No Bico do Corvo
Quarto óbito

Foz se mantinha resistente com apenas três óbitos por covid-19 durante um longo tempo, mas a marca caiu ontem, segunda-feira, apesar do sepultamento ter ocorrido na noite anterior. O release, que em geral é uma ferramenta informativa fria, transmitiu a rapidez com que o vírus comprometeu o paciente; foi em questão de horas. O homem de 60 anos possuía comorbidades como a hipertensão e diabetes e há suspeitas de complicações cardíacas; foi diagnosticado positivo na sexta-feira e teve um agravamento em apenas dois dias. É uma doença medonha, terrível e muita gente ainda não acredita.

Limitação
A prefeitura baixou decreto limitando o funcionamento de bares, restaurantes e estabelecimentos gastronômicos dos mais diversos. E segundo disseram ao Corvo, isso seria o início de uma lista de medidas bem duras.

O que adianta? 
Corvo, não quero que os donos de estabelecimento briguem comigo, pois sou frequentador de muitos bares e restaurantes, mas a medida da prefeitura não surtirá lá muitos efeitos, uma vez que o horário de pico de muitos estabelecimentos é no final da tarde, quando o freguês dá aquela paradinha para molhar o bico. Às 23 horas, horário determinado pelo decreto, a maioria dos bares já fechou em Foz e isso acontece até antes da pandemia, logo, é uma medida sem muito impacto. Lamentavelmente, pelo o que estamos vendo, o Chico vai ter que lacrar muitos locais bem antes desse horário se a proposta é segurar o covid-19.
Maurílio V. Fonseca

O Corvo responde: não é bem assim, em muitos bairros há estabelecimentos funcionando madrugada adentro e isso foi constatado pela força-tarefa, implantada na sexta-feira (12). Esses locais, em geral, têm sido denunciados por meio do número da Defesa Civil, 199. A população está atenta e a prefeitura teve que se virar nos 30 para dar uma resposta. Embora ocorram muitas desobediências, há uma parcela significativa de moradores que respeita as regras e por isso, denuncia.  

Relatório da força-tarefa
A fiscalização fazendária apresentou o seu primeiro levantamento das abordagens que foram realizadas pela força-tarefa na última sexta-feira. O caso é que muitas denúncias foram improcedentes e algumas não chegaram a ser realizadas, mesmo assim o vai e vem das equipes não foi pequeno. Orientaram mais do que autuaram. Com novos horários para fiscalizar, o ritmo vai aumentar.   

Voluntários da Pátria
O presidente Bolsonaro convocou seus simpatizantes e correligionários para entrar nos hospitais e conferir que o dinheiro está sendo bem aplicado. Pode ser que muita gente ficou por lá mesmo, depois de conferirem a temperatura. Esses "fiscais" resistem em usar máscaras, porque acreditam que contrair a doença é uma maneira de criar imunidade. Os cientistas alertam para os riscos de uma aventura assim. Bom mesmo seria se a tropa de choque ideológica ajudasse a denunciar quem descumpre as regras, aí sim prestariam um serviço de excelência. 

Culpa de quem? 
A culpa é de quem não obedece e tem a conivência dos donos e gerentes dos estabelecimentos. É normal ver pessoas entrando sem máscaras em muitos locais, ou com ela protegendo o papo, abaixo do queixo, o que não adianta nada. Dono de boteco, mercadinho e pararia tem que ter voz ativa, mandar no pedaço, senão corre o risco de fechar. 

Dura estadual
Os números no Paraná estão crescendo bem acima do esperado e mesmo que as medidas restritivas sejam de responsabilidade dos municípios, pode ser, o governo do Estado resolva endurecer, o que aliviará um pouco a vida dos prefeitos, porque terão em quem jogar a culpa.  

A Câmara e o "lockdown"
O Legislativo não foi lá muito complacente em dar voltas para não chocar a população; foi mais direto: se o povo não colaborar, a cidade vai fechar de novo. Mas aqui entre nós, isso pode mesmo acontecer e é a mais pura realidade. Como lidar com números tão altos e muita gente esboça não dar a mínima?  

E como se faz?
Corvo, essa obrigação de usar máscara é algo meio sem nexo. Como eu faço para ir ao boteco encontrar os amigos? Saio de casa com a máscara e até álcool gel no bolso, mas não tem como dar uns goles com aquilo tapando a boca. Então, de que adianta abrir os bares, e restaurantes, se eles podem ser multados com as pessoas sem as máscaras lá? Fica difícil né? 
Paulinho M. S. Santos

O Corvo responde: prezado, a fiscalização não multará, caso o bar ou restaurante tenha se precavido mediante as regras de distanciamento, mantendo uma mesa longe da outra, evitando a concentração dos fregueses. É possível beber, mas não atravessar a noite na esbórnia, se agarrando com os amigos de boteco, como a fiscalização constatou. O Corvo já foi à restaurante durante o período de pandemia, comeu, bebeu e não se aproximou de outras pessoas e nem mesmo dos garçons, mesmo assim, deu um medão. Não foi uma boa experiência, porque as pessoas bebem e se esquecem que lá fora tem um vírus catando quem vê pela frente. 

Supermercados
No início da pandemia, os supermercados em Foz organizavam bem melhor o ingresso nos estabelecimentos. Hoje eles voltaram a funcionar como mercados turcos, com gente esbarrando umas nas outras entre as gôndolas. Não há respeito nem nas filas para comprar carne, e, é possível encontrar pessoas com a máscara no bolso, ou abaixo do nariz. Que situação? E nem chegamos ao pico do contágio. É o momento de se cuidar e evitar as aglomerações. Os números não mentem. 

Esforço 
Há um movimento bem concentrado de forças entre brasileiros e paraguaios, no sentido de pressionar Marito Abdo, na abertura da Ponte da Amizade. Ontem este Corvo ativou os contatos em Assunção e o homem está duro igual uma rocha, ainda mais depois da situação desgovernada no Brasil, que caminha com números alarmantes.

Cães farejadores
Olha só seo Corvo, impressionante a capacidade dos cães de localizarem drogas. Sei que eles são muito treinados para isso, e pena que são poucos os animais, porque fazem um grande serviço. Mas é preciso destacar a dedicação dos treinadores e policiais que fazem dupla com esses animais maravilhosos. Aproveitando Corvo, se um cachorro desses passar pelas proximidades da minha casa, irá uivar, porque o local é nublado de tanta fumaça de cigarrinhos do capeta; a molecada fuma mais maconha do que usa narguilé. O negócio é apreender a droga. 
M.J.F (O leitor pediu para não ter o nome divulgado.

O Corvo responde: os cães prestam um inestimável serviço à população e o detalhe é que estão sempre a postos, atentos; são muito eficientes e fazem tudo isso, em troca da razão e carinho dos parceiros. Muitos cães farejadores fazem parte da vida dos policiais e por isso, são exemplarmente tratados. O animal "Guerreiro", do Batalhão de Fronteira, é um dos mais condecorados no país.

Falar em drogas...
Uma operação policial localizou um pouco mais de uma tonelada de maconha no Jardim Jupira. As forças conjuntas estão virando o bairro de cabeça para baixo, e só assim para resolver de vez a questão. Uma fonte informou o Corvo, que a pegada é tão forte, que os traficantes estão se "pirulitando" para a região do Porto Belo. Bom, isso pode não fazer a mínima diferença, porque a inteligência da operação já deve estar no calcanhar deles.  

Só dá covid-19
Então Corvo, estou com saudades de outros tipos de notícias, mas isso não é uma queixa e sim uma constatação. Me coloquei no seu lugar e vejo que de fato seria muito difícil explorar outros assuntos, porque queira ou não, uma coisa acaba ligada à outra. Se não é covid-19 é afronta à democracia, e é difícil avaliar o que é pior. 
Rosangela A. G. Siqueira

O Corvo responde: em nosso universo ainda que há um diferencial, porque na fronteira acontecem outras coisas como a apreensão de contrabando e drogas, mas isso no fundo, também acaba ligado à pandemia, em razão do fechamento das fronteiras. A leitora pode atentar ao fato que os telejornais aumentaram o tempo desde o início da pandemia e continuam assim. É provável que isso mude até o conceito televisivo daqui em diante.

Influenza
O povo se cuidando do bichinho microscópico conhecido como covid-19 e um outro vem atacando sem dó; é o vírus da influenza. Da mesma maneira, os mosquitos da dengue continuam fazendo a festa. A soma dessas três doenças resulta num coquetel muito perigoso para a população, porque se um não pegar, o outro pega, e, todo mundo acaba se expondo nos hospitais postos de saúde e locais similares.

Medo de tudo
Corvo, é um problemão tudo isso que enfrentamos, porque passei a ter medo até de cortar a unha. Não vou mais nas farmácias porque é lá que as pessoas com sintomas vão antes de irem ao médico; não vou em ambulatório, porque dizem que é lá que estão os contaminados; hospital nem, pensar. Tá difícil, porque as pessoas estão morrendo em casa. 
Laura L. S. Rodrigues

O Corvo responde: prezada, as farmácias atendem com entregas e elas são muito eficientes. Não precisa se deslocar; mas o que escreveu é verdade, a população tem medo de ir aos hospitais, mas na contramão, há quem não tema frequentar aglomerações, não usa máscara e acredita ainda na tal gripezinha.