No Bico do Corvo
Sucessão de fatos

O momento exige paciência dos jornalistas, a começar pelos que trabalham o impresso. Uma notícia estoura e dali minutos é superada por uma resposta, ou ação contrária. Várias versões vão moldando as situações e isso não para, correndo a madrugada. A gente vai dormir com uma coisa na cabeça e. ao amanhecer, tudo mudou. É aí que o eletrônico faz diferença. O GDia tem superado todos os números de visitação de um período ao outro. 

O comércio está aberto?
Ontem várias pessoas ligaram para o jornal perguntando se o comércio estava funcionando. Qual a dedução que fazemos, quando alguém faz uma pergunta dessas? É simples: a pessoa vai sair de casa para frequentar as lojas e negócios. Mas será que é o momento de autorizarem, nem que seja parcialmente, o funcionamento de alguns negócios? 

Resumo da ópera 
A ACIFI divulgou no domingo sua proposta de abertura gradual do comércio no dia 07, hoje. A prefeitura diz que não, porque precisa de segurança epidemiológica, mas o prefeito não descarta o dia 13, mas para isso, depende de uma série de medidas. Enfim, nada é certo e tudo pode mudar diante de um quadro tão duvidoso. O que é certo, é que o prefeito não atendeu o pedido.  

Não e sim
Qualquer um que tenha a cabeça em cima do pescoço fica dividido em momento assim. As autoridades são resistentes e em alguns casos irredutíveis, porque o sistema público de Saúde é frágil. Em Foz, segundo disse o prefeito, para atender a ACIFI e as entidades parceiras, é necessário antes realizar os testes rápidos e contar com uma série de equipamentos hospitalares. Já os empresários, estão seguros que a abertura gradual pode acontecer e com segurança sanitária. E se não houver essa "segurança", a quarentena poderá ser prolongada.  

Tem lógica
O que está acontecendo é um pouco grave. Com o comércio fechado, a começar pelas empresas familiares nos bairros, há uma corrida para os supermercados e é difícil segurar o povo em fila, do lado de fora. No final de semana, haviam locais lotados. Os pequenos negócios funcionando, aliviariam a pressão. Este é um dos pontos defendidos pelos empresários. Já a prefeitura pensa diferente: qualquer aglomeração é um problema e se já é difícil fiscalizar as poucas unidades essenciais abertas, será muito pior no formato de funcionamento gradual. 

Sintonia 
Mas engana-se quem acredita que existe uma "queda de braço", ou briga entre representações empresariais e governo. Pelo contrário, estão conversando, a todo o momento, e, a pressão fez o Chico passar mais sebo nas canelas, ou se virar nos 30, tentando a todo custo conseguir os testes rápidos. Bom, ele já vinha se empenhado nisso.

Termo de responsabilidade
O governo de Foz pode estar permeando o terreno com vistas ao atendimento aos empresários. Só não se sabe quando, evidentemente. Ontem a Prefeitura disponibilizou, um "Termo de Responsabilidade Sanitária" para as empresas em funcionamento no período de pandemia. "O objetivo é fortalecer o enfrentamento da emergência em saúde pública de importância internacional decorrente da pandemia do novo coronavírus - COVID-19". 

Terceira visão
Enquanto discutem o "abre" e o "não abre" do comércio, estão se esquecendo que o assunto pode acabar na Justiça, porque independentemente da vontade de prefeito e empresários, o Ministério Público pode se manifestar e ao seu modo, "colocar as coisas no lugar". Olhando a página da AMAPAR - Associação dos Magistrados do Paraná, é muito grande o índice de decisões favoráveis aos pedidos do Ministério Público, ou seja, do cumprimento das medidas anunciadas pela Organização Mundial de Saúde e demais órgãos que estão tratando de proteger a população, por meio do isolamento.   

Os testes
Itaipu divulgou ontem, que o HMCC iniciará, na quarta-feira, 1,5 mil a 2 mil testes de Real Time - PCR, que indica diagnóstico da covid-19 em até duas horas. "Os exames ajudarão no mapeamento epidemiológico da doença e na tomada de decisões dos municípios da 9ª Regional de Saúde do Paraná para o enfrentamento da doença", sendo assim, não serão utilizados apenas em Foz do Iguaçu, como algumas pessoas estão imaginando. O hospital deve receber mais 2 mil exames em breve. Para ilustrar, a 9ª Regional abrange Foz, Itaipulândia, Matelândia, Medianeira, Missal, Ramilândia, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu e Serranópolis do Iguaçu.

Governo também quebra
Os governos sofrem os prejuízos em todos os âmbitos. Não devemos esquecer que a população é sócia majoritária da União, Estados e Municípios. Sócios majoritário e acionistas. Se tudo vai bem, a vida prospera, do contrário, afundamos na pocilga, mais ou menos para onde estamos indo. Crises como esta, prejudicam a economia, as empresas param de funcionar e os governos deixam de arrecadar. A onda de demissões é descomunal e sem salários, dinheiro para o sustento das famílias, a pobreza aumenta e com ela, mais problemas com insalubridade, fome, e, num cenário assim, cresce a violência. Os governos, impotentes, perdem para o crime. É daí que surge esse borbulhar de iniciativas para fazer a roda girar.       

Ninguém  segura
As empresas paradas, não pagam taxas e impostos e o governo, vai raspando os cofres. Chegará o momento, que não conseguirá arcar com os custos do funcionalismo e é aí que o bicho vai pegar. Além da economia em frangalhos, teremos o desgoverno, com as milícias se aproveitando da situação e assumindo o controle. Este é o cenário mais enegrecido de todos e claro, ele causa desespero, só de pensar.  

Socorro
Muito dessa inquietude se dá em razão da demora na publicação das medidas provisórias federais. Ambulantes e pequenos comerciantes ainda não sabem como fazer para acessar os benefícios. Uma prova disso, é a quantidade de "cartas" enviadas a este colunista. Tanta coisa se arrasta daqui e ali, que francamente, fica difícil responder. 

Quanto tempo?
É a pergunta fatal! Perguntas assim são frequentes e enviadas para este colunista: "seo Corvo, quanto tempo a gente vai precisar manter o isolamento social?" Taí uma coisa bem difícil de responder, mas pelo andar da carruagem, isso ainda vai demorar, provavelmente, e, no mínimo, mais uns 30 dias. A "curva" de contágio no Brasil nem chegou ao topo. Liberando o comércio gradualmente, cerca de 70% da população terá que manter o isolamento. Isso foi o prefeito quem disse.

A vedete do momento
E no meio de um horizonte de tantas dúvidas, eis que imperam as fake news, espalhadas por tudo o que é lado. Durma-se com isso! Há mais notícias falsas nas redes sociais, do que a consolidação dos fatos. E o pior, é quando gente séria embarca nessa onda e repica as asneiras, porque elas ideologicamente massageiam o ego. Fake é "fake", independentemente o conteúdo. 

De verdade
Muitos não deram bola, achando que era fake, o comentário do ministro da Educação Abraham Weintraub, acusando a China de esconder informações sobre o Covid-19 para posteriormente lucrar com leilões dos equipamentos. E no meio da encrenca, ele dispara que pedirá desculpas, se a China vedar respiradores à preço de custo. Brincadeirinha em cima de brincadeira e que pode custar caro ao Brasil, ontem a China anunciou que comprará soja dos Estados Unidos, como segurança. Bom, como ele não é filho de presidente, pode ser, seja usado como exemplo.   

Reviravolta
Não será de admirar caso o presidente Bolsonaro peça espaço para um pronunciamento em rede nacional e pedir para o povo reforçar o isolamento social. É que o Trump fez exatamente isso, ontem. Aliás, ele vive repetindo o apelo.  

Povo nas ruas
Enquanto a Europa, que já chegou ao pico da contaminação, a ordem é prolongar quarentena e até prender quem desobedecer aos decretos, no Brasil, que ainda está na sola do sapato da crise, muita gente continua ignorando os apelos das autoridades sanitárias. Tem gente fazendo festa no fundo do quintal e postando nas redes sociais, com direito ao famoso narguilé, passando de boca em boa. É o fim da picada!

Providência
Um empresário do ramo desses "fumódromos" ligou para este colunista pedindo socorro, pois se a situação continuar assim por mais uma semana, segundo ele, metade dos negócios de tabacaria quebrarão em Foz e não voltarão mais após a crise. Mas que notícia mais boa é essa? O que a prefeitura deveria fazer era proibir casas do tipo, pelo bem da saúde da população.