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20/10/2026 23h04
Por: Reciel Rocha
Fonte: Da Redação

Pacto social

Uma coalizão formada por cerca de 70 organizações da sociedade civil e aproximadamente 140 economistas apresentou nesta terça-feira (20) um conjunto de dez propostas para o próximo ciclo de desenvolvimento do Brasil. O documento será encaminhado às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro e defende que a redução das desigualdades e a melhoria da qualidade de vida orientem as decisões econômicas. A iniciativa tenta colocar compromissos concretos na mesa antes da escolha presidencial. O desafio será saber quais propostas entram nos programas de governo e, principalmente, quais terão orçamento, metas e mecanismos de execução. Em campanha, consenso costuma ser fácil; a prioridade aparece quando chega a hora de pagar a conta.

 

Lula desafia

 Em ato de campanha em Porto Alegre, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que pedirá ao Tribunal Superior Eleitoral autorização para abrir seu sigilo bancário e desafiou Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo. Segundo a reportagem publicada nesta terça-feira (20), Lula pretende incluir os cinco filhos na autorização, em resposta à controvérsia sobre a situação financeira de familiares. O gesto transforma transparência patrimonial em tema central da disputa eleitoral. A iniciativa, por si só, não comprova nem afasta irregularidades, e o eventual acesso aos dados dependerá dos procedimentos aplicáveis. O eleitor tem motivo para cobrar dos dois candidatos respostas documentadas, em vez de se contentar com desafios lançados diante das câmeras.

 

Disputa marítima

O governo de Javier Milei levou à Justiça internacional a disputa com o Reino Unido sobre a exploração de petróleo nas águas próximas às Ilhas Malvinas, chamadas de Falklands pelos britânicos. Em 13 de outubro, a Argentina solicitou ao Tribunal Internacional do Direito do Mar medidas para tentar interromper o desenvolvimento do projeto petrolífero Sea Lion, previsto para entrar em operação em 2028. A iniciativa envolve empresas britânicas e israelenses e investimentos estimados em US$ 2,2 bilhões. Buenos Aires sustenta que a exploração ameaça seus direitos de soberania, enquanto Londres defende a posição britânica sobre o arquipélago. O caso combina interesses energéticos, diplomacia e uma disputa territorial histórica, com potencial para aumentar a tensão entre os dois países.

 

Promessa econômica

O primeiro debate do segundo turno deixou uma lacuna importante: os candidatos falaram sobre economia, mas apresentaram poucas explicações detalhadas sobre como pretendem equilibrar as contas públicas, controlar a dívida e estimular o crescimento. Lula defendeu medidas sociais e o programa Desenrola; Flávio prometeu juros menores e anunciou a ideia de um ministério da “prosperidade”. A discussão ocorreu em 18 de outubro, a poucos dias da votação. Para quem paga prestação, aluguel e supermercado, o nome de um programa importa menos que seus efeitos sobre renda e preços. O próximo governo terá de enfrentar decisões fiscais concretas, independentemente de quem vencer. Economia e serviços públicos

 

Dólar eleitoral

O dólar abriu em queda nesta terça-feira (20), cotado a cerca de R$ 5,02, enquanto o petróleo Brent avançava para perto de US$ 111 por barril. O mercado acompanha tanto os fatores internacionais quanto a eleição presidencial brasileira, cujo resultado pode influenciar as expectativas sobre a política fiscal e a condução da economia. A valorização do petróleo favorece moedas de países exportadores, embora também possa pressionar os custos de combustíveis e transportes. O cenário reúne forças contraditórias, e uma cotação isolada não define tendência. Para empresas e consumidores, a questão central continua sendo como câmbio, petróleo e juros vão afetar preços, investimentos e poder de compra nas próximas semanas.

 

Bolsa Família

A Caixa Econômica Federal pagou nesta terça-feira (20) a parcela de outubro do Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) terminado em 2. Neste mês, o programa prevê atender 19,3 milhões de famílias, com benefício médio de R$ 782,92. A folha de pagamentos subiu de R$ 13 bilhões em setembro para R$ 15 bilhões em outubro, segundo os dados divulgados pelo governo federal. O programa tem peso direto no orçamento doméstico de milhões de brasileiros e também movimenta o comércio local. O debate sobre sua continuidade e seu financiamento precisa combinar proteção social, fiscalização dos critérios e políticas que ampliem as oportunidades de trabalho e renda.

 

Remédios oncológicos

O Ministério da Saúde iniciou a oferta de nove medicamentos contra o câncer no Sistema Único de Saúde, medida que poderá beneficiar cerca de 116 mil pacientes. A ampliação contempla diferentes tipos da doença, entre eles cânceres de mama, pulmão, próstata, rim, estômago e tireoide. A nova política, chamada AF-Onco, prevê ampliar em 35% as alternativas de tratamento oncológico na rede pública até o fim de 2026, com 23 medicamentos previstos. A iniciativa pode reduzir barreiras de acesso a terapias de alto custo, mas o resultado dependerá da distribuição, da disponibilidade nos serviços e da capacidade de diagnóstico. Em saúde pública, anunciar o medicamento é o primeiro passo; fazê-lo chegar a quem precisa é o que determina o alcance da política.

 

Contas públicas

As projeções econômicas seguem sob pressão com a inflação acima da meta e a Selic ainda em patamar elevado. O Boletim Focus divulgado em outubro elevou a estimativa de inflação para 2026 a 5,22%, enquanto a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto ficou em 1,85%. O mercado também projetou a Selic em 13,25% ao fim de 2027. São estimativas, não resultados garantidos, mas ajudam a explicar por que o debate eleitoral sobre gastos, arrecadação e dívida tem consequências concretas. O próximo governo terá de conciliar financiamento de políticas públicas e credibilidade fiscal. Sem previsibilidade, empresas adiam investimentos e famílias continuam pagando caro pelo crédito. Paraná: política e transição

 

Canabidiol

O Superior Tribunal de Justiça definiu que os planos de saúde não são obrigados, como regra, a custear medicamentos à base de canabidiol destinados ao uso domiciliar quando não houver previsão legal ou contratual de cobertura. A tese foi fixada por unanimidade pela Segunda Seção em julgamento concluído em 14 de outubro. O tribunal ressalvou as situações expressamente previstas em lei ou em normas regulatórias. A decisão esclarece que a autorização de importação concedida pela Anvisa não cria, por si só, obrigação de cobertura pelo plano. O tema expõe o conflito entre acesso a tratamentos, limites contratuais e sustentabilidade da saúde suplementar. Para pacientes e famílias, conhecer as regras específicas de cobertura continua sendo fundamental.

 

Rios em alerta

 A seca mantém sob atenção hidrovias importantes da Amazônia e do Pantanal, com níveis abaixo da média histórica em rios usados para transporte de cargas e passageiros. Relatório do Ministério de Portos e Aeroportos aponta dificuldades em trechos dos rios Madeira, Tapajós, Paraguai, Negro e Solimões. No Madeira, em Porto Velho, o nível informado foi de 3,07 metros, abaixo do patamar de quatro metros usado como referência para restrições à navegação. O problema pode afetar o escoamento da produção, o abastecimento e a mobilidade de comunidades ribeirinhas. Sem uma recuperação consistente das chuvas, a logística fluvial seguirá vulnerável, com possíveis reflexos sobre custos e preços em regiões dependentes dessas rotas.

 

Brasil no Mundial

A seleção brasileira de ginástica artística começou o Mundial de Roterdã, na Holanda, com classificação para cinco finais, incluindo a disputa por equipes. Rebeca Andrade se destacou no salto e ajudou o Brasil a avançar na classificação, enquanto Flávia Saraiva garantiu vaga na final da trave e também avançou no individual geral. O resultado fortalece a presença brasileira na competição, cuja programação segue até domingo (25). A final por equipes está prevista para quarta-feira (21). Mais do que nomes consagrados, o desempenho mostra a importância da regularidade coletiva em torneios de alto nível. O desafio agora é converter as classificações em medalhas diante das principais potências da modalidade.

 

 Trump e Brasil

A relação entre Donald Trump e o Brasil voltou ao centro do debate eleitoral após medidas do governo norte-americano que elevaram a tensão diplomática e comercial entre os países. Reportagens publicadas em outubro destacaram tarifas de 37,5% sobre produtos brasileiros e a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pela administração dos Estados Unidos. As medidas têm repercussões que ultrapassam a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, pois envolvem comércio, segurança e soberania nacional. A política externa americana também entrou no debate doméstico brasileiro, com questionamentos sobre possíveis efeitos eleitorais. O interesse de Washington não elimina a necessidade de o Brasil defender seus interesses por canais diplomáticos e com avaliação concreta dos impactos econômicos.

 

Paraguai fiscal

O Paraguai enfrenta pressão sobre as contas públicas, com o déficit anualizado chegando a 3% e as despesas crescendo 11,2%, segundo dados divulgados pelo jornal paraguaio Última Hora nesta terça-feira (20). O cenário reacende o debate sobre o equilíbrio entre investimentos, gastos correntes e capacidade de arrecadação. A Direção Nacional de Ingressos Tributários projeta arrecadar US$ 7,5 bilhões em 2027, enquanto o governo de Santiago Peña defende a atuação institucional do Banco Central diante de questionamentos públicos. Para o país vizinho, a estabilidade fiscal é importante para sustentar investimentos e preservar a confiança econômica. Na fronteira, decisões sobre receitas, energia e infraestrutura repercutem também nas relações comerciais com o Brasil.

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