindo códigos aprendidos com mestres e professores. A atividade exige coordenação motora, equilíbrio, ritmo e atenção, mas também envolve conhecimentos históricos e valores transmitidos pela convivência.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu a roda de capoeira e o ofício dos mestres como patrimônio cultural brasileiro em 2008. O registro considera a manifestação um espaço de transmissão de saberes, no qual movimentos corporais, música, oralidade e memória se articulam.
Esse reconhecimento também está relacionado à história de resistência da população negra no Brasil. Durante parte da história nacional, a capoeira foi perseguida e criminalizada. Sua trajetória até o reconhecimento como patrimônio evidencia a importância da preservação das expressões culturais afro-brasileiras.
Educação que começa na roda
Em Foz do Iguaçu, a Associação de Capoeira Pedagógica (ACAPE), ligada à atuação do Grupo Muzenza no município, desenvolve atividades socioeducativas e culturais. Segundo o histórico divulgado pela própria entidade, a associação surgiu da necessidade de organizar iniciativas realizadas por professores do grupo desde 2006.
A entidade promove ações de formação, oficinas e eventos relacionados à capoeira, aproximando a prática de instituições e espaços comunitários. O trabalho ajuda a mostrar que a modalidade pode ultrapassar os limites da atividade física e integrar propostas de educação cultural.
Outra iniciativa local é a Confraria Cultural e Esportiva de Capoeira, que informa atuar na cidade e na região trinacional com atividades voltadas à formação cidadã, à valorização cultural e à inclusão social. A instituição mantém aulas regulares e divulga projetos sociais, oficinas de musicalidade e atividades educativas.
Essas experiências oferecem caminhos para investigar como a capoeira é utilizada no cotidiano de crianças, adolescentes e adultos. Para avaliar os resultados, é importante ouvir participantes, responsáveis, educadores e coordenadores, além de verificar dados sobre atendimento, frequência, continuidade das atividades e acesso a vagas gratuitas ou subsidiadas.
A capoeira pode favorecer a convivência, a disciplina, a cooperação e o respeito às diferenças. Esses benefícios, entretanto, dependem das condições em que as atividades são desenvolvidas e devem ser apresentados a partir de relatos e informações verificáveis, sem atribuir resultados uniformes a todos os participantes.
O berimbau e a memória ancestral
O berimbau é um dos símbolos mais conhecidos da capoeira. Seu toque orienta o ritmo do jogo e ajuda a estabelecer a dinâmica da roda. Atabaque, pandeiro, agogô e outros instrumentos também podem integrar as formações, acompanhados por cantigas que preservam referências históricas e culturais.
As músicas são parte importante do aprendizado. Por meio delas, os praticantes entram em contato com narrativas, personagens, experiências de resistência e formas de expressão da cultura negra. A transmissão oral permite que esses conhecimentos circulem entre mestres, professores e alunos.
O Iphan destaca que a roda é o espaço em que os diferentes elementos da capoeira se encontram. A aprendizagem ocorre pela participação, pela observação e pela convivência, o que confere aos mestres papel central na continuidade da manifestação.
No Paraná, o órgão também publicou, em 2019, um plano de salvaguarda da capoeira com diretrizes para preservar e ampliar o acesso a esse patrimônio cultural. O documento oferece referências para discutir a continuidade das práticas, a valorização dos detentores dos saberes e a necessidade de políticas de apoio.
Presença nos bairros e nos espaços públicos
A dimensão comunitária da capoeira pode ser observada em aulas, oficinas, encontros e apresentações. Em espaços públicos, a roda aproxima praticantes e espectadores, permitindo que pessoas sem experiência prévia conheçam os movimentos, os instrumentos e a musicalidade.
Para mapear a atuação da capoeira em Foz, a reportagem deve identificar os bairros atendidos, os locais de treinamento, os projetos desenvolvidos em escolas e organizações sociais e as condições de participação. O levantamento também pode mostrar quais iniciativas oferecem atividades gratuitas e como as entidades mantêm suas estruturas.
A escuta dos mestres é essencial para compreender as dificuldades enfrentadas pelos grupos, como a manutenção de espaços, a aquisição de instrumentos e a continuidade de projetos. Os relatos de alunos e familiares podem revelar como a prática se relaciona com a rotina, a convivência e o sentimento de pertencimento.
Ao reunir esporte, arte e história, a capoeira preserva uma herança cultural e cria oportunidades de encontro. Em Foz do Iguaçu, a trajetória dos grupos locais oferece um caminho para conhecer essa expressão de resistência e compreender como seus conhecimentos continuam a ser transmitidos na fronteira.
Sensação
Vento
Umidade

