No Bico do Corvo
Pergunta ao Corvo (xxxvvv)

Bom dia colunista, como você responde todas as cartas, lá vai a minha. Tenho olhado constantemente os números do covid-19 e naturalmente faço isso por meio de gráficos. Os demonstrativos do Google são atualizados praticamente online, por isso estou ligada lá. O que vejo é o Brasil ultrapassando outros países e que bom se isso fosse na área da economia, das exportações, ou da qualidade de vida. Ficaria feliz até se fosse na Fórmula 1, ou no ranking da Fifa, mas não é. Nosso país já é o segundo do mundo em número de contaminados, mais de 500 mil. E ainda não chegamos ao pico! Eu faço muitas leituras sobre isso, porque quando chegamos aos 76 anos, fazemos exatamente isso, analisamos tudo. Será que alcançaremos os Estados Unidos Corvo? 
Janete F. R. Fioravantti

O Corvo responde: prezada professora, alguns epidemiologistas acreditam que o Brasil poderá superar os Estados Unidos em número de mortes. Lá a doença já matou 105 mil pessoas, aqui, 30 mil. Como os EUA já encaram a queda na curva, e no Brasil ela ainda está em fase de crescimento, é provável que muitas famílias ainda chorarão pelos entes queridos. Lamentável. Norte-americanos e brasileiros possuem uma similaridade: seus líderes não acreditaram no potencial da doença e a desafiaram, fatores ímpares se comparado às medidas adotadas por outras nações. O Brasil, por outro lado, mantém uma baixa testagem e os números podem ser maiores que os noticiados, por outro lado, enquanto possuímos dois epicentros da doença (São Paulo e Rio), nos Estados Unidos há vários. Enfim, vamos torcer para um achatamento no número de óbitos. 

Leitura
A verdade é que se o nosso país acompanhar os Estados Unidos em número de contaminações e mortes, a análise disso será decepcionante, a começar pela falta de obediência de líderes e população; desorganização, falência na área da saúde, ineficácia na proteção ao cidadão, sem contar a balbúrdia política, o que beira o inacreditável. Como pode haver manifestações políticas em meio a uma pandemia? O Brasil carece de maturidade, ampla e irrestrita. Em muitos países, os setores políticos recolheram as unhas e estão quietinhos, aguardando a pandemia passar. No Brasil tudo acontece ao contrário. 

Nem tudo está perdido
O vencedor do Prêmio Nobel da Paz Muhammad Yunus acredita que a crise do covid-19 é uma oportunidade para o mundo redesenhar o sistema econômico tradicional, que, segundo ele, havia colocado a humanidade em uma rota suicida. "Tínhamos acabado de começar a década da última chance", disse o economista em entrevista por e-mail, para a Folha de São Paulo. Segundo Yunus, o aquecimento global atingiu seu último estágio, e o aumento da desigualdade de renda se transformou em uma "bomba-relógio de raiva e desconfiança".

Mentira
O que acontece na cidade da gente, pode servir como dado laboratorial para se medir a ignorância no Brasil. Sábado este Corvo testemunhou uma discussão imbecil, num mercadinho de bairro, onde quase todas as pessoas não usavam máscara. Uma dela disse: "ah, isso tudo é mentira, meu cunhado que mora em São Paulo, morreu do coração, porque a gente sabia que era cardíaco, mas colocaram que foi covid-19"; o que se ouvia era a discórdia total em relação às regras. O fato é que muitas pessoas não levam o assunto à sério. Será que o mundo todo está mentindo, ao mesmo tempo?   

Giuliano
O psicólogo Giuliano Inzis assumiu a Secretaria Municipal da Saúde de Foz do Iguaçu no lugar do vice-prefeito Nilton Bobato. Ele vive há 22 anos no Brasil; é italiano da Sardenha e possui formação em filosofia e teologia. Dedicou parte da vida ao sacerdócio e por isso, tornou-se muito conhecido pelas populações carentes da cidade. Giuliano é sensível às necessidades da população e tem tudo para desempenhar um bom trabalho. 

Campos de Futebol
Segundo este colunista apurou, houve jogos de futebol em vários locais em Foz do Iguaçu, um desses locais fica quase em frente ao Hotel Carimã, numa chácara onde há uma cancha muito conhecida. Quem passou pelo local, viu a quantidade de automóveis estacionados e até fumaça de churrasco. A pessoa que informou o Corvo disse que ligou para a Defesa Civil, mas não soube informar se foi atendida. 

190
Está se tornando uma rotina, o fato das pessoas ligarem para o número de emergência da Polícia Militar e a ligação cair em Cascavel. Sábado, este colunista fez o teste mais uma vez e confirmou que a ligação é desviada para lá. Mas quem atendeu, ofereceu uma informação que merece ser conferida: é a operadora de telefonia celular quem causa a bagunça. Alô dona Vivo, quem opera o celular do Corvo, isso é verdade? Se for, faça o favor de arrumar. Em caso de uma ocorrência mais séria, alguém poderá sofrer com um desserviço assim.  

Contrabando
A ousadia dos traficantes é de cinema. Pensa, rechearem todos os pneus de uma carreta com tijolos de maconha? Quanta inocência imaginarem que a Polícia e órgãos de repressão não estão atentos a isso. A isso e a todos os tipos de invenções de quem tenta driblar a fiscalização. Mesmo assim, muito "bagulho" atravessa a fronteira com sucesso. É um desafio descobrir as inovações no modus operandi das organizações criminosas. 

Mão de obra
Corvo, você escreveu que com a fronteira fechada, muitos brasileiros perderam a oportunidade de trabalho no Paraguai.  Pergunto: e os paraguaios que trabalhavam no Brasil? Estou para te dizer que o número de pessoas é até maior. Na empresa onde eu trabalho, um Pet Shop, dois paraguaios perderam o emprego e olha, eram super competentes e responsáveis. A patroa levou um tempão para suprir as vagas. Foi triste de ver. 

O Corvo responde: relações de fronteira expõe situações assim, de pessoas trabalhando em países opostos. Segundo uma fonte, milhares de brasileiros atuavam no comércio de Ciudad de Leste, muitos em cargos de gerência. Ao que entendemos o covid-19 causou uma fissura nesse relacionamento, o que é muito triste.  

Torcidas x bolsonaristas
Taí uma encrenca das boas para os que apreciam os embates sociais brasileiros. Onde e quando se poderia imaginar que corintianos, palmei-renses, são-paulinos e santistas iriam ocupar um mesmo espaço, sem se quebrarem no cacete? E foi por causa de um bonezinho com a bandeira de Cuba, que o encontro entre as torcidas e ideólogos acabou em balas de borracha e gás lacrimogênio. Pelo menos foi o que disse uma bolsonarista com taco de beisebol. 

Mistura heterogênea 
Que coisa mais maluca essa "mistureba" de cores nas manifestações. Difícil até de imaginar. De um lado as bandeiras dos clubes de futebol, de outro, pendões dos Estados Unidos, Brasil, Israel e de grupos de ultradireita europeus. Haja lápis de cor! Quem pode com uma coisa dessas? 

Sai caro
Seo Bolsonaro não sabe mais como aparecer para os simpatizantes. E dá-lhe gastar gasolina de helicóptero militar para sair de casa e ir até o Palácio do Planalto. Nem precisava tanto, porque afinal, são menos de quatro quilômetros. Tudo bem, ele é o presidente da República, pode usar o equipamento, mas o ideal é que fosse em missões oficiais. Uma hora de vôo no helicóptero pesado EC725 Super Cougar custa bastante dinheiro. E usar um helicóptero robusto daqueles, para ir comer pastel? Pastelzinho caro esse hein? 

E por falar em aparecer...
No domingo ele passou a mão nas rédeas de um cavalo da PM e saiu "ao passo" pela explanada dos ministérios; pelo menos mais uma civil pegou outro cavalo emprestado, para seguir o líder, mas pelo visto, nada entende de cavalaria, onde o chefe ou figura cavalariça mais importante, sempre cavalga a pelo menos um passo adiantado. O escândalo maior, no caso, não foi cavalgar e sim não usar máscara; se bem que os equinos não passam e nem pegam o coronavírus, segundo prescreve a ciência. 

Bronca institucional
Corvo, será que o presidente faz essas coisas sem pensar, ou calcula o pulo, ao aparecer nas manifestações consideradas antidemocráticas? Porque isso é difícil de entender. Um dia ele diz que a democracia está acima de tudo, e em outro, sai por aí desafiando o ânimo dos políticos, ministros e população? Assim está difícil entender não acha? 
L.J.O (O leitor pediu para não ter o nome identificado).     

O Corvo responde: prezado, Bolsonaro se diz populista e age como tal. Se isso vai ajuda-lo são outros quinhentos. Algumas situações ele arma de caso pensado, outras, pelo visto, vai no impulso mesmo, o que põe muitos assessores malucos. Mas é o estilo do nosso presidente. Quem tem cabeça vê isso com normalidade, mas quem pretende passar uma rasteira nele, vê escândalos em tudo. Era só pararem de criticar, que ele voltaria ao lugar comum, o que pode ser bom para o país. Há brasileiros que tramam contra as instituições por puro instinto, ou genética e isso é algo que precisa ser revisto. As instituições como STF, Congresso Nacional, é que asseguram o viver com liberdade e democracia. Sem esses pilares, a vida se tornará bem mais complicada.