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Tarcísio vence em primeiro turno e consolida força política em São Paulo

Vitória em primeiro turno confirma liderança de Tarcísio no maior colégio eleitoral do país e amplia distância sobre o PT.

04/10/2026 20h41
Por: Redação
Fonte: Da redação com assessoria
Tarcísio de Freitas foi reeleito governador de São Paulo com 62,85% dos votos válidos.Foto: Marília Barbosa/g1
Tarcísio de Freitas foi reeleito governador de São Paulo com 62,85% dos votos válidos.Foto: Marília Barbosa/g1

Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador de São Paulo neste domingo (4), após derrotar Fernando Haddad (PT) ainda no primeiro turno. Com 62,85% dos votos válidos, contra 36,22% do adversário, o atual governador assegurou mais quatro anos à frente do estado mais populoso do país.

O resultado foi confirmado às 19h39, quando 90% das urnas já haviam sido apuradas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

A vitória amplia a diferença registrada na disputa de 2022, quando Tarcísio derrotou Haddad no segundo turno por 55,27% a 44,73%. Desta vez, a vantagem alcançou 26,63 pontos percentuais, evidenciando a consolidação eleitoral do governador no estado.

Disputa repetiu confronto de 2022

A eleição de 2026 recolocou frente a frente os mesmos candidatos que disputaram o governo paulista há quatro anos. A principal diferença foi o cenário eleitoral.

Sem a presença de outros nomes com relevo nacional e representação significativa no Congresso, Tarcísio e Haddad dominaram a corrida desde os primeiros meses da campanha. A consequência foi uma disputa de primeiro turno com características típicas de uma decisão final.

Ao longo do ano, as pesquisas apontaram estabilidade no quadro eleitoral. Haddad permaneceu durante boa parte da campanha na faixa dos 20% das intenções de voto, enquanto Tarcísio manteve vantagem consistente, alcançando patamares próximos de 50% dos votos totais nos levantamentos mais recentes.

Influência da corrida presidencial

A disputa estadual acabou dividindo atenções com a eleição presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que ganhou protagonismo ao longo da campanha.

Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que o ambiente nacional reduziu o espaço para o debate sobre temas estaduais. Questões relacionadas à sucessão presidencial e à disputa pelas duas vagas ao Senado ocuparam parte expressiva da agenda política paulista.

Segundo o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marco Antonio Carvalho Teixeira:

"O quadro nacional obviamente afetou São Paulo. E o Tarcísio também procurou ficar distante desse processo por conta da posição confortável dele na pesquisa e dos escândalos envolvendo o Flávio. Tanto que ele não apoiou Flávio Bolsonaro de maneira tão enfática, o que fez apenas nessa reta de chegada e evitou participar de debate público".

O professor acrescentou:

"O Tarcísio manteve distância do Flávio para o Flávio não puxá-lo para baixo. E, ao mesmo tempo, também a posição confortável dele [nas pesquisas] recomendava que ele não saísse do debate local. Os escândalos, tanto o Vorcaro como o Dark Horse e todas as questões do Supremo, ocuparam a agenda nacional, em tudo quanto é lugar. (...) Isso acabou afetando a agenda estadual e tomando espaço para a discussão dos problemas locais do estado".

Já o cientista político e sociólogo Antonio Lavareda afirmou:

"A campanha terminou sendo nacionalizada, até pelo fato de o candidato oposicionista [Haddad] ser o ex-ministro da Fazenda".

Lavareda também observou:

"A demora da oposição em definir um nome sempre ajuda aquele que busca a reeleição , porque diminui na prática o tempo da pré-campanha, possibilitando ao mesmo seguir sem sofrer maiores ataques, capitalizando a todo vapor, sem contestação direta, a 'vantagem do incumbente'".

Ao analisar a estratégia petista, acrescentou:

“Pode ter sido um erro de estratégia optar por fazer uma disputa binária contra um governador com aprovação elevada. Com mais candidatos, pelo menos um outro com peso razoável e posicionamento mais ao centro, poderia ter sido maior a chance de ocorrer um segundo turno. Imaginar que eleitores em quantidade suficiente desgarrariam de Tarcísio e atravessariam a rua para endossar Haddad foi uma aposta implausível. A expressão eleitoral do ex-governador Márcio França, ao que parece, terminou sendo desperdiçada na vice do petista".

Segurança e privatizações dominaram o debate

A segurança pública esteve entre os temas centrais da campanha. Haddad passou a questionar a atuação do governo estadual diante do avanço de organizações criminosas e fez críticas a relações políticas de aliados do governador com pessoas apontadas por ele como suspeitas de ligação com o crime organizado.

Tarcísio respondeu destacando a redução de indicadores criminais durante sua gestão e apresentou a área como prioridade para um eventual segundo mandato.

Outro ponto de forte contraste entre os candidatos foi a privatização da Sabesp.

Haddad transformou a revisão do processo em uma das principais bandeiras eleitorais, associando o debate a temas como tarifas, abastecimento e prestação dos serviços. Tarcísio, por sua vez, defendeu a privatização e sustentou que a medida ampliou a capacidade de investimentos da companhia.

Saúde, educação, transporte e infraestrutura também estiveram entre os principais assuntos da campanha. Enquanto o petista concentrou críticas à gestão estadual e às privatizações, o governador destacou obras, programas e investimentos realizados durante seu primeiro mandato.

Quem é Tarcísio de Freitas

Natural do Rio de Janeiro, Tarcísio de Freitas tem 51 anos, é engenheiro e ex-ministro da Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro.

Sua estreia em disputas eleitorais ocorreu em 2022, quando foi escolhido por Bolsonaro para concorrer ao governo paulista pelo Republicanos. Na ocasião, venceu Fernando Haddad no segundo turno e se tornou o primeiro governador eleito pelo partido em São Paulo.

Durante o primeiro mandato, teve entre as principais marcas de gestão a agenda de concessões e privatizações, com destaque para a Sabesp, além de investimentos em infraestrutura.

Na campanha de 2026, buscou equilibrar a identificação com o campo bolsonarista e a defesa dos resultados de governo, concentrando esforços para ampliar presença eleitoral na Grande São Paulo e reforçar sua base no interior do estado.



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