O nível do Rio Paraná vem apresentando uma redução gradual na região da fronteira entre Brasil e Paraguai desde o pico de 121,4 metros registrado em 14 de outubro, mas a situação provocada pela cheia ainda exige atenção. Nesta terça-feira (3) o rio atingiu a marca de 114,2 metros acima do nível do mar. A cota já baixou 7,2 metros, entretanto, o nível da água ainda segue cerca de 9,2 metros acima do normal, que é de aproximadamente 105 metros.
Mesmo com a diminuição do volume nos últimos dias, áreas ribeirinhas atingidas pelas inundações em Ciudad del Este continuam sob monitoramento e centenas de moradores ainda não puderam retornar às suas residências, diante do risco de novas chuvas. Segundo o último balanço divulgado pela Comissão Especial de Cheias da Itaipu Binacional, que acompanha o cenário, pelo menos 220 famílias paraguaias ainda estão alojadas em abrigos.
A redução no nível da água é gradativa e depende da estabilidade do tempo não só em Foz do Iguaçu e região, mas em todo o Paraná. Diante disso, há preocupação com a possibilidade novas precipitações volumosas para os próximos dias.
De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), as condições meteorológicas são favoráveis à formação de tempestades severas em todas as regiões do Estado nesta quinta e sexta-feira (5 e 6 de novembro).
O alerta aponta possibilidade de rajadas de vento superiores a 80 km/h em algumas cidades, chuva intensa em curto intervalo de tempo, elevada incidência de raios e queda de granizo, inclusive com pedras que podem ultrapassar dois centímetros de diâmetro.
Segundo a meteorologista Julia Munhoz, a intensificação de um sistema de baixa pressão entre países vizinhos e o Sul do Brasil favorece o transporte de calor e umidade em direção à região. A combinação desses fatores mantém o tempo instável e provoca forte aquecimento, com temperaturas que podem se aproximar dos 35°C.
O Boletim de Gestão de Riscos, elaborado pela Defesa Civil Estadual em conjunto com o Simepar, indica risco muito alto de tempestades nas regiões Oeste, Sudoeste, Centro-Oeste e Centro-Sul do Paraná.
A classificação inclui Foz do Iguaçu, Cascavel, Francisco Beltrão, Campo Mourão, Guarapuava e União da Vitória. Em outras regiões, como Norte, Norte Pioneiro, Campos Gerais, Região Metropolitana de Curitiba e Litoral, o risco indicado é alto.
A previsão exige atenção especial na região de Foz, onde a situação hidrológica do Rio Paraná ainda inspira cuidados. Embora os fenômenos meteorológicos não signifiquem necessariamente uma nova elevação do rio, volumes expressivos de chuva na bacia hidrográfica e na região do reservatório podem influenciar o comportamento dos níveis das águas.
Por isso, o acompanhamento das condições meteorológicas e hidrológicas permanece fundamental para avaliar a evolução da cheia e os riscos para as comunidades atingidas. Para Foz, por exemplo, as previsões indicam mais de 80 milímetros de chuva entre esta quinta-feira e sábado.
Itaipu mantém monitoramento
A Itaipu Binacional continua acompanhando as condições hidrológicas e adotando medidas operacionais para minimizar os efeitos da cheia na região de fronteira. O manejo do reservatório, com a redução da defluência (volume de água liberado pela usina) contribui para diminuir o nível do Rio Paraná na estação de medição da Ponte da Amizade.
A orientação é que os moradores atingidos pelas cheias do Rio Paraná acompanhem os comunicados oficiais e não retornem às residências sem a confirmação de condições seguras.
Defesa Civil orienta população sobre alertas
Diante da possibilidade de tempestades severas, a Defesa Civil recomenda que a população acompanhe as atualizações meteorológicas e os comunicados oficiais, principalmente durante os períodos de maior instabilidade. Para receber gratuitamente os alertas por SMS, basta enviar o CEP da residência para o número 40199. O cadastramento também pode ser feito pelo WhatsApp, enviando uma mensagem com a palavra “oi” para (61) 2034-4611.
Entre os cuidados estão evitar permanecer próximo de árvores, postes, placas e estruturas que possam cair com a força dos ventos, além de procurar abrigo em locais seguros durante os temporais. Em caso de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
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