Foz do Iguaçu recebe, de 4 a 6 de novembro de 2026, o 3º Congresso Internacional de Antropologias do Sul, que reunirá pesquisadores, professores, estudantes e profissionais de diferentes países para discutir os desafios éticos, políticos e científicos da antropologia em um cenário de conflitos e transformações globais. O evento será realizado na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), unidade Jardim Universitário, com atividades presenciais e virtuais e participação aberta ao público.
A programação prevê 19 grupos de trabalho presenciais e 27 virtuais, além de mesas-redondas, conferências e atividades culturais. Os debates abordarão desigualdades sociais, conflitos, diversidade cultural, relações de poder e formas de organização e resistência nas sociedades latino-americanas.
Com o tema “A Antropologia do Sul enfrentando um mundo em conflito: desafios epistemológicos, éticos e políticos”, o congresso pretende ampliar a discussão sobre a produção de conhecimento a partir das experiências históricas e sociais da América Latina e de outras regiões do Sul Global.
Pesquisas e perspectivas latino-americanas
A proposta do encontro é discutir os limites dos modelos tradicionais de interpretação das sociedades e a influência de perspectivas científicas historicamente associadas aos países do Norte Global. A organização defende o fortalecimento de abordagens que considerem as realidades, os conhecimentos e as experiências das populações do Sul.
Entre os temas previstos estão os efeitos das desigualdades, do extrativismo, das disputas geopolíticas e das relações coloniais sobre as comunidades. Os participantes também deverão discutir os desafios éticos da pesquisa antropológica, a atuação dos pesquisadores junto às populações estudadas e as possibilidades de cooperação entre países do Sul Global.
A programação de abertura contará com o antropólogo João Pacheco de Oliveira, professor titular e pesquisador do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele é reconhecido por pesquisas sobre povos indígenas, políticas indigenistas, territorialidades e antropologia histórica.
Para a presidenta da comissão organizadora local e professora de Antropologia da UNILA, Danielle Araújo, a realização do congresso na instituição está relacionada à proposta de integração latino-americana e ao papel da universidade pública na circulação do conhecimento.
“Realizar o Congresso Internacional de Antropologias do Sul na UNILA é reafirmar o papel da universidade pública como espaço de encontro entre diferentes saberes, experiências e perspectivas de mundo. Uma universidade criada para promover a integração latino-americana tem muito a contribuir para o fortalecimento de uma antropologia comprometida com as realidades, os desafios e as vozes dos povos da nossa região. Receber pesquisadores de diferentes países é também fortalecer o diálogo acadêmico, a cooperação internacional e a construção de conhecimentos que partam das nossas próprias experiências históricas e sociais”, destaca Danielle Araújo.
A presidenta da Rede de Antropologias do Sul, Annel Mejías, também considera o encontro uma oportunidade para aproximar pesquisadores de diferentes países, promover reflexões coletivas e identificar questões relevantes para a comunidade acadêmica latino-americana.
Mostra audiovisual e debates sobre fronteiras
Outro destaque será a Mostra de Antropologia Visual, com exibição de fotografias e filmes etnográficos. A atividade propõe explorar a relação entre antropologia, imagem e audiovisual, valorizando diferentes formas de registrar e interpretar experiências sociais e culturais.
A realização do congresso em Foz do Iguaçu também oferece um contexto particular para as discussões sobre fronteiras. Na Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, a circulação de pessoas, línguas, culturas e mercadorias, além das experiências migratórias e dos intercâmbios transnacionais, constitui um campo de reflexão sobre as relações sociais contemporâneas.
O evento integra a trajetória da Rede de Antropologias do Sul, criada em 2016, na Venezuela. A iniciativa busca ampliar o reconhecimento de perspectivas antropológicas produzidas no Sul Global e aprofundar o diálogo sobre os fundamentos teóricos, metodológicos e políticos da disciplina.
Participação aberta ao público
O congresso é aberto a todas as pessoas interessadas, independentemente de formação acadêmica ou vínculo com a área de antropologia. Quem desejar certificado de participação poderá fazer a inscrição mediante pagamento de taxa no local, conforme as orientações da organização.
A programação completa, com horários, mesas-redondas e grupos de trabalho presenciais e virtuais, está disponível no site oficial: https://antropologiasdelsur.org/?page_id=6388.
Serviço
Evento: 3º Congresso Internacional de Antropologias do Sul
Data: 4 a 6 de novembro de 2026
Local: UNILA, unidade Jardim Universitário, Foz do Iguaçu (PR)
Modalidade: Presencial e virtual
Participação: Aberta ao público. Certificado mediante inscrição paga no local.
Programação: https://antropologiasdelsur.org/?page_id=6388
Site oficial: https://antropologiasdelsur.org/
E-mail: [email protected]
Sensação
Vento
Umidade

