No Bico do Corvo
Irresponsabilidade

Muita gente não está levando a sério o Covid-19. Em verdade, acreditam que é uma “gripezinha”. Essa consciência deve mudar. Na tarde da terça-feira, o Corvo deu uma voada pela cidade e chegou a bater um frio na espinha com o que viu e está acontecendo: gente para todos os lados, independentemente de formarem ou não aglomerações. Há muita falta de bom senso e de responsabilidade.

Centenas...
...apenas no trecho entre a saída para a Argentina, até as imediações da Churrascaria Rafain, na Avenida das Cataratas, este colunista contabilizou 243 pessoas caminhando livremente, com bicicletas e animais de estimação. Havia inclusive gente a cavalo. Detalhe, não havia um único mortal usando máscara, o que nem é uma exigência, o caso é que muitos formavam grupos. O movimento também era intenso na Av. Felipe Wandscheer, onde havia até academias abertas, o que contraria o decreto da prefeita.

Sem entendimento
Algumas pessoas não se esforçam muito na assimilação das informações. Formam a opinião pela foto, manchete ou naquilo que dizem. Ler se aprofundar é uma maneira de ficar por dentro da realidade e não “pagar mico” nas discussões em redes sociais. Há várias situações em que a opinião se formou diante da mais “puríssima ignorância”.

Esclarecimento
O Corvo escreve sobre o poder de assimilação das notícias com liberdade e propriedade. Um leitor (que pediu para não ter o nome revelado) questionou o seguinte: “um dia o prefeito Chico decreta ‘Calamidade Pública’ e no outro, ele vai à ACIFI, debater ‘a reabertura gradual do comércio’. Se o decreto, em acordo com a OMS, Ministério da Saúde e coisa e tal, reza que as pessoas devem permanecer e suas casas, como forma de achatar a curva epidêmica, como falar, neste momento, em reabrir o comércio? Explica Corvo, porque isso está escrito no seu jornal”. O leitor, em verdade, não leu as matérias. A reunião entre o prefeito e a ACIFI, faz parte de um planejamento, vislumbrando os resultados dos testes. E mesmo eles trazendo dados satisfatórios, é cedo para relaxar nas medidas.

Ficar em casa
O prefeito Chico não mudou sua posição e faz valer o decreto. Isso não quer dizer, que não vá conversar com os setores produtivos, como forma de organização. A principal regra é diminuir ao máximo a circulação de pessoas, única maneira de controlar a disseminação do vírus, pelo menos até o achatamento da curva no índice de contágios. Por enquanto, o que se vê, é uma situação muito preocupante. O Corvo publica um gráfico da Folha de São Paulo, realizado mediante os dados oferecidos pelas secretarias de Saúde dos Estados, e pela OMS e a evolução da doença no Brasil é grave.

Evolução
No gráfico em questão (ver ilustração), com dados atualizados do Covid-19 em todo o mundo, o Brasil (31/04) contou 5.717 infectados, no 34º dia de pandemia. Isso não aparece no gráfico, mas no mesmo período, a Itália tinha 3.585 doentes e os Estados Unidos, apenas 51. Respectivamente, a Itália está no 61º dia de pandemia e registra 105.792 infectados, enquanto os EUA, no 70º dia, apresentam 188.172 mil doentes. Isso está apavorando as autoridades brasileiras. Se na proporção, o número de casos acelerar em nosso país, teremos números bem maiores no comparativo.

 

 

As mortes
O gráfico de mortes confirmadas é terrível. Enquanto no Brasil, no 34º dia de pandemia morreram 201 infectados, a Itália, no mesmo período havia perdido 148 e os Estado Unidos não haviam registraram óbitos. Acontece que no 61º dia de luta contra a pandemia, morreram 12.428 pessoas na Itália e no 70º dia de pandemia nos EUA, registraram 3.873 mortes. Com esses frequentes desrespeitos às recomendações dos órgãos de saúde, infelizmente a realidade é que faltarão cemitério em nosso país. As pessoas precisam cair na real.

Impaciência
Outra discussão meio que insana nas redes sociais, é a reclamação da não divulgação de casos curados. Questionam, por exemplo, por que o governo de Foz, não divulga quantos já “sararam”, entre os 13 que foram anunciados como infectados? Na cabeça de algumas pessoas, os governos não querem administrar a situação pelo lado bom, e por isso, divulgam apenas notícias ruins, o que ajudaria em seus propósitos de administrarem a “calamidade”. Isso é um pensamento torpe e a culpa, para variar, é do presidente Bolsonaro. Ele é que apareceu com esse tipo de questionamento. A resposta é bem simples: como o vírus é “novo” e a ciência ainda não sabe o comportamento dele após a quarentena, não é possível afirmar que as pessoas “sararam” ou estão “curadas”. A condição dos doentes que não morreram ou sobreviveram mesmo depois do quadro agravado, ainda é “assintomática”. Infelizmente é cedo para se falar em cura. Ontem a Fiocruz expediu uma boa notícia: a curva de internações por doenças respiratórias desacelerou no Brasil. Mas isso não quer dizer que vamos fraquejar nas regras.

E o Bolsonaro?
O presidente deu uma arredondada pública no discurso e acabou concordando com os órgãos de Saúde, claro, não deixando de externar a preocupação com a economia e a manutenção dos empregos. Até Rede Globo fez um “elogiozinho” na postura do Bolsonaro, mas não demorou muito, ele voltou a cair de pau nos governadores e as medidas de isolamento.

Bonés em Apucarana
Economia de guerra é assim, a indústria se adapta ao esforço. Em Apucarana, além de costurarem bonés, parte das máquinas estão produzindo máscaras e aventais cirúrgicos. Uma fábrica de balões para festas passou a emborrachar milhares de luvas por dia.

#ChegaDeMicoBolsonaro
Os mais chegados estão propondo uma hashtag para o Bolsonaro parar de fiascar um dia atrás do outo. Depois de um discurso que agradou até a Regina Duarte, ele levou bola nas costas de “simpatizante” e acabou postando um vídeo fake e claro, retirou rapidinho. Na mensagem um centro de abastecimento aparecia vazio, o que foi desmentido até pelo administrador. Se há uma coisa funcionando na crise é a tarefa dos caminhoneiros, nossos heróis da vez! Os brasileiros terão que erguer estátuas para os profissionais das estradas, motoqueiros, farmacêuticos, e o povo dos hospitais. Eles merecem!

Toque de recolher
Com o “Estado Nacional de Calamidade”, muitas prefeituras estão implantando o “toque de recolher”. Os mais velhos conhecem bem como isso funciona. Todo lava os pés e vai dormir mais cedo. Após 22 horas nem cachorro sai para mijar no poste.

Isso não para...
...o vírus se espalha e nem assim os políticos aquietam os ânimos. Vereadores mudam de partidos, outros se filiam depois de tempos longe de agremiações, e, surgem candidatos à prefeitura, se é que as eleições não serão adiadas. No Legislativo de Foz, não haverá circulação na instituição até o dia 12 de abril, isso vale inclusive para os mosquitos da dengue. Ontem havia um pessoal borrifando veneno no jardim.

Teleconferência
A Câmara de Foz entra no rol das reuniões pelos aplicativos. A primeira reunião será hoje. Um passarinho contou para o Corvo que foi difícil alguns vereadores pegarem o jeito de sintonizar as câmeras. Numa rodada teste, metade apareceu de ponta-cabeça.

PDT esvaziado
Contaram para o Corvo, que depois do Paulo Mac Donald, é a vereadora Nanci Rafagnin Andreola quem deixou o partido. Para onde ela foi, o Corvo nem quis pesquisar pelo momento, porque estava em cima do laço de entregar a coluna. Uma coisa é certa, o PDT já pode até fazer reuniões que ninguém vai correr o risco de pegar Covid-19, porque dificilmente juntará gente suficiente para o vírus infectar.

Enfim o cargo de presidente!
Um membro do partido sonhava tanto em assumir a presidência, que esse dia está para chegar. O problema é que ele poderá até presidir o partido, o caso é arranjar pelo menos meia dúzia de filiados para posar numa foto. 

 

Seo Mac

Contaram para o Corvo que o ex-prefeito se auto decretou uma prisão domiciliar. Não sai nem para pegar o jornal na portaria; puxa até o andar onde mora por meio de um barbante. Ele está lendo um livro a cada dois dias, porque entre um e outro, faz ginástica, frita ovos e ultimamente aprende receita de bolos. Cuida para não engordar Mac.

Panorama
O Corvo virou um perito em serviços domésticos, já pintou paredes, as grades do portão, podou as plantas do jardim, carpiu o lote, recolheu folhas, arrumou a casinha do cachorro, estancou a goteira na pia, ajeitou uma fiação elétrica que soltava faíscas e para variar, levou até um choque. Quando a pandemia acabar, a economia será grade com os “maridos de aluguel” e o pessoal que presta esse tipo de serviço. Mas aqui e ali, o serviço dava uma emperrada, porque faltavam pregos, parafusos, tinta, fita isolante, coisa que não acontecerá mais, porque a Panorama colocará atendimento delivery. As obras não param na toca do Corvo!