No Bico do Corvo
Moro pode se complicar

As declarações do ex-ministro e ex-juiz à Polícia Federal não acrescentaram quase nada, além daquilo que ele disse quando deixou o Ministério. Quem conhece da matéria acredita que há muita fragilidade de informações e que Moro, pode acabar respondendo por Denunciação Caluniosa. Se isso acontecer, provavelmente haverá muita crise de consciência, porque não faltaram conselhos para o homem continuar na magistratura e não aceitar o convite do presidente Bolsonaro.

Cala a boca!
Corvo, esse presidente é muito macho mesmo... com ele repórter não se cria. O homem manda calar a boca no ato! Antes essa rataiada deitava e rolava, mas parece que isso já era. Enfim, vamos voltar ao tempo do respeito e poder voltar a dizer: "você sabe com quem está falando?".
P.F.B (O leitor pediu para não publicar o nome)

O Corvo publica tudo o que enviam, mesmo notas assim, completamente fora da órbita razoável da convivência. "Cala a boca", é uma expressão muito dura em qualquer situação. Nem os pais dizem isso aos filhos. Com atitudes assim, Bolsonaro vai desencadeando uma onda de ranço e isso só aumenta a zona de atrito. A vida não é como numa brincadeira de criança, do tipo "siga o líder". Os simpatizantes seguem fervorosamente o ídolo e não se dão conta das consequências. E "rataiada", prezado leitor, é o ambiente de idiotas e pessoas que não sabem o peso da arbitrariedade, onde não vale a lei e nem a Justiça. O cidadão precisa fazer valer os seus direitos, mas sem sobrepor a Lei ou atacar os princípios da liberdade. Do jeito que vai, o Brasil corre o risco de se transformar na Gotham City, governada pelo Coringa.   

Particularmente
Este colunista tem um jeito bem diferente de encarar a situação, olhando para todos os lados. Difícil é suportar agressões e radicalismos. O caso é que ninguém contava com essa covid-19 atropelando o mundo. Bolsonaro atua como sempre anunciou, na direita-radical; por isso age desta forma, o que é bem característico dos líderes autoritários. Quem tem cabeça, supera esse ódio com um pé nas costas, é só não dar bola para ele. Nosso ilustre presidente sabe que isso tem limite e descobriu que não poderá contar com as Forças Armadas em caso de um enfrentamento políticos mais arrojado. O Congresso por sua vez, demonstrou não dar muita bola para os arranca-rabos, porque os membros se dividem entre o ideológico e os benefícios governamentais; o STF vai trabalhar os processos que lá chegarem, independentemente da pressão da imprensa, ofendida com o jogo de palavras. No meio dessa rebordosa, mais de 8 mil brasileiros foram morar no além e outros milhares enfrentarão o mesmo destino. Quem dorme com isso? Se Bolsonaro maneirar, desmontará a discussão e é isso que deveria fazer. O coronavírus, deveria ser o único inimigo do governo pelo momento. A história nos ensinou, que em tempos de guerra o ideal é não abrir muitas frentes de combate. Quem fez isso acabou de quatro. 

A imagem
O fato é que Bolsonaro, em momento assim, poderia se converter no maior líder político da história, mas preferiu agir diferente, se preocupando com os processos que afetam a sua família. Escolheu errado. Enquanto o Brasil demonstra seu poderio empresarial e financeiro, na luta contra uma pandemia, o governo perde tempo com picuinhas. É difícil saber se ainda há tempo para retroceder; em tese, bastaria o presidente seguir adiante e não parar no portão da sua casa, para ofender e ser ofendido; deveria contemporizar e não radicalizar, diminuir a zona de atrito, e, não aumentar. Entrou no jogo do desgaste, um lugar muito difícil de sair. 

Radicalismo
Francamente, é muito difícil discernir qual é o ser humano pior: o radical de esquerda, que vilipendia o bem público, reclamando terra que não sabe usar e por isso vai vendê-la depois, que culpa o imperialismo capitalista, sem saber o que é; que venera Che Guevara sem saber quem foi, ou o radical de direita, que ergue bandeira de outros países, clama o autoritarismo, prefere a censura e chama servidores públicos de fedidos, porque protestam por mais segurança. Nos dois casos, há um enorme desrespeito pela Constituição e um excesso de confiança abaixo, da linha da imbecilidade. Francamente as brigas de torcidas conseguem ser menos vexaminosas.   

Interferência
O Brasil lida com este dilema: quem manda? O executivo tem sido questionado em nomeações, atos e providências que antes eram normais. O presidente tinha o poder de escolha, sem tantas encrencas. O que será que mudou? Em verdade um está interferindo na vida do outro. Vai ver é síndrome de pandemia. 

Caso da canoa
As informações são obscuras. Parece haver um jogo de empurra entre brasileiros e paraguaios nas redes sociais. Segundo uma fonte, haveria mais gente na embarcação naufragada. O número divulgado, 12 pessoas, seria a capacidade de transporte da embarcação, mas haveria o dobro de "passageiros". 

Controvérsia 
O acidente no Rio Paraná ocorreu por volta das 19h30, ou um pouco mais tarde, com tolerância máxima de 30 minutos. Estava escuro, portanto. Segundo uma testemunha, que estava na canoa, o "transporte" tombou em razão de marola, causada por uma lancha grande. Há quem garanta que foi um barco da marinha paraguaia. 

Quem foi?
Após o acidente, espalharam que ele foi causado por uma lancha da Polícia Federal brasileira, mas publicaram desmentido em nota. Acontece, que segundo informações, o presidente do Paraguai visitou a base naval de CDE naquele mesmo dia e disse que as travessias eram intoleráveis. De qualquer forma, é difícil acreditar que uma embarcação oficial, causaria danos em gente de seu país. Independentemente de brasileiros ou paraguaios, seria difícil imaginar que um barco pequeno estaria fazendo travessia. O que houve, certamente, foi um acidente. O estranho é ninguém assumir.  

La nave vá
Não é a primeira vez que ocorre acidente, naufrágio e afogamentos no Rio Paraná devido a imprudência. E fatos lamentáveis assim dificilmente deixarão de ocorrer, porque é muito difícil fiscalizar. Combater o contrabando e a travesso ilegal é uma meta das autoridades. Bom, não será de estranham caso descubram submarinos levando gente, como já aconteceu no contrabando de cigarros. 

Teimosia
Corvo, é difícil os idosos entenderem que fazem parte da faixa de risco. Não precisamos ver televisão para saber disso. Em Foz do Iguaçu há uma porção de vovôs e vovós zanzando por todos os lados. Basta ir ao supermercado para ver que isso acontece sem muita cerimônia. Quando será, vão levar o coronavírus à sério? 
Marlene J. Lantes

O Corvo responde: isso é verdade, mas o fato é que os idosos lidam ao seu modo, porque não sabem usar, por exemplo, um celular para o pagamento de uma conta; não possuem hábito na utilização de serviços de entrega e, sem a ajuda dos filhos ou pessoas próximas, simplesmente levam a vida normalmente, mas isso é por necessidade.  

Gripezinha
Impressionante não é Corvo, as pessoas falam as coisas e não sabem direito o que dizem. Basta alguém morrer, que logo aparece um parente lamentando e dizendo para as pessoas se cuidarem, porque o covid-19 não é uma "gripezinha", um "resfriadinho". Será que não há outra maneira de recomendarem as precauções? 
Paulo R. Simão

O Corvo responde: primeiramente devemos respeitar a dor de quem perde um parente, e como diria o Odorico Paraguaçu, "segundamente", dizem isso, rebatendo o pouco caso que o presidente Bolsonaro fez, perante a pandemia. É para ver o risco que há em se abrir a boca publicamente, sem antes pensar. O fato é que o coronavírus ou Covod-19 é mortal, em quem possui males pré-existentes ou em quem não possui absolutamente nada. Morrem idosos, jovens e até crianças. O certo é manter as regras de isolamento, distanciamento social e atender as recomendações da ciência. 

CPI da Saúde
O pau vai torar quando começarem a discutir para valer muitos dos assuntos que envolvem denúncias em épocas de pandemia. Na sessão do ontem a vereadora Anice Gazzaoui disse que vai à Justiça denunciar retaliações que "irá sofrer", ao encabeçar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar possíveis irregularidades nos gastos da Secretaria de Saúde de Foz do Iguaçu. Se a vereadora prevê o futuro, podia passar os números da mega-sena para o Corvo.

Resistência
As pessoas estão começando a levar mais à sério a necessidade de usar máscaras, luvas, álcool em gel e o que mais é indicado para se proteger dos covid-19; mas há quem não tenha assimilado as mensagens e acaba batendo boca até com a polícia. De outra maneira, muitos profissionais na área da construção civil, trabalham em locais abertos e não atendem as recomendações. O Corvo soube de uma vistoria em obra, onde as máscaras foram distribuídas, mas no dia seguinte ninguém mais às usava. Em alguns comércios, os proprietários não se importam em atender pessoas desprotegidas e isso também acontecem em ônibus. Neste caso, o Corvo vai fazer uma pausa para publicar uma foto postada nas redes sociais. Tem gente usando a máscara errada.