Mais da metade dos passageiros do transporte coletivo de Foz do Iguaçu utiliza os ônibus sem pagar a tarifa. O percentual chegou a 57,34%, segundo dados divulgados pela concessionária Viação Santa Clara (VISAC), responsável pela operação do serviço. A empresa aponta o crescimento das gratuidades como um dos fatores que pressionam o custeio do sistema e influenciam a necessidade de atualização tarifária.
Em agosto deste ano, dos 1.172.442 passageiros transportados, 672.224 utilizaram o serviço gratuitamente. Para garantir a operação do sistema naquele mês, a Prefeitura de Foz do Iguaçu, por meio do Foztrans, realizou um aporte de R$ 3.872.743,20, conforme os números apresentados pela concessionária.
Em esclarecimento sobre a composição da tarifa, a VISAC destaca que o contrato firmado com o município estabelece a remuneração da empresa com base no quilômetro rodado, e não no valor pago individualmente pelos passageiros.
Gratuidades cresceram desde 2022
A concessionária informa que o último reajuste tarifário havia ocorrido em junho de 2022. Naquele período, os passageiros beneficiados pelas gratuidades representavam aproximadamente 38% do total de usuários do transporte coletivo.
Desde então, a participação desse público aumentou, chegando aos atuais 57,34%, segundo a empresa. A mudança representa um crescimento de 19,34 pontos percentuais na proporção de passageiros isentos.
O avanço das gratuidades altera a composição do custeio do transporte público, uma vez que uma parcela maior dos usuários deixa de contribuir diretamente com o pagamento da passagem.
Contrato prevê remuneração por quilômetro
A VISAC ressalta que o modelo de remuneração previsto no contrato com a Prefeitura de Foz do Iguaçu considera a quilometragem percorrida pelos ônibus para calcular o pagamento pelo serviço prestado.
Nesse formato, a quantidade de passageiros que pagam a tarifa não determina diretamente a remuneração da concessionária. O financiamento do sistema também depende dos recursos públicos destinados a cobrir os custos da operação.
A empresa argumenta que a atualização tarifária é necessária diante do aumento das gratuidades e da necessidade de assegurar a continuidade e a qualidade do transporte coletivo.
Os números apresentados pela concessionária mostram a dimensão da participação dos usuários isentos no sistema: em agosto, aproximadamente seis em cada dez passageiros utilizaram os ônibus sem pagar passagem. A manutenção desse modelo exige recursos para sustentar a operação, cuja composição envolve a arrecadação tarifária e os aportes do município.
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