No Bico do Corvo
É hoje!

O povo aparentemente está feliz, porque o comércio voltará a funcionar. O que falta é a população desembestar pelas ruas, sem proteção e isso fazer aumentar as estatísticas de Covid-19. O Chico disse que fecha tudo de novo, se isso acontecer.

E agora?
Seo Corvo, veja, raciocine comigo: o comércio estava fechado e as pessoas em casa. Tá certo que isso causava muitos incômodos e empresas estavam declarando a quebradeira, mesmo com a ajuda do governo. Agora, vão abrir as portas, vão gastar luz, água, precisarão pagar os funcionários e os que pediram ajuda, não poderão voltar, do contrário, perderão os benefícios. Pois bem, tudo isso pode acontecer, mas e se não houver movimento, com as pessoas mantendo o distanciamento social, trancadas, com medo do covid-19? Isso não vai acabar saindo mais caro? Eu não saio na rua nem amarrado. 
Paulo R. Fonseca

O Corvo responde: prezado, temos aí uma incógnita. A ACIFI, cumpriu o seu papel, de atender os associados; a prefeitura entende que se as pessoas se cuidarem, é possível controlar a contaminação, mas em verdade, ninguém sabe o que virá, porque as cidades brasileiras ainda não alcançaram o cume da curva de infestação. Isso, fique em casa, se proteja, respeite as recomendações. Quem fizer isso, pode escapar do vírus grudento.

Infestação
Corvo, eu votei no Bolsonaro e francamente, não ligo para a maneira dele agir em certas circunstâncias. Mas esses dias ele falou algo que me preocupou, que 70% da população vai ser contaminada pelo Covid-19. Isso é possível? Tenho 76 anos e não quero pegar essa doença, porque se eu for contaminado, é certo que irei ver Jesus! Você acredita nisso?
Maílson José F. Duarte

O Corvo responde: o presidente citou uma informação da ciência, de que boa parte da população mundial poderá ser contagiada pelo novo coronavírus, mas isso não quer dizer que acontecerá no período da pandemia. Chegará o momento, em que o Covid-19 se manifestará de modo comum, como as gripes, mas acredita-se que até lá, haverá vacina ou formas de proteger a população. Proteja-se, fique em casa, use máscara, lave as mãos e atenda os preceitos para evitar a contaminação. Pegar a doença agora, pode ser um problemão.
 

Hospitais x hotéis
O Corvo fez uma rápida pesquisa e pode afirmar que Foz tomou a decisão certa ao “reservar” quartos de hotéis para a recuperação de confirmados com o covid-19. O governo conta com 1.500 leitos, mas não quer dizer que todos serão usados. Pelo contrário, isso acontecerá de acordo com a necessidade de ocupação. Podem ser 10 leitos, 100, 200 e se a coisa pior, a capacidade pode ser aumentada para até 1.500 ocupações. Um hospital de campanha, com dimensões assim, custaria de 15 a 25 milhões e essa estrutura depois seria desmontada. Como Foz conta com a rede hoteleira ociosa, vazia, ocupar os espaços é bem mais econômico. Uma diária, numa estrutura para os contaminados, deverá ser custeada pelo município ao valor aproximado de R$ 80,00, incluindo alimentação e roupas lavadas. O que falta o Corvo saber, é que tipo de equipamentos utilizarão em casos mais graves. Provavelmente isso acontecerá nas unidades hospitalares especiais.   

Será?
Será que as pessoas que pedem a volta do AI-5, sabem o que ele significou? Será que se dão ao trabalho de pesquisar, para não pagarem tantos micos? É ridículo ver cartazes e placas pedindo a “volta” do Ato Institucional número 5, até porque, simplesmente, isso não tem volta. Para começo de conversa, se Bolsonaro atendesse ao pedido dos manifestantes, teria que editar um AI-18, jamais vigoraria uma medida de 52 anos. Impressionante como as pessoas arquitetam retrocessos. 

O que é isso?
O Corvo topou, na porta do supermercado, com uma pessoa vestida de verde-amarelo, carregando uma faixa enrolada. Para se exibir, o cidadão a abriu e lá constavam as asneiras de clamar pelo “AI-5, fechamento da Suprema Corte e do Congresso Nacional”. Este colunista perguntou ao indivíduo se sabia o que era aquilo e ele disse: “medidas assim tornarão o país mais justo, livre, sem corruptos, com mais segurança e devolverá os nossos direitos”. O rapaz nasceu 23 anos após a assinatura do AI-5 e depois da definição que ele fez, o Corvo procurou um poço para se atirar. Aqui vai outro “será”, outra pergunta: Será que estamos formando uma legião tão grande de ignorantes? A pessoa em questão, para formar uma opinião assim, não se deu ao trabalho de pesquisar a história, uma coisa tão simples; basta um click de computador ou no celular.   

Os Atos Institucionais 
Vamos ocupar um pequeno espaço da coluna, para voltar ao tempo e lembrar as ocorrências dos anos 60, Os AI’s foram editados pelo Poder Executivo entre 1964 a 1969, vale ressaltar, tais medidas sobrepunham outras, incluindo a Constituição. Os “Atos Institucionais” permitiram poderes “extra constitucionais” e foram ao todo 17, com 104 complementações. O AI-5, é comumente lembrado, por ter sido o mais duro de todos. Os atos, modificaram a Constituição de 1946.

O AI-5
O Ato Institucional nº 5, foi assinado pelo Presidente Costa e Silva, em de 13/12/68. A emenda: “Suspende a garantia do habeas corpus para determinados crimes; dispõe sobre os poderes do Presidente da República de decretar: estado de sítio, nos casos previstos na Constituição Federal de 1967; intervenção federal, sem os limites constitucionais; suspensão de direitos políticos e restrição ao exercício de qualquer direito público ou privado; cassação de mandatos eletivos; recesso do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas e das Câmaras de Vereadores; exclui da apreciação judicial atos praticados de acordo com suas normas e Atos Complementares decorrentes; e dá outras providências”. Em outras palavras, encerra o que conhecemos como “Democracia”. E também acaba com a República. Quem vai querer viver em circunstâncias assim? 

Bolsonaro
Depois de participar da fatídica manifestação em frente um quartel em Brasília, políticos, ministros e até mesmo militares, arrancaram tiras de couro das costas do Bolsonaro, tanto que ele fez questão de mudar o tom e chegou a “meter a boca” num simpatizante, enquanto concedia uma entrevista. Francamente, se o presidente da República revigorar um Ato Institucional, ele será usado contra esse surto de imbecilidade coletiva. Se o AI-5 nasceu com o propósito de combater a “subversão”, todas as pessoas que hoje pedem a sua volta, seria simplesmente subversivas ante o sistema.  

Discussão
Depois do discurso que o manifestante fez no supermercado, dois idosos, que nem poderiam estar lá dialogaram: “com o AI-5 os políticos iam roubar menos, e não haveria tantos crimes”; o outro perguntou: “que políticos? Não eles nem existiriam mais, e acabar com o crime, no Brasil? Acorda! A bandeira do Bolsonaro era fazer isso, no entanto, até agora não vi resultado, e, votei nele”. Um estado autocrático, nos dias de hoje, seria o “balacobaco”, o país caminharia mais para uma anarquia do que outra coisa. A ditadura é algo que devemos abolir. 

Caça no PNI
Que barbaridade hein? Os caçadores arranjaram um jeito de curtir a quarentena, matando a bicharada na reserva florestal. Porque será, alguém assim não vira chiclete de onça de um vez não é? É difícil acabar com essa cultura da caça e pesca predadora.

Tiros ao alto
Corvo, as pessoas estão em casa e parece não saberem mais o que fazer para matar o tempo. Um vizinho deu de praticar tiro ao alvo, pelo jeito. Dá uns tiros pra cima e o chumbo volta e cai em cima do meu telhado. Já avisei que vou chamar a polícia. Na casa do outro lado da rua, os piás ligam o volume do rádio no último e é aquele tuc-tuc-tuc o dia todo. Antes só acontecia nos final de semana, isso agora é cotidiano. E para finalizar, tem um cara que todos os dias, vai chorar lá no portão, para cortar a grama. Tá difícil. E tem mais, a turma sai por aí sem máscaras e duvido que usam álcool gel. Isso é só para acender a churrasqueira. 
Paula A. F. Brandazzi

O Corvo responde: prezada, arranjar o que fazer tem sido uma tarefa um tanto difícil para algumas pessoas. Não sabem manter uma rotina longe do trabalho, por isso ficam de arte, inventando situações perigosas. Sobre os tiros, chame a polícia. Isso é muito perigoso. 

Caminhada
Corvo, ontem era feriado e ninguém sequer ligou o fato da Inconfidência, que levou o Tiradentes à força. E pode ser, hoje as pessoas nem lembrarão a descoberta desse nosso Brasilzão dos índios e de Deus. Mas mudando de assunto, ontem passei pela Avenida das Cataratas e era uma festa que só... com pessoas descendo e subindo, como você bem lembrou corvo. E não vi nenhuma fiscalização. Essa gente parece não acreditar na letalidade da doença. 
Mano Rafael J. Silva

O Corvo responde: o Corvo lembrou Tiradentes e hoje o Pedroca Álvares Cabral. Equipes da prefeitura estão fazendo um trabalho de conscientização em ruas, avenidas, praças, obras e por onde há alguém desprotegido. Contaram para o Corvo que levam máscaras e em alguns casos distribuem.