No Bico do Corvo
Rebelião

O Brasil assiste a uma pendenga que expõe a fraqueza no campo das decisões, por parte do Presidente da República. A queda de braço entre o chefe da nação e o ministro da Saúde, nos aponta uma divisão de opiniões, que põem em risco a segurança da população e isso causou uma somatória de forças entre o Senado, Câmara Federal e ministros do Supremo, com apoio direto do vice-presidente. O general Mourão mantém grande influência entre os militares. Bolsonaro não deve se sentir nada bem com a situação e poderá, sim, demitir o ministro Luiz Henrique Mandetta.

Egos partidos
O que chama a atenção é o ciúme e a inflamação causada pela pesquisa do Data Folha, jogando o ministro da Saúde nas nuvens da simpatia popular. Isso causou sombra em Bolsonaro e, naturalmente, causou desconforto. Mas o pior é o que veio depois, com o "fico" de Mandetta e as notícias que repercutiram a situação. Para a imprensa isso é notícia, para Bolsonaro é zombaria. 

Potencialização
Como muito bem sabem fazer, a Rede Globo e jornais como a Folha de São Paulo, enaltecem o ministro Mandetta, porque em caso de tombo, o peso será muito maior nos ombros do presidente. Que situação hein? E ainda por cima, há as ameaças veladas de Rodrigo Maia, David Alcolumbre e Gilmar Mendes. Só faltou alguém dizer: "Se mexer com o Mandetta, mexe comigo". 

Vítima
Este colunista apoia totalmente as medidas do ministro Mandetta, porque elas simplesmente traduzem as recomendações da ciência. O que não devemos nos esquecer, é que o ministro em questão, além do compromisso de médico, ele é um político, portanto, faz o jogo. Para muita gente, já subiu no salto alto e faz uma certa pose de "madalena apedrejada". Apenas os resultados o salvarão, de Bolsonaro e da opinião pública. 

Campeonato
Vamos pensar queridos leitores: se a luta contra o Covid-19 fosse uma final de Copa do Mundo, e, estivéssemos perdendo por 1 x 0, como o técnico deveria agir: substituir o goleiro ou os atacantes? É o dilema do Bolsonaro. Mas infelizmente a situação é diferente de um jogo da seleção, é matar o oponente, ou morrer de goleada. 

Achatamento
Há um zum-zum, de que o Brasil está conseguindo a façanha de achatar a curva bem antes do esperado, mas isso, por enquanto, é guardado pelas autoridades sanitárias, sem comemoração e nem nada, justamente para o povo não fraquejar. Uma evidência seria o número de mortes e o contágio em algumas regiões. Segundo uma informação, alguns Estados poderão voltar à normalidade antes que outros, mas mantendo as medidas restritivas. 

Semana decisiva
De hoje (quarta-feira, 08) até domingo, muito possivelmente, teremos um mapeamento mais preciso de como anda a contaminação em Foz. Isso visa emplacar o plano da prefeitura de autorizar a abertura gradual do comércio, mas ninguém se engane, caso o prefeito postergar a data. Chico só autorizará o levantar gradual das portas, se tiver plena certeza que o contágio está sob controle. Vamos nos colocar no lugar dele: o mundo insiste que é o momento de incentivar o isolamento, e em Foz, entrarão numa contramão? Como diz a música, "ainda é cedo amor, mal começaste a conhecer a vida, já anuncias a hora da partida; sem saber mesmo o rumo que irás tomar...". Uma coisa é certa, Cartola foi profético e a vida é um "moinho".  

Condicional
O caso é que há muita gente festejando a reabertura do comércio, sem ler com atenção o "plano" da prefeitura. É aí que mora o perigo; as pessoas ao não se aprofundarem, podem entender errado e saírem para as ruas normalmente. Taí o martelinho que fica batendo a cabeça do prefeito. Ontem um médico, que pediu para não ser identificado, disse ao Corvo: "esse plano da prefeitura, por pura segurança e alertas de muitos profissionais, deveria ocorrer apenas no início de maio". Aqui entre nós, Chico Brasileiro tenta dar esperança aos que convivem com a aflição, ao verem seus negócios irem à pique, mas no dilema entre economia e saúde, ele vai segurar a tranca fechada. 

Reclamações
Quem leu o plano, vê rigidez no Termo de Responsabilidade Sanitária, como é o caso da instalação de pias em estabelecimentos. Não uma bacia com água na porta da lojinha. No mais, muitas "lavanderias, barbearias, salões de beleza, clínicas, gráficas, chaveiros e bicicletarias", estão funcionando ou, nunca deixaram de atender, bem como os pequenos comércios nos bairros. Isso vai abrir porque dentre outras, é impossível fiscalizar. 

Máscaras 
O "plano da prefeitura" é quase uma cópia dos procedimentos pós crise adotados na China e em outros países que já enfrentaram o pior. É o chamado "preceito da retomada", mesmo assim, basta assistir aos telejornais para entender que estão voltando atrás e fechando tudo novamente.   

Cartas ao corvo
Prezados, este colunista não tem respondido e-mails e o envio de textos, pelo simples fato de haver similaridade nas comunicações. Todos os conteúdos abordam questões comuns e iguais, como "quando isso vai acabar", o desrespeito às regras de distanciamento social e afins.

Nó na cabeça
Corvo, eu votei no Bolsonaro e tenho muito respeito por ele. Não concordo com certas manifestações, porém nem ligo, porque isso é o jeitão do homem. Acontece que nessa encrenca sobre o Covid-19, de divergirem sobre isso e aquilo, até dentro de asa escuto os filhos brigando: um diz "não saia de casa e não deixe mãe ir no mercado" e outro rebate, "ih, esquece, isso é só a gripezinha que o Bolsonaro fala". Daí fiquei pensando: se o Brasil superar esse novo coronavírus e não morrer gente igual em outros países, será que vão cair de pau nos políticos que brigavam pelo isolamento? Isso é assim, porque as pessoas esquecem rapidamente o que acontece. Mas penso em coisas assim, ainda mais por não ter nada o que fazer.
Raimundo S. T. Pereira

O Corvo responde: prezado, quando a crise passar, será difícil saber quem serão os responsáveis pelo sucesso, porque a população colaborou, mesmo sofrendo. A maioria das pessoas entenderam que o correto é praticar o distan-ciamento social, porque o alerta foi mundial. No entanto, será possível identificar quem não colaborou. Mas a dissonância de opiniões é normal, ainda mais nas situações que estamos enfrentando. Oxalá isso passe logo.       

Difícil explicar
Se eu narrar o que aconteceu com a minha vizinha, vai parecer aquelas piadas que circulam nas redes sociais, mas é a pura verdade. Uma pessoa da rua ficou mal e os vizinhos levaram para o hospital. Internaram o rapaz porque os sintomas eram bem parecidos com o Coronavírus; no dia seguinte, havia um furdunço na casa do coitado, porque a família foi visitá-lo e naturalmente, não deixaram todas aquelas pessoas entrarem na unidade de saúde. "Fumo tudo lá e não deixaram nóis entrá, e levamos até uma marmita de frango frito, e tivemo que comê nóis mesmo, no ônibus". Pensa? É difícil explicar essas coisas para os mais humildes Corvo. 
Lúcia M. N. Penteado

O Corvo responde: há muitos casos semelhantes e que não são piada. Apesar de todos os alertas, muitas pessoas não assimilam a gravidade da situação, ou não acreditam no contágio, pesando que a doença não é tão ofensiva. Até mesmo em países considerados mais desenvolvidos, de há uma consciência coletiva, acontecem situações semelhantes a que foi narrada pela leitora. 

Dicionário
As pessoas assistem televisão e aprimoram o vocabulário. Um cachorro do Corvo, achou um buraco na grade e fugiu, a empregada disse que ele "empreendeu fuga"; um gato pegou uma pomba e disseram: "foi pega de tocaia"; e agora com o coronavírus, em casa, a gente escuta: "vá para o distanciamento social", no lugar de mandar o pirralho ir para o quarto! Um vizinho disse que estava preocupado por ser "picado" pelo covid-19 ou ter sido contagiado pela Dengue. Que barbaridade! 

Anúncio da ALEP
Anúncio muito inteligente, o da Assembleia Legislativa do Paraná: "não é o vírus que circula, são as pessoas que circulam". É a verdade mais verdadeiramente e verdadeira que há, o vírus está lá, em algum lugar, nós é que circulamos, até que ele grude. Não existe pleonasmo quando o assunto é fazer as pessoas caírem na real, entenderem o que é verdade.