Idgar Dias Júnior
Três cenários possíveis para a crise no Brasil

Olá! Bom dia, leitor!
- Hoje, terça-feira, dia 24 de março de 2020, é celebrado o ‘Dia Mundial de Combate à Tuberculose’;
- Também hoje se comemora o ‘Dia da União dos Povos Latino-americanos’.


Diante da crise da pandemia da Covid-19, o economista Claudio Porto realizou [neste mês] sondagem num grupo de 150 pessoas (economistas, sociólogos, cientistas políticos, engenheiros, gestores sênior de empresas, pesquisadores e professores de universidades).
O cruzamento das respostas propiciou a criação de três cenários. No denominado “A reconquista da normalidade” (1), o melhor, mas de menor probabilidade, em face da intensidade da crise, o governo assumiria um comportamento cooperativo como seu novo padrão de relacionamento político-institucional, com pronta resposta dos principais atores políticos.
Impactos positivos são produzidos nos graus de acerto, nos níveis de confiança e na melhoria e aceleração das medidas de combate às crises da saúde pública, da economia e das maiores vulnerabilidades sociais.
A melhoria do cenário externo ajuda. [Nesta] visão, aceleram-se a velocidade e a intensidade das boas respostas sanitárias e aos estímulos econômicos com propagação global. Como resultado, os impactos da crise na economia brasileira são intensos, mas de duração moderada. O segundo semestre é de ampla recuperação.
O cenário mais provável é o que foi denominado “Aos trancos e barrancos” (2), cuja probabilidade passou de 35% para 60%. Esse cenário mostra uma continuidade do Brasil atual. A realidade se impõe. A mudança de comportamento dos principais atores do governo federal, incluindo o presidente Bolsonaro, é temporária. No princípio mais cooperativo, a previsão é que haverá sucessivas recaídas de confrontação, com resposta semelhante dos políticos. Os impactos imediatos são positivos — mas não se sustentam por muito tempo.
Os níveis de confiança se mantêm baixos, e as medidas de combate às crises da saúde pública e da economia são insuficientes. Externamente, não há novidades, especialmente no relacionamento com a China, com tensão permanente variando os níveis de “esticamento da corda”. Isso ocorreria mesmo com a melhoria do cenário global. Como resultado, os impactos da crise na economia brasileira são intensos e de duração prolongada. 2020 é mais um ano perdido.
O pior cenário, que Claudio Porto considera improvável, é “A marcha da insensatez” (3). Uma ruptura em relação ao Brasil atual, com uma escalada desenfreada de autoritarismo populista. Os laços de coesão social se rompem numa espiral ascendente de polarização. Externamente, a novidade é uma piora progressiva no relacionamento do Brasil com a China, a Europa e alguns países “inimigos” nas Américas. Isso ocorre mesmo com a progressiva melhora do cenário global.
Artigo – resumido – de Merval Pereira, publicado no jornal O Globo.

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