No Bico do Corvo
O que se passa Corvo?

Prezado, sei que você responde "cartas" dos leitores, mas desta vez, vou pedir uma análise mais aprofundada do tudo o que está havendo no Brasil. Será que posso contar com isso honrado colunista? 
Jardel V. R. Mendonça

O Corvo responde: alguns leitores estão louquinhos para ver este Corvo se complicar, por meio da opinião. Mas isso não acontecerá, porque o Corvo é precavido e sabe analisar, sem ferir suscetibilidades. O que é verdade, indiferentemente do ponto de vista, prospera e satisfaz o formador de opinião. O que vemos é um Brasil dividido e ferido pela pandemia. Mas o mundo está atravessando situação semelhante.  

Inquietação
A verdade é que está difícil segurar esse formigueiro que há dentro do presidente Bolsonaro. Tudo nos leva a crer que ele quer mesmo uma crise institucional. Vai lá entender uma estratégia dessas? E muita gente se pergunta: o que acontecerá, caso esse barril explodir para valer? Na cabeça deste colunista há três variáveis e nenhuma é boa, no momento em que vivemos. Mas como o Brasil é sempre surpreendente, tudo é possível.

Limite
Em suas declarações, diga-se, em nada oficiais, Bolsonaro disse que chegou "ao limite". As interpretações são muitas e vão do inconformismo, com as "canetadas do STF", às críticas dos veículos de comunicações, algumas das quais, muito mordazes. Isso tira qualquer pessoa do sério, ainda mais alguém como o Bolsonaro e seu perfil de extrema-direita. Certamente algo vai acontecer, mas não como imaginam os seus mais fervorosos seguidores. Bolsonaro ataca, mas recua, dependendo o impacto de suas ações. Ele faz o jogo da distensão, puxa o elástico até perto do rompimento, mas não deixa ele arrebentar. 

A crise
Ela ainda não há. Existe um destempero, um esboço, e por enquanto, não passa disso. Dificilmente há clima para uma intervenção do tipo "fechamento do Congresso" e menos ainda essa troca de olhares fervorosos com a Corte Suprema. Legislativo e Judiciário formam, com o Executivo, o tripé democrático e nada vai funcionar sem um, ou outro. Qualquer rompimento, hoje, está mais para o resultado de uma anarquia, do que outra situação. Perguntem ao sociólogo e professor Afonso de Oliveira, se não é assim.  

As variáveis
Atender aos manifestantes será a mais improvável das ações. Fustigar ministros do Supremo dá no mesmo que pedir a judicialização na nação, porque é provável que nesta queda de braço, as decisões lá sejam desfavoráveis ao governo. Não quer dizer que os ministros serão parciais, ou incorretos nas demandas; elas resultarão sim, em analises criteriosas. Isso por si, já complica. 

"Apoio dos militares"
Esse tipo de afirmação, dificilmente saberemos se é verdadeira, ou, até que ponto os generais concordam com ela? Se negarem, desautorizarão o presidente. O que pode haver é conversarem com o homem mais de frente, como aliás, tem ocorrido, segundo informações. Bolsonaro está promovendo a troca de comandantes. É preciso calma em momento assim. Os militares conhecem o custo de uma revolução e o quanto é difícil sustentá-la. 

O Centrão
Por sua vez, Bolsonaro não vai nunquinha da vida contra o Congresso, porque é lá que a coisa poderá "enfeiar" de vez. Ele prefere alimentar a sua criação de tubarões e convenhamos, precisa se cuidar para não cair no tanque de engorda; os bichos batem a mandíbula independentemente quem esteja na água. O que o presidente irá fazer e já está fazendo, é jogar politicamente com o tal "centrão" com cargos em troca de apoio. E isso funciona. Como exemplo, o "centrão", por meio da indiferença, esfriou os acontecimentos de domingo. Rodrigo Maia e David Alcolumbre sabem bem o por que há nesse agrupamento de parlamentares.    

"Maluco infiltrado"
Foi assim que o presidente Bolsonaro atribuiu a responsabilidade à surra que jornalistas levaram ao cobrir a manifestação de domingo. E bem no Dia Mundial da Liberdade de Expressão! Bom, no caso, foram vários "malucos", porque jornalista, fotógrafo e motorista do Estadão, foram cercados por muitas pessoas. Caso isso não ocorresse, o fim de semana seria bem mais tranquilo no campo da política e das manifestações.     
Infiltração
Interessante é ver numa manifestação brasileira, bandeiras de Israel e Estados Unidos. Isso sim é uma infiltração, como ocorria no passado, quando tremulavam os estandartes de Cuba e da inexistente União Soviética, simbolizada na foice e martelo. Numa terceira vertente, surgiam as bandeiras do Corinthians, Palmeiras, Flamengo. O caso é que nunca escapamos de uma coisa ou outra.

Enquanto isso...
...o coronavírus come o couro dos brasileiros. Não há mais espaço nas UTIs das grandes cidades e nem para a abertura de túmulos, nos cemitérios. Que barbaridade. E assim, com toda essa distração, o Brasil vai escalando o paredão do número de contaminações e óbitos. É bom os políticos estarem atentos, porque essa conta pode sair bem salgada no futuro. 

Declarações de Moro
Até o fechamento desta coluna, não havia vazado o teor do encontro do ex-ministro Sérgio Moro com a Polícia Federal, na manhã do sábado. A oitiva parece chaveada em cofre turco, com ferrolho travado. Segundo uma fonte, se algo vazar, vão para cima de uma seleta lista de quem presenciou ou de certa forma acompanhou o evento. Havia sim especulações, mas nada de novo além do que já sabemos, gravações em celulares, etc. Quem diria, de super-homem dos bolsonarista, Moro se converteu em vilão. Esse mundo dá mesmo voltas.

Gramadão
Do Brasil, para Foz do Iguaçu: alguém ligou para o Corvo informando que o Gramadão estava cheio de grupelhos de fumadores de narguilé no final de semana e isso tem ocorrido durante à noite, no decorrer da semana. Além do risco de contágio pelo covid-19, há quem dê um passo rumo às funerárias, porque esse tal de narguilé é um veneno! Se as casas de fumaça estão fechadas, não é justo transformarem as áreas públicas em ilhas de fumantes. Se fumam, não estão usando máscaras o que já é uma infração. 

Cadê as máscaras?
Não adianta, muitos iguaçuenses não estão dando bola para os alertas sanitários. Muitos andam livremente sem o uso de máscaras e isso parece até desafio às autoridades, que em contrapartida, nada fazem. Conversa não resolve, aplicar multa sim.