No Bico do Corvo
No calor

Corvo, eu não pego ônibus, mas estou seriamente pensando em usar o transporte público. Só achei que a questão do ar-condicionado tivesse sido resolvida. E não foi? Mas que barbaridade, hein? Digo isso porque fizeram a maior festa quando anunciaram a aquisição, o que teria sido um dos êxitos da intervenção. Mas se os ônibus foram adquiridos pelo consórcio, se estão entregues e pintados, inclusive, não deveriam estar servindo a população? Esses dias eu soube que uma pessoa desmaiou num trajeto, pensa? Se estamos na primavera, imagina como será o verão, e os ônibus um ano parados no pátio? Faça-se um favor... 
Leandro Silva

Lerdeza
Prezado Corvo, penso que este assunto dos ônibus com aparelhos de ar condicionado merece uma boa explicação para a população, pois certamente esqueceram o assunto em razão do inverno, mas com as ondas de calor todo mundo lembrou. Acompanhei o tema pelo jornal e televisão, e pelo que entendi os vereadores pediram mais explicações sobre o assunto, mas isso depois de tantos meses? Assim não dá, né Corvo?
Luiza Magalhães Theodoro

O Corvo responde: choveram cartas em forma de e-mails e comunicados nas redes sociais sobre o assunto. Respondendo aos leitores e demais interessados, o que acontece é a análise de um projeto de isenção para as empresas que investiram no equipamento, o que é perfeitamente legal, já que não há renúncia de receita. Segundo apuramos, os vereadores pediram para o Foztrans e as empresas explicarem mais detalhadamente como isso funcionaria, e o assunto se arrasta, com os ônibus tão sonhados pela população estacionados. E pensar que a cobrança de ônibus assim, com ar-condicionado, também era recorrente nos discursos dos nossos ilustres vereadores. 

Bola pra frente
Ontem, a Comissão Mista da Câmara emitiu parecer sobre isenção de ISS para ônibus com ar-condicionado. Mas o assunto segue em tramitação. O substitutivo ao Projeto de Lei Complementar 10/2019 recebeu parecer favorável. O documento deve ser lido hoje, logo o projeto ficará liberado para inclusão na pauta de votação da sessão seguinte, prevista para terça-feira da semana que vem. Tomara que alguém não morra assado até a aprovação da medida. 

Desconformidade
Quando a cidade resolveu embarcar na era dos "frescões", como são apelidados os veículos refrigerados, a prefeitura se municiou de pareceres e houve um acordo com as empresas. Fizeram festa, com direito a fotos da frota, comentários de políticos, elogios à iniciativa, e uma grande expectativa foi causada perante os usuários do transporte, mas até agora "nada". O assunto ainda tramita. E não é difícil explicar que ônibus parado envelhece mais rápido, custa dinheiro, requer manutenção. Se as pessoas que entendem de administração pública não sabem explicar a demora, vamos imaginar a confusão que isso está fazendo na cabeça do povo. 

Disponibilidade 
Para dar explicações, as empresas liberaram a garagem onde os ônibus estão, na revendedora Mercedes-Benz, com a finalidade de mostrar que os ônibus com ar-condicionado foram de fato adquiridos e que estão parados há meses à espera da aprovação da lei.

O Corvo explica
Mesmo com o parecer da Comissão Mista, o Corvo faz um pequeno retrospecto sobre o assunto: a prefeitura exigiu a melhoria, ou seja, ônibus com ar-condicionado, abrindo mão de impostos. Fez o que o mundo todo conhece como "subsídio". O imposto, no caso, não é objeto de concessão, mas está previsto na lei complementar para serviços de transporte coletivo municipal rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros. Existe parecer da PGM pela legalidade e também pareceres favoráveis da procuradoria da Câmara e do IBAM (Instituto Brasileiro de Administração Municipal) — e, ao que consta, isso não foi suficiente para os vereadores. 

Sustentação
A prefeitura, em sua argumentação, citou exemplos: "Transporte público gratuito é realidade em cidades de vários países". E a lista de cidades onde isso acontece não é pequena. Foz bem que poderia dar exemplo e mostrar que, além dos atrativos, possui cabeça, inteligência e que pensa na sua população. Subsídio é um avanço! 

Olha o prejuízo
Cada ônibus com "ar" custa R$ 56 mil a mais e tem um custo de manutenção mais alto em torno de R$ 4.360. Como a isenção é de aproximadamente R$ 122 mil por mês, levando em consideração o número de meses para o final do contrato, a exigência de 25 ônibus com ar-condicionado se compensaria; em outras palavras, pagaria-se. 

Comparativo
O Corvo recebeu informações importantes acerca da relação que há entre os ônibus com ar-condicionado e o investimento público. Com a isenção, o interesse público sairia num lucro maior que R$ 500 mil até terminar o prazo do contrato.  

Tempo nublado
Foz está parecendo-se muito com Londres nestes dias, descontando o calorão, obviamente. O céu está coberto por uma espécie de fog, como chamam a névoa produzida pela queima do carvão. Em Foz, é por causa das queimadas. A cidade ficou sem o horizonte verde, sem fim. Era um branco só. A televisão mostrou o efeito que isso faz no Sol e também na Lua, que ficam alaranjados. E pensar que respiramos esse "fog"! 

Democracia
Estes filhotes do Bolsonaro, hein? Tá certo que a democracia causa a lentidão, justamente porque as coisas são mais discutidas. Mesmo assim, ainda é bem melhor que o autoritarismo, no qual apenas um decide, sem a opinião da nação. Se a pessoa que decide resolver atirar-se num abismo, vai todo mundo pro buraco. Democracia ainda é a saída. 

CPMF
O deputado Rodrigo Maia disse que será difícil o assunto emplacar na Câmara Federal. É uma medida muito impopular, a de impostos sobre as transações financeiras. Mexe no bolso da população. Nem os alcaides dos filmes do Zorro ousaram cobrar um imposto assim.  

Terrorismo de novo? 
Se tem um assunto que enche o saquinho da população é essa mania de envolverem a cidade com grupos extremistas. E o que esses terroristas fariam aqui? Não viveriam de passar muamba na ponte, com certeza. Desde a explosão da AMIA, agentes secretos do mundo todo procuram terroristas e não encontram. Ou os terroristas são mais espertos? Taí um assunto que cansa. Mas é bom a Unila estudá-lo.

Fumaça e mosquito
Apareceu um maluco dizendo que a fumaça das queimadas ajuda a combater o mosquito da dengue. Só para o cabeção dele, porque o Ministério da Saúde está até antecipando a campanha de combate ao Aedes aegypti. Estima-se que o crescimento dos casos deve superar a casa do 600%. O certo é dizer: quem não morrer intoxicado vai levar picada do mosquito. 

É greve!
E para variar, os funcionários dos Correios entram em greve por tempo indeterminado. O movimento não faz um estrago nas correspondências, porque os meios eletrônicos são bem mais eficientes. A baixa acontece nas entregas das compras on-line. Os serviços privados de entrega terão resultados bem melhores no período. 

Reni no banco
Banco dos réus, diga-se. Em banco de guardar dinheiro, parece que faz tempo ele não aparece. Deve fazer as operações bancárias pela internet. Mas as audiências estão concorridas, como foi na de terça-feira. O ex-prefeito continua com aquela cara de maroto. 

Palavrões
As palavras de baixo calão nem são o maior problema na troca de mensagens entre os homens públicos com os empreiteiros e afins. Os erros de português sim. Como alguém pode exercer cargo de secretário ou diretor e não saber escrever? Pensa um requerimento, memorando, despacho... escrito com "oçê", "nóis vai", "tamo ino"... Por favor, isso não aparece nem nas faixas de torcida organizada de várzea. 

"Tamo junto"
Existe frase mais esdrúxula? No coloquial é até compreensível saber que essa excrescência é usada, coisa muito comum no linguajar político; agora, duro é alguém despedir-se assim e depois enfiar uma faca nas costas de para quem escreveu "tamo junto". Acontece.

 

Aquele abraço! 
O abraço apertado de hoje é para o amigo de longa, longa, longa, muito longa data, o Abel da Banca (como é conhecido). Ele dá a maior força para a Galerinha, e é lá no seu estabelecimento onde muitos papais e mamães levam as fotos dos filhotes, para serem publicadas na coluna. Obrigadão, amigo! As crianças também agradecem!