No Marco das Três Fronteiras, em Foz do Iguaçu, a lenda de Naipi e Tarobá ganha movimento por meio da dança e integra a programação cultural que reúne referências de Brasil, Paraguai e Argentina. A antiga história de amor continua encontrando novas formas de ser contada às margens dos rios Paraná e Iguaçu.
Associada à origem das Cataratas do Iguaçu, a narrativa conta a história de Naipi, uma jovem indígena de grande beleza, e Tarobá, um guerreiro por quem ela se apaixonou. A tradição oral diz que Naipi havia sido prometida a M’Boi, o “deus serpente”. Na noite da cerimônia de casamento, ela e Tarobá decidiram fugir de canoa pelo Rio Iguaçu.
Ao descobrir a fuga, M’Boi teria provocado a transformação da paisagem como forma de punição. Segundo a lenda, a terra se abriu, formando um enorme abismo e dando origem às quedas do Iguaçu. Tarobá teria sido transformado em uma árvore à margem do precipício, enquanto Naipi virou rocha nas profundezas das cataratas, condenada a permanecer eternamente sob as águas.
Transmitida por gerações e preservada em diferentes versões, a história passou a integrar o imaginário cultural relacionado às Cataratas do Iguaçu. No Marco das Três Fronteiras, ela é apresentada pelo elenco da DY Produções Artísticas, parceira do atrativo, em uma interpretação que aproxima memória, dança e paisagem.
A programação começa a ganhar força a partir do pôr do sol. Além da apresentação inspirada na lenda, o público acompanha manifestações culturais dos três países que compartilham a fronteira, com referências ao samba brasileiro, à dança da garrafa paraguaia e às boleadeiras argentinas.
A experiência se completa com a própria paisagem. Do Marco, é possível observar o encontro dos rios Paraná e Iguaçu e a presença simultânea de Brasil, Argentina e Paraguai. No fim da tarde, a mudança da luz sobre os rios acrescenta outra dimensão ao passeio, que combina contemplação, gastronomia e manifestações artísticas.
Um espaço em transformação
A programação cultural faz parte de um processo mais amplo de renovação do Marco das Três Fronteiras. Desde 2015, quando o Grupo Cataratas assumiu a administração do atrativo, o espaço recebeu melhorias de infraestrutura, áreas gastronômicas, ambientes de convivência e uma agenda permanente de apresentações.
Segundo o Grupo Cataratas, a visitação anual cresceu mais de 315% desde o início da concessão. Em 2025, o complexo ultrapassou meio milhão de visitantes. No mesmo ano, recebeu o selo Travelers' Choice, do TripAdvisor, concedido a atrações com avaliações positivas na plataforma.
Outra etapa de transformação está em andamento no Espaço das Américas. O projeto de revitalização, com investimento de R$ 40 milhões, prevê novos mirantes para a confluência dos rios, galerias de exposição, espaços gastronômicos e áreas destinadas a atividades culturais. Também estão previstas passarelas, rampas e elevadores panorâmicos.
A previsão informada no material é de conclusão das obras ainda em 2026. Depois da entrega, o Espaço das Américas deverá ser incorporado ao circuito regular de visitação.
Com 123 anos, o obelisco do Marco das Três Fronteiras, instalado em 1903 para marcar a divisa entre Brasil, Argentina e Paraguai, permanece como referência histórica do complexo. Ao seu redor, a paisagem e as manifestações culturais ajudam a contar uma história que ultrapassa fronteiras e continua sendo reinventada para novas gerações.
SERVIÇO
Marco das Três Fronteiras
Terça-feira a domingo
Das 13h30 às 21h
Apresentações culturais diárias, a partir das 18h30
Ingressos: marcodastresfronteiras.com.br
Sensação
Vento
Umidade

