No Bico do Corvo
Maio

Amanhã entraremos no mês de maio. Muitas pessoas enviam comunicações para este colunista relatando que o ano está voando, sobretudo em razão da pandemia. E está mesmo, a jato; os dias passam como se fossem horas e ainda não conseguimos ver a tão esperada luz no túnel. Pelo contrário, o Brasil se afunda em contaminações e mortes. Este colunista é o mais otimista entre os mortais, mas não pode tirar os pés do chão. Ligar o televisor está se tornando um processo difícil, sobretudo com a chuva de lamentações e imagens terríveis, da falta de preparo ao atendimento; o sacrifício dos médicos, enfermeiros, atendentes, motoristas de ambulâncias, o povo da linha de frente. É pior que uma guerra, porque em conflito armado, médios e enfermeiros não são atacados tão covardemente. No combate ao coronavírus, os soldados, a linha de frente, é formada pelos profissionais de saúde e o número de baixas parece ser acima da média. 

Morte e máscaras
No Paraná é obrigatório o uso de máscaras e muita gente ainda não entendeu isso. Há quem discuta e até brigue, como aconteceu em Curitiba, tragicamente. O fato é que as pessoas acreditam não precisar do aparato. Infelizmente muitos pensam assim, ignorando o potencial de contaminação do covid-19. Quem não se protege, fatalmente corre o risco de parar na fila dos hospitais e do jeito que vai, logo não haverá vagas, a exemplo do que acontece em muitas cidades. 

Raiva que dá
E a gente se aparamenta para sair de casa. Este Corvo, por exemplo, além da máscara, usa luvas, carrega álcool em gel, lenços descartáveis, mantém distância, enfim, faz a lição de casa, no entanto, dá de cara com um grande número de pessoas que fazem tudo errado. Dá vontade de chamar a polícia! 

Mais que a China
Quem não liga para uma situação dessas? O Brasil está escalando a lista dos países mais afetados pelo covid-19. O tamanho dessa tragédia, é levar em conta, que a China possui cerca de 7 vezes mais habitantes que o Brasil e ficou para trás em número de mortos e infectados. 

E eu com isso? 
Francamente, senhor Corvo, é a frase que falta a gente ouvir do presidente: "o que eu tenho com isso?". Ou será que já não ouvimos? "E daí?", para muitos, beira o ápice da indiferença. #fechaABocaBolsonaro, e, governa. Que mania esse homem tem que arranjar atrito, immmmmmpressionanteeeeeeee!
Matheus Guilherme J. França

O Corvo responde: prezado leitor, como o presidente diz, "tudo é liberdade de expressão". Bom mesmo seria ele começar a avaliar se essa liberdade mexe com o eleitorado. Nunca, na história, tivemos alguém assim no comando da nação, que falasse pelos cotovelos, joelhos e outras partes do corpo, além da boca. Está mesmo na hora de passar um zíper na tramela. 

Alexandre Ramagem
Enviaram nota para este colunista, informando que o delegado Alexandre Ramagem trabalhou em Foz do Iguaçu. Isso não é verdade. Ele pode ter visitado a cidade, ou participado de alguma reunião, mas trabalhar, esquentando a cadeira na fronteira, ao que consta isso nunca aconteceu. E no mais, o Corvo não vai entrar na discussão sobre a qualidade do delegado, se ele é bom, competente, cumpridor de suas funções. Isso são outros quinhentos. Bom, ao que parece o xará Alexandre Moraes atrapalhou os planos do Ramagem, se bem que isso estava mais por conta do presidente Bolsonaro.  

André Almeida Mendonça
Segundo informaram ao Corvo, o novo ministro da Justiça é um cara muito competente, estudioso, conhecedor da matéria. Se comparado com Sérgio Moro, numa avaliação de currículo, por exemplo, Mendonça estaria muito à frente. E ao que indica, será ele o ministro "terrivelmente evangélico" que o Bolsonaro tanto quer no STF.

Estado laico
É no mínimo estranho uma exaltação assim, de haver um ministro "evangélico" ou católico, judeu, isso não deve influenciar as decisões, o que importa é o conhecimento legal. Não se escolhe pessoas para cargos públicos por causa da religião, time ao qual torce, isso não dá certo. 

Los amigos
Corvo, alguém acredita que um político não vai colocar conhecidos ou amigos do seu lado? Acorda Alice! É assim que funciona, quem chega ao poder, leva junto os correligionários, as composições e os amigos. Ninguém dá cargo à "desconhecido", porque isso é receita para levar bola nas costas. O cara vai com tudo buscar uma eleição, leva até facada e depois vai ficar longe dos conhecidos. Isso não existe. 
Flávio B. F. Braz 

O Corvo responde: o que está em discussão, é a independência das instituições, como é o caso da Polícia Federal. Sem interferência política, há mais justiça. E há o ditado, "quem não deve, não teme". Delegados, diretores da PF, cresceram na instituição pela carreira e é por isso que ela funciona.    

Tudo suspenso
As pontes continuarão fechadas, até porque argentinos e paraguaios temem o que pode ocorrer no Brasil. Aparentemente a situação está sob controle nos dois países. Argentina, Paraguai, Uruguai, se somarem os mortos pelo covid-19, não ultrapassam as mortes de um único dia, no Brasil. Que diferença. 

Atividades caseiras
Fazer pão não está sendo o único aprendizado de quarentena. Há marmanjo brigando com as agulhas de tricô, máquina de costura e afazeres inimagináveis, como assentar tijolos no fundo do quintal.  Há sempre espaço para aprender!

O que será, que será?
Se alguém aparecer fazendo previsões sobre o resultado do covid-19, desconfie. Depois das declarações do Ministro da Saúde, informando que a situação é "delicada", as projeções não são em nada boas. O Corvo não é arauto da desgraça, apenas conhece um pouco a vida e o jeito dos brasileiros. Que barbaridade.  

Puerto Iguazú agoniza
Nossos vizinhos experimentam ou pouco de como é viver sem os brasileiros. No entanto, a saudade do bife de chourizo anda matando mais gente que o covid-19 em Foz. E é o tipo de situação que os donos de restaurante daqui não podem comemorar; todos amargam a falta de comensais. 

Ciudad del Este se organiza
Pior a situação impossível, mas acreditem, os paraguaios aproveitam o fechamento da fronteira, organizando os negócios. Sabem que quando ela abrir, será necessário oferecer demanda de produtos. Alguém contou para o Corvo, que haverá uma mega liquidação em CDE. 
 
Feirinha desancada
O movimento nas feirinhas da cidade não é muito diferente de outros tempos. O que não há, é uma variedade interessante de produtos. Pode ser, por isso, alguns quiosques nem abriram. 

Padarias em baixa
O ramo do panifício anda arisco. Os padeiros não estão gostando da concorrência, afinal de contas, fazer pão virou uma mania nacional. Até o Corvo aprendeu a sovar a massa.