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Mais de 70% dos trabalhadores formais em Foz do Iguaçu serão beneficiados com a redução da jornada após extinção da escala 6x1

Na cidade, o setor do turismo concentra as atividades que terão um maior impacto frente a mudança, alcançando cerca de 12,8 mil empregados

19/10/2026 23h09
Por: Reciel Rocha
Fonte: Da redação
A mudança na jornada de trabalho, com o fim da escala 6x1, será implementada em duas etapas, sem prejuízo salarial aos empregados em geral. Foto: divulgação
A mudança na jornada de trabalho, com o fim da escala 6x1, será implementada em duas etapas, sem prejuízo salarial aos empregados em geral. Foto: divulgação

O fim da escala 6x1, aprovado pelo Congresso Nacional na última sexta-feira (16), beneficiará cerca em torno de 53,7 mil dos mais de 75,8 mil trabalhadores que possuem empregos formais com carteira assinada em Foz do Iguaçu. O número representa em torno de 70% do total de contratados com jornada informada. Os números tem como base os microdados de 2025, disponibilizados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego.

Com as mudanças previstas, os trabalhadores que antes cumpriam 44 horas semanais, passarão a cumprir o máximo de 40 horas, respeitando o limite de oito horas diárias. A redução na jornada garantirá dois dias de folga aos cidadãos, sem redução do salário.

O turismo em Foz está entre as atividades que serão mais impactadas. O setor detém cerca de 14.307 contratados formais no município. Destes, 12.866 (quase 90%) envolvem jornadas de trabalho que atualmente superam 40 horas semanais.

A rede hoteleira é o departamento do turismo local que lidera o número de empregados que trabalham bem mais de 40 horas por semana. Nesta categoria, 95,9% dos vínculos ultrapassa o novo limite definido pela Emenda Constitucional n° 141/2026 (originada da PEC 221/2019).

Nos atrativos turísticos e atividades de lazer, como parques e museus, o índice chega a 95,4%. Nas agências e operadoras de turismo, alcança 89,7%; em restaurantes e bares, 85,4%. No transporte de passageiros, a proporção é de 73,9% trabalhadores que laboram 44 horas ou mais na semana.

Jornada maior está associada a remuneração menor na fronteira

Os dados da RAIS também apontam uma atual diferença salarial entre trabalhadores que cumprem jornadas de 40 horas ou menos e aqueles que ultrapassam 44 semanais. Em dezembro de 2025, a remuneração mediana dos trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas era de R$ 2.655. Entre aqueles que trabalhavam até 40 horas, o valor chegava a R$ 4.292, uma diferença de aproximadamente 38%.

O contraste aumenta em determinadas faixas etárias. Entre trabalhadores de 40 a 49 anos, a remuneração mediana de quem cumpria mais de 40 horas era de R$ 2.912, enquanto o grupo com jornada de até 40 horas recebia R$ 5.358. Entre os jovens de 18 a 24 anos, os valores eram mais próximos: R$ 2.307 para quem trabalhava acima de 40 horas e R$ 2.101 para aqueles com jornada de até 40 horas.

O levantamento também indica que as jornadas longas são mais frequentes entre trabalhadores mais jovens. A idade mediana do grupo com mais de 40 horas semanais é de 35 anos, ante 40 anos entre aqueles que já cumprem até 40 horas. Um terço dos potencialmente afetados tem até 29 anos. Na faixa dos 18 aos 24 anos, 85% dos vínculos formais ultrapassam 40 horas.

Impactos no Paraná

Mais de 1 milhão de trabalhadores no Paraná poderão conquistar um segundo dia de descanso remunerado por semana com o fim da escala 6x1.  Segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 1.032.927 trabalhadores no Estado cumprem seis dias de serviço para apenas um de descanso, o equivalente a 35,82% dos vínculos identificados. Outros 1,85 milhão trabalham na escala 5x2.

Com a implementação da nova jornada, a mudança, que ocorrerá aos poucos, será mais perceptível nos supermercados, farmácias, shoppings, restaurantes, hotéis e estabelecimentos que funcionam aos fins de semana. O direito a duas folgas remuneradas, porém, não impede a abertura desses locais aos domingos. 

Na indústria, há preocupação relacionada às empresas que operam em turnos contínuos ou dependem de jornadas superiores a 40 horas semanais. A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) aponta o risco de aumento das horas extras, encarecimento da produção e dificuldades para encontrar trabalhadores adicionais.

Os impactos maiores estão previstos em setores com funcionamento contínuo, como frigoríficos, indústrias de alimentos e unidades de produção que trabalham em diferentes turnos.

Mudança ocorrerá aos poucos

A mudança na jornada de trabalho, com o fim da escala 6x1, será implementada em duas etapas, sem prejuízo salarial aos empregados. Em 60 dias, a jornada máxima cairá de 44 para 42 horas semanais, com dois dias de descanso. Em 14 meses, o limite passará a 40 horas por semana, com máximo de oito horas por dia.  Também se estenderá a possibilidade de negociação direta da jornada para profissionais com curso superior e salário a partir de R$ 21.188,87, desde que sejam mantidas as duas folgas semanais.

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