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Crise paraguaia

Após impeachment, Santiago Peña é preso e transferido para instalação militar

Após protestos e confronto com a polícia em Assunção, Santiago Peña deixou a prisão domiciliar e foi levado a uma instalação militar.

07/11/2026 09h49
Por: Robson Meireles
Fonte: Da redação com agências
 Santiago Peña foi levado ao Regimiento Escolta Presidencial durante a madrugada deste sábado (7), após sofrer impeachment e ter a prisão domiciliar decretada. Foto: divulgação
 Santiago Peña foi levado ao Regimiento Escolta Presidencial durante a madrugada deste sábado (7), após sofrer impeachment e ter a prisão domiciliar decretada. Foto: divulgação

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi transferido para uma instalação militar em Assunção durante a madrugada deste sábado (7), horas depois de sofrer impeachment e ter a prisão domiciliar decretada. A mudança ocorreu após manifestantes se concentrarem diante de sua residência, exigindo que ele fosse levado à prisão. Houve confronto com a polícia, segundo informações publicadas pelo jornal paraguaio ABC.

A transferência foi realizada na noite de sexta-feira (6), pouco antes da meia-noite. De acordo com o jornal, a decisão teve como justificativa questões de segurança diante do aumento da tensão no local. A comitiva que retirou Peña da residência deixou o bairro sob xingamentos e arremessos de ovos.

O ex-presidente foi conduzido ao Regimiento Escolta Presidencial (REP), unidade militar localizada na capital paraguaia e destinada à proteção do presidente, de seus familiares e de autoridades estrangeiras durante visitas oficiais.

A instalação funciona como uma unidade de segurança das Forças Armadas, não como estabelecimento prisional. Portanto, a transferência não significa que Peña tenha sido encaminhado a uma penitenciária.

Impeachment e investigação criminal

Peña foi destituído da Presidência na tarde de sexta-feira (6), após o Congresso paraguaio aprovar o processo de impeachment. A decisão ocorreu durante a crise provocada pelo colapso do Ueno Bank, instituição financeira que concentrava aproximadamente 2,9 milhões de clientes.

O ex-presidente havia apresentado renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso decidiu dar continuidade ao processo de afastamento. Na Câmara dos Deputados, os 78 parlamentares em exercício votaram pela destituição. No Senado, foram 44 votos favoráveis e uma abstenção.

Horas depois da decisão, foi decretada a prisão domiciliar de Peña, investigado por suspeitas de participação em irregularidades relacionadas ao grupo controlador do banco.

Segundo o Ministério Público paraguaio, a investigação envolve suspeitas de lesão de confiança, tráfico de influência e administração para proveito próprio. Peña nega ter cometido os crimes.

O ex-presidente é apontado como um dos sócios do grupo controlador do Ueno Bank. As autoridades investigam possíveis irregularidades na gestão da instituição e operações financeiras relacionadas ao escândalo.

Peña deve prestar depoimento neste sábado

A agenda judicial do ex-presidente prevê seu comparecimento a uma promotoria federal neste sábado, às 10h, no horário de Brasília. A audiência faz parte do processo de investigação sobre suspeitas de corrupção.

O Ministério Público ainda deverá detalhar os fatos e as circunstâncias específicas atribuídos a Peña em cada uma das suspeitas criminais.

A investigação ocorre em paralelo à crise institucional que provocou a saída do presidente do cargo e a renúncia de outras autoridades, entre elas o presidente do Banco Central do Paraguai.

Pedro Alliana assume o governo

Com a destituição de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência ainda na sexta-feira. Integrante do Partido Colorado, ele deverá completar o mandato até agosto de 2028, conforme as regras constitucionais paraguaias.

A mudança no comando do Executivo não encerra as investigações sobre o Ueno Bank. O caso continua sob apuração das autoridades paraguaias e mantém repercussões econômicas e políticas em diferentes regiões do país.

Crise bancária também preocupa brasileiros na fronteira

O colapso do Ueno Bank atingiu milhares de correntistas, incluindo brasileiros que vivem, trabalham, estudam ou mantêm empresas no Paraguai. Em cidades como Ciudad del Este, Presidente Franco e Hernandarias, clientes relataram dificuldades para movimentar recursos e manter compromissos financeiros.

A instituição concentrava mais de US$ 800 milhões em depósitos de órgãos públicos paraguaios, incluindo recursos vinculados à previdência social.

O Banco Central iniciou procedimentos para a restituição dos valores, com cobertura de até 228 milhões de guaranis por depositante, aproximadamente R$ 200 mil, conforme a cotação. Os primeiros pagamentos começaram a ser organizados, enquanto valores acima do limite garantido permanecem sujeitos aos procedimentos de liquidação.

Na fronteira com Foz do Iguaçu, a crise também provocou manifestações. Em Ciudad del Este, manifestantes se reuniram na rotatória Oasis na quinta-feira (5) para cobrar explicações sobre o colapso da instituição e exigir a saída de Peña.

A transferência do ex-presidente para uma unidade militar acrescenta um novo capítulo à crise paraguaia. Além das consequências econômicas para correntistas e empresas, o país enfrenta agora o desafio de conduzir as investigações criminais e administrar a instabilidade política provocada pela queda do governo.

Manifestantes protestaram diante da residência de Santiago Peña, em Assunção, na sexta-feira (6). Após o aumento da tensão e confronto com policiais, o ex-presidente foi transferido para uma instalação militar. Foto: Pedro Gonzalez

 

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