A recente desvalorização do real, motivada pela oscilação do dólar, acendeu um alerta entre comerciantes de Ciudad del Este, no Paraguai. A queda da moeda brasileira pode reduzir o poder de compra dos visitantes e afetar a competitividade dos preços no comércio fronteiriço.
De acordo com a Câmera de Comércio e Serviços de CDE (CCSC), na manhã de quarta-feira (28) a cotação de compra do real nas casas de câmbio paraguaias caiu de 1.120 guaranis para 1.050 guaranis, uma redução de aproximadamente 6,25%. Já a cotação de venda recuou de 1.180 para 1.170 guaranis.
A flutuação vê causando uma preocupação no meio empresarial, visto que a principal atividade econômica de Ciudad del Este é justamente o turismo de comércio, amplamente movimentado por consumidores brasileiros.
De acordo com o presidente da CCSC, Said Taigen, os empresários da fronteira estão habituações as oscilações do dólar, real e guarani e a perspectiva é de que os câmbios se estabilizem nas próximas semanas.
Contudo, como grande parte das mercadorias vendidas nas lojas e shoppings paraguaios tem preços vinculados ao dólar e o país está às vésperas da Black Friday, a semana anual de maior lucro para os comerciantes em geral, há uma apreensão frente a uma possível redução significativa no fluxo de compristas.
Neste sentido, Taigen também destacou a importância da aproximação entre empresários brasileiros e paraguaios, fortalecendo a divulgação mutua de atividades, eventos do comércio fronteiriço, frentes do turismo e rede hoteleira e outras ações de apoio, que podem contribuir para a ampliação e reforço dos sistemas em Foz do Iguaçu e Ciudad del Este simultaneamente.
Comércio estratégico
O turismo de compras movimenta uma extensa rede de atividades, que inclui lojas, centros comerciais, hotéis, restaurantes, transportadoras e prestadores de serviços, tanto em Foz, quanto em CDE.
Por isso, a proximidade entre empresários do Paraguai e Brasil é vista como amplamente vantajosa. A modernização dos centros comerciais, a ampliação dos meios de pagamento digitais em ambos os países e os investimentos em infraestrutura também acompanham a tendência crescente de conexão e colaboração.
O objetivo das trocas em geral é fortalecer a capacidade de atrair consumidores e investidores, melhorar a experiência de compra para os visitantes e ampliar a permanência dos turistas na fronteira, movimentando a economia em múltiplas áreas.
Polo econômico
Embora o comércio continue sendo uma das principais marcas de Ciudad del Este, a cidade vem ampliando gradualmente sua participação em outras atividades econômicas. O município, historicamente associado à reexportação de eletrônicos, perfumes, roupas e outros produtos, passou nos últimos anos a combinar o turismo de compras com a produção industrial, a prestação de serviços e as operações de exportação.
A transformação da economia local vem sendo impulsionada pela instalação de indústrias, pelo crescimento das empresas formalizadas e pela expansão de parques industriais em municípios próximos, como Hernandarias e Minga Guazú. Para se ter uma ideia, em meados de 2024, Ciudad del Este já concentrava 12.627 empresas registradas, quase metade das mais de 26 mil empresas ativas em Alto Paraná.
Em três anos, a região também ganhou relevância no setor de maquila, regime paraguaio que permite a importação de insumos para processamento industrial e posterior exportação dos produtos. Até março de 2025, 47% das empresas com programas de maquila aprovados no país estavam instaladas na região Leste. No período, as indústrias vinculadas ao regime empregavam formalmente 32.538 pessoas em todo o Paraguai.
A expansão industrial amplia as possibilidades de geração de empregos formais, atração de capital estrangeiro e diversificação das fontes de renda. Também reduz a dependência exclusiva do movimento de consumidores que atravessam a fronteira para realizar compras.
Sensação
Vento
Umidade

