Uma jovem, de 25 anos, tirou a própria vida no banheiro de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Foz do Iguaçu. A ocorrência foi registrada por volta das 20h40 de segunda-feira (3), no posto Dr. Walter Cavalcanti Barbosa, na região do bairro Morumbi.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que está apurando o caso, a paciente estava em atendimento na unidade e aguardava a disponibilização de um leito hospitalar especializado em saúde mental. Em um breve descuido das equipes de enfermagem e do acompanhante da vítima, ela foi encontrada já sem vida.
Em nota, a SMS manifestou solidariedade aos familiares da jovem e reafirmou o compromisso com a transparência e apuração dos fatos para responsabilização por eventuais falhas no atendimento.
O nome da vítima não foi divulgado pela reportagem por respeito. Muitos espaços defendem a prática de não noticiar casos de suicídio, pois esta ação pode servir de “gatilho”. Contudo, especialistas apontam que mascarar as ocorrências alavanca a solidão de quem luta contra problemas de saúde mental, além de omitir a fragilidade dos sistemas no suporte psiquiátrico.
Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública do Ministério da Justiça mostram que somente no 1° semestre de 2026, 17 pessoas tiveram a própria vida em Foz do Iguaçu.
Em todo o Paraná foram contabilizados 332 casos. Nos últimos cinco anos, mais de 5 mil pessoas retiraram a própria vida no Estado. O cenário é alarmante e inspira cuidados. Em todo o Brasil, o número de vítimas neste ano já ultrapassa 8 mil.
Embora haja um mês dedicado a prevenção do suicídio e valorização da vida, o setembro amarelo, especialistas da rede lembram que pouco se adianta falar em prevenção ao suicídio sem garantir políticas permanentes de assistências, combate às desigualdades e fortalecimento da rede de atenção.
“Embora a campanha possa abrir conversas, ela se torna insuficiente e até contraditória se não estiver articulada com o investimento real em políticas públicas e com a defesa radical do cuidado em liberdade. Do contrário, o setembro amarelo corre o risco de ser apenas um verniz para encobrir o descaso histórico com a saúde mental”, destacou a assistente social, Priscila Brasil, que é servidora da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa).
Saúde pública
O suicídio é considerado um problema de saúde pública. No Brasil, são 15.507 casos por ano (MS/2021), uma média de 42 suicídios por dia. Para cada suicídio, estima-se que 25 pessoas façam uma tentativa e muitas mais pensam seriamente nele.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, mais de 700 mil pessoas morrem por ano devido ao suicídio, o que representa uma a cada 100 mortes registradas.
Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio aparece como a quarta causa de morte mais recorrente, atrás de acidentes no trânsito, tuberculose e violência interpessoal (OMS/2019).
Ajuda
Um dos centros de apoio emocional mais atuantes no Brasil é o CVV (Centro de Valorização da Vida). O serviço de escuta opera 24 horas por dia e sem custo. Basta ligar para 188 e solicitar o atendimento. O serviço também está disponível via internet pelo www.cvv.org.br.
Também é possível buscar auxílio nas unidades do CAPS, nas Unidades Básicas de Saúde (Saúde da Família, Postos e Centros de Saúde) e nas UPAs 24 horas. Em situações de emergência, as equipes do SAMU podem ser acionadas pelo número 192.
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