NO BICO DO CORVO

Bem-vindos à 2024

Alguns místicos dizem que entraremos no final da jornada dos números pelo calendário gregoriano. Não deu para entender direito a afirmação. Segundo o prognóstico estaremos sob a vibração do número 8 (2 + 0 + 2 + 4 = 8), ligado à energia da abundância, do poder e da autoridade. Vixe! Que venha o novo ano! Antecipadamente sabemos que em Foz ele promete ser cheio de emoções, sobretudo pela corrida eleitoral. Para este humilde escriba, apesar do otimismo, teremos um ano não muito diferente de 2023, com sacrifício para pagar as contas, manter os compromissos, as responsabilidades, esforço em ganhar um dinheirinho e no mais, nos resta sonhar e esperar pelo melhor.

 

Recomeço

O fato é que o ano começou ontem. A primeira semana foi um marasmo, com muitas empresas realizando balanço e se estruturando para encarar o novo período. Segundo um contador amigo, lamentavelmente muitos não conseguiram fechar 2023 como esperavam; viveram resquícios da pandemia e a má notícia é que em alguns setores isso deve se arrastar alguns anos. Mas no plano das notícias boas é que a recuperação apresentou resultados bem acima dos esperados. Bola pra frente!

 

As férias do Corvo

Se assim permitirem os leitores, este colunista fará um pequeno relado de como aproveitou o período de recesso. Muita gente pode nem se interessar por isso, mas algumas informações são valiosas ao que pretendem colocar um pé na estrada. Sair uns dias de Foz é um dos sonhos de consumo de nove entre dez iguaçuenses. Um sonho caro e cansativo, dependendo a rota ou a escolha do destino.

 

As estradas

O Corvo e a Corva percorreram o caminho pelas estradas até São Paulo. Foram apenas dez dias de merecido descanso. Se é para analisar, basta informar que a BR 277 foi zelada pelo Governo do Estado e encontra-se em boas condições de percurso, pelo menos até Curitiba. Muitos motoristas reclamam do trecho entre a capital e litoral. Sem pedágios é aquela maravilha em matéria de alívio no bolso, mas ao que parece isso logo vai acabar. Mas o trânsito… isso são outros quinhentos.

 

Reformas

As companhias que venceram as licitações estão trabalhando nas áreas de cobrança e isso está causando pavor em alguns trechos. Para se ter ideia, a distância entre Curitiba e a primeira praça, próxima de São Luiz do Purunã obriga os veículos a transitarem em passo de tartaruga.  Um terror! É um tal de vai e para, vai e para, debaixo do sol e o escaldar do asfalto.  No sentido contrário o congestionamento se estende das obras na praça do pedágio além da entrada para Irati. Quem pensar em viajar preciso ter isso em mente: vai sofrer com o trânsito, como o carro correndo risco de ferver, cheiro de diesel dos caminhões, fumaça, e locais de parada infestados, com banheiros sujos e gente apinhada. Uma barbaridade!

 

Hotelaria

O Corvo anda um pouco enferrujado de viajar e percorrer uma distância de 1.100 kms deixou de ser uma tarefa tranquila, começando pelas surpresas ao longo do caminho. No percurso de volta bateu um cansaço e uma baita dor nas costas, logo, o recurso foi tentar uma parada. Isso ficou só na tentativa, porque o preço das diárias em dormitórios de beira de estrada é surreal. Espeluncas cobram entre R$ 400 e R$ 600 a pernoite e creiam, estavam praticamente lotadas. Leia-se “espelunca” no sentido da exploração, porque em Foz esses valores de diária são praticados em ótimos hotéis. O negócio foi tocar direto.

 

Mais preços

Nas poucas paradas para refrescar o cansaço, o Corvo encontrou alguns amigos e dá-lhe reclamações! Uma dessas pessoas diz que passou cerca de sete horas na estrada entre Joinville e Curitiba. Segundo o relato não havia tampouco acidentes; o volume de veículos é que estrangula as estradas. Outras pessoas reclamavam do preço das refeições e até mesmo da garrafa de água, cobrada em média entre R$ 5,00 e até dez reais. Pensa? Na próxima tentativa de viajar o Corvo vai levar o franguinho frito e a farofa de casa e água da bica.

 

De volta à terrinha

Uma semana e pouco depois e a gente volta, achando que algumas coisas estarão diferentes. O tempo lá fora parece que é outro. Que nada, tudo está igual, com o poeirão das obras estruturantes, as notícias de residências invadidas e, para variar, restaurantes, bares e estabelecimentos comerciais fechados em plena temporada. Cada um deve saber onde a água bate, mas cidade que se propõe a receber visitantes de todo o mundo não deveria se dar ao luxo de fechar. Quanto maior a oferta, melhor para quem faz turismo.

 

A febre das farmácias

Se há uma coisa que este colunista notou ao regressar de viagem foi a existência de mais drogarias. Eita que não há explicação para o fenômeno, a não ser que a população esteja tão doente. Um especialista diz que isso é guerra entre redes e assim vão marcando o território. Triste é ver fecharem um boteco, um restaurante e abrirem uma farmácia no mesmo local. Se bem que são mais lojas de conveniência que outra coisa. Uma farmácia, por exemplo, pode vender chocolates, biscoitos, itens de higiene e até água e refrigerantes, mas na outra ponta, um supermercado não pode vender nem esparadrapo, senão leva multa.

 

08/11

O Corvo fechou bem cedo a coluna e por isso não conseguiu cobrir os reflexos do “08/01”. Uns esperavam manifestações, outros queriam lembrar a data com repúdio, discursos, falas e lamentações. Passado o dia, teremos assunto. Isso deve acontecer na edição de quarta, dia 10.

 

Calor escaldante

Afe! O domingo foi quente, mas a segunda-feira amanheceu fervendo. O termômetro acusava mais de 30 graus nas primeiras horas de Sol. E é assim que o ano começa, com o disco do medidor de energia correndo solto. Correremos risco de enfrentar uma onda de suicídio no início de fevereiro, quando das faturas de energia elétrica começarem a chegar! E segundo os entendidos no clima, deve ficar pior. Os noticiários acusam temperaturas mais altas que o normal até no hemisfério norte, onde o inverno deveria ser rigoroso. Foz do Iguaçu parece estar ao lado da porta de uma fornalha.

 

Fake líquida

Os grupos de bairros andam distribuindo alertas falso sobre o fornecimento de água. Isso faz com que os consumidores gastem muito mais, pois enchem baldes e garrafas acreditando nas notícias. A Sanepar distribui avisos pontuais em seu site e vale pesquisar antes de acreditar em qualquer informação nas redes sociais. Os locais de manutenção, em geral, ocorrem por regiões.

 

O tal BBB

Ao que parece não haverá sossego com essa agonia das pessoas em assistir o Big Brother. O Corvo não vê muita graça nesse tipo de entretenimento, em espiar a vida alheia ao longo de 90 dias. Há outras formas bem mais interessantes de gastar o tempo. O problema é que muita gente adora saber o que os sortudos farão aprisionados, com uma festa por dia, sorteios de prêmios, comilança, piscina e claro, tudo isso será acrescentado à fama. Francamente, esses reality’s são um prato cheio para quem estuda a natureza humana, pois tudo o que há de sinistro se revela naquele recinto.

 

Nova novela

E lá vem mais seis meses de capítulos remake. Dizem que é a obra prima de Benedito Ruy Barbosa, melhor até que Pantanal. O Corvo não lembra em nada a sequência de capítulos exibidos no início dos anos 90, mas francamente espera que o roteiro seja menos violento que a novela que se finda, onde a ruindade e malevolência extrapolam todos os parâmetros. Ai que saudade das novelas felizes, engraçadas, com finais felizes! Mas como a arte precisa imitar a vida, o sangue escorre pelo canto da tela da TV.

 

A Argentina e os preços

Acabou-se o que era doce para muita gente. Atravessar a fronteira com a Argentina deixou de ser um prazer e parece ser apenas decepção. Segundo dizem os preços estão altíssimos e só há reclamações, indignação pelas ruas e a sensação de que Javier Milei fará uma viagem à Marte muito antes do que imagina.

 

Felicidade

Toda a vez que isso acontece no país vizinho, o sorriso se abre no rosto de alguns comerciantes do lado de cá da fronteira, especialmente o povo da gastronomia e dos itens de consumo básico. Dizem que o movimento no Porto Meira está acima do normal para a época do ano. O ciclo está se invertendo. Quem antes vivia do contrabando anda estocando produtos brasileiros de primeira necessidade. Loucura imagina placas argentina em postos de gasolina brasileiros.

 

O velho Lobo

O ano começou triste para os amantes do bom futebol, ou, dos tempos em que a bola ainda era redonda. Ainda não caiu a ficha de muita gente com a morte do Zagallo, para muitos, tão importante quanto o Pelé. Isso tem explicação: se Mário Jorge Lobo Zagallo não assumisse a seleção de 1970, Pelé não teria participado da Copa do México. Se dependesse de João Saldanha a camisa “10” pertenceria a outro jogador. É difícil de imaginar algo assim, mas é verdade. No mais, Zagallo foi quem mais acumulou participações em copas, ou como jogador, treinador ou auxiliar técnico; foi o que mais venceu também. Ele atravessou gerações.

 

Ecos dos fogos

Prezado Corvo, como pode isso? Ainda há pessoas estourando fogos, uma semana depois da virada de ano! Isso não era proibido? Em casa os bichos sofrem muito com os rojões. A Lei deveria valer e os transgressores multados.

Maria A. G. Fontoura

O Corvo responde: prezada leitora, a natureza das explosões pode ser por outra razão. Vai ver algum vizinho seu ganhou na loteria, ou ainda não saiu dos festejos. Mas a boa notícia é que a humanidade busca outras formas de iluminar os céus em passagem de ano. Muitas cidades brasileiras exibiram performance de drones, por meio de evoluções das mais inusitadas, formando até mesmo bandeiras, e simulando fogos de artifício. Sobre animais, o Corvo conhece bem o problema. Haja algodão para aliviar a sensibilidade no ouvido dos bichos lá de casa. Uma boa semana a todos!

 

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