O futuro da direção brasileira de Itaipu Binacional e a transformação do Hospital Itamed em uma estrutura de ensino e atendimento regional estão entre os temas que devem avançar nas discussões sobre o próximo governo federal. Em entrevista à Rádio Cultura, nesta quarta-feira (28), o diretor-geral brasileiro da usina, Enio Verri, afirmou que sua permanência no cargo depende de uma decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reconheceu que a direção da empresa pode entrar nas negociações políticas para a formação da próxima gestão.
Na mesma entrevista, Verri apresentou os planos para o Hospital Itamed, em Foz do Iguaçu. A proposta prevê que a unidade funcione como hospital-escola e integre um projeto para se tornar o primeiro hospital de fronteira do Brasil, com atendimento voltado às necessidades de moradores de Foz, turistas e pacientes do Paraguai e da Argentina.
O projeto hospitalar inclui investimentos de R$ 105 milhões, dos quais R$ 80 milhões estão previstos para a construção de uma nova maternidade e R$ 25 milhões para a implantação de 80 novos leitos na área atualmente ocupada pela maternidade. Segundo Verri, os recursos estão previstos no orçamento, e a expectativa é realizar o processo de licitação das obras o mais rapidamente possível.
Apesar dos planos para a expansão física do hospital, a definição sobre o modelo de gestão permanece em aberto. A participação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) é uma das possibilidades em discussão, ao lado de outros formatos administrativos.
Direção de Itaipu
Enio Verri afirmou que ainda não conversou com Lula sobre a continuidade no comando da usina. Ele assumiu a direção-geral brasileira de Itaipu em março de 2023, após deixar o mandato de deputado federal, por indicação do presidente.
“Ele não tem nenhum compromisso comigo para que eu continue na gestão de Itaipu”, afirmou Verri, ao comentar a possibilidade de permanecer no cargo durante o próximo mandato presidencial.
Segundo o diretor-geral, havia o entendimento de que ele permaneceria à frente da empresa durante os quatro anos do governo Lula. Esse compromisso, porém, não representa uma garantia de continuidade após a eleição. A definição depende da avaliação do presidente sobre a composição da próxima equipe de governo.
“Não há nenhuma certeza que eu continue. Isso é normal, não estou preocupado com isso, porque isso é da política”, afirmou.
Verri também reconheceu que a direção de Itaipu pode entrar nas negociações entre o presidente reeleito e os partidos interessados em integrar a base governista. Lula precisará articular apoio no Congresso Nacional, já que seu partido não conquistou maioria própria na Câmara dos Deputados nem no Senado.
“Sem dúvida nenhuma, a Itaipu chama a atenção dos partidos e pode ser que, na negociação, seja necessário que o presidente negocie também isso”, declarou o diretor-geral.
A possibilidade de mudanças em cargos estratégicos, portanto, faz parte do processo de organização do próximo governo. Verri avalia que as conversas sobre essas posições devem avançar entre novembro e dezembro. Até o momento, não há anúncio oficial sobre sua substituição ou confirmação de que permanecerá na função.
Embora o mandato previsto para a diretoria seja de cinco anos, o tratado que rege a binacional permite substituições durante esse período. A decisão sobre a direção brasileira cabe ao governo federal, responsável pela indicação dos representantes do país na empresa.
Itamed como hospital universitário
Na área da saúde, a principal proposta apresentada por Verri é ampliar a atuação do Hospital Itamed e associar o atendimento hospitalar à formação de profissionais. A transformação em hospital-escola está prevista no projeto, enquanto a possibilidade de funcionamento como hospital universitário depende de negociações institucionais.
O diretor-geral afirmou que ainda não conversou com a reitora da Unila, professora Diana, sobre uma eventual participação da universidade na administração da unidade.
“Ele será um hospital-escola”, afirmou Verri. Sobre a possibilidade de funcionar como hospital universitário, acrescentou: “Podemos, isso tudo agora é questão de conversar”.
Entre os modelos considerados estão a participação da Unila, a manutenção de uma gestão por fundação ou a escolha de outra instituição responsável. A decisão deverá envolver a universidade e os ministérios da Saúde e da Educação, além das demais instâncias relacionadas ao projeto.
Verri também mencionou a possibilidade de a Unila desenvolver um projeto próprio de hospital universitário. Segundo ele, essa alternativa não impediria uma parceria com o Itamed. A definição dependerá de entendimentos sobre a estrutura administrativa, a formação acadêmica e a organização dos serviços de saúde.
A eventual participação da universidade pode aproximar a assistência hospitalar das atividades de ensino e pesquisa. Para Foz do Iguaçu, a proposta também abre espaço para ampliar a formação de profissionais e fortalecer a estrutura de atendimento em uma região marcada pela circulação de pessoas entre Brasil, Paraguai e Argentina.
Projeto prevê hospital de fronteira
A proposta para o Itamed vai além da formação universitária. A intenção é estruturar um serviço capaz de responder às demandas específicas da Tríplice Fronteira, onde o atendimento em saúde envolve moradores locais, visitantes e pessoas que atravessam as fronteiras internacionais.
Segundo Verri, o projeto prevê articulação entre o Itamed, o Hospital Municipal Padre Germano Lauck e o Ministério da Saúde. A ideia é estabelecer um modelo de atendimento que considere as características da região e possa servir de referência para outras áreas fronteiriças brasileiras.
Outro eixo anunciado é a criação de um hospital inteligente, com uso de tecnologias para agilizar procedimentos e melhorar o atendimento. A iniciativa prevê uma parceria envolvendo a Universidade de São Paulo (USP), instituições chinesas e o Ministério da Saúde.
Ainda será necessário definir como essas parcerias serão organizadas, quais responsabilidades caberão a cada instituição e de que maneira a estrutura tecnológica será incorporada à rotina hospitalar.
R$ 105 milhões
A ampliação física do Hospital Itamed está associada a um investimento previsto de R$ 105 milhões. Desse total, R$ 80 milhões serão destinados à construção de uma nova maternidade. Outros R$ 25 milhões devem financiar a implantação de 80 novos leitos no espaço atualmente ocupado pela maternidade.
De acordo com Verri, os recursos já estão previstos no orçamento, e a expectativa é avançar com a licitação para contratar a empresa responsável pelas obras. A execução, entretanto, depende das etapas administrativas necessárias à contratação.
A expansão pretende aumentar a capacidade de atendimento e reorganizar a estrutura hospitalar. O alcance efetivo do projeto dependerá também da definição do modelo de gestão, da articulação com as instituições de ensino e dos acordos com os órgãos federais envolvidos.
Sensação
Vento
Umidade

