No Bico do Corvo
Dia da Mentira

Mesmo com a crise, o humor do brasileiro continua em alta.  A quantidade de sarrinhos sobre o 1º de abril não é pequena.  Alguns casos, as brincadeiras são perigosas e inspiram notícias falsas. Não há nada mais velho que as pegadinhas nesta data, e mesmo assim, muita gente cai. Bem que poderiam mudar o nome para Dia da Fake News. 

Dia da Verdade
O que o brasileiro mais precisa neste momento é “verdade” porque em caso contrário, as pessoas correm riscos. Ontem alguém enviou uma receita para a “cura” do coronavírus: os interessados devem ir até um milharal, roubar uma espiga, porque o remédio só vai funcionar se ela for “roubada”; depois devem ralar até chegar ao sabugo e cozinhá-lo por três horas, acrescentando casca de ipê roxo. A dica pede ainda para deixar fermentar por três dias e depois beber com “canudinho”, assim a poção será melhor administrada. Pode isso? E a quem acredite. Pessoas que se dedicam a invenções sim deveriam usar o sabugo de outro jeito, sentando nele, por exemplo. Por favor? É muita safadeza, que barbaridade!    

A verdade no futuro
Assistindo aos telejornais, é possível imaginar o que vem por aí, após a crise do covid-19, quando começarem a revirar os gastos com os decretos de calamidade. Este colunista não se refere apenas à Foz do Iguaçu, mas ao que acontece em muitas cidades, estados e até mesmo no governo federal. Há quem se preocupe com os gastos, apenas para causar desgaste político e não para economizar o dinheiro público. Tem gente colecionando cotações para depois leva-las aos Ministério Público, virtualmente condenando administradores. Quem obstruiu os portais de transparência corre o risco de enfrentar problemas, porque o mercado é sacana e alguns setores aproveitam a crise para abusar nos preços. Alguns produtos essenciais subiram 300%. Bom, quem pratica esse tipo de sacanagem irá, com certeza, arder no mármore do capeta, porque coisa desse feitio merece castigo infernal. 

Remédios que somem
E as prateleiras das farmácias não estão esvaziando apenas em decorrência daquilo inventado sobre alguns medicamentos, ou no milagre da cura. Remédios estão em falta, porque em abril, os laboratórios reajustam os preços, e, esperam os estoques acabarem para providenciar a reposição, o que beira à maldade. Os donos de estabelecimentos e farmacêuticos não sabem o que explicar para a clientela, pessoas que atendem o tempo todo. Pensa um paciente ficar dias e até semanas sem o medicamento, porque o laboratório quer lucrar? Isso é coisa séria. A Anvisa deveria ficar de olho em questões assim, já que é uma agência reguladora do setor. 

Desabafo
Corvo, sou professora universitária aposentada, 73 anos, e, Graças a Deus, tenho três filhos e nove netos, todos saudáveis e bem protegidos. Te digo, que uns netinhos são mais apegados que outros e me sinto como uma pata velha, sempre querendo colocar os que mais choramingam, embaixo das minhas velhas asas; sei que são acaloradas e dão conforto. Mas agora lidamos com esse impasse e não sei quem sofre mais, se os netinhos ou a vovó, no caso eu. Imagina eu aqui em casa, sozinha e eles espalhados em vários locais, cidades e países? Francamente falar por celular, seja por áudio ou vídeo, não é o suficiente, a saudade corta “como aço de navalha”. Mas tenho que ser dura, do tipo empedrar o coração e ao mesmo tempo, passar isso para as minhas amigas, em situação similar: a tristeza pela distância. Onde fomos chegar? Tomara isso passe senhor Corvo. Ontem recebi um recadinho de uma neta, que me fez tomar remédio de tanto que chorei. Eu aqui preocupada com ela, mas não avaliava o quando ela é que estava preocupada comigo. A vida nos prega essas peças não é Corvo? 
Maria Conceição V. G Lisboa

O Corvo responde: professora, além dos seus netinhos, há centenas e possivelmente milhares de pessoas que lhe admiram, ainda mais ao expressar o sentimento tão docemente, o que parece ser incompatível com a situação atual. Mas a sua postura é encorajadora. As pessoas precisam esperar isso passar. Tudo vai dar certo. É inevitável escrever, que é das coisas ruins, que tiramos as boas: as pessoas estão mais sensíveis e apesar da distância, mais próximas do que nunca

Bolsonaro esperto
Corvo, viu essa do nosso presidente? Suprimiu um trecho da fala do presidente da OMS e disse que até ele concordava com a volta dos informais ao trabalho? Claro que isso virou escândalo né? Mas será que ele não imaginou que alguém iria verificar a fala integral da autoridade mundial em saúde? Olha, no fim eu acabo achando é graça. Porque nessa vida de confinamento, ligo a televisão e fico esperando alguma faceta nova do nosso líder! O homem não sossega mesmo seo Corvo!
Mário S. A. Benevides 

Situação e oposição
Corvo você escreveu algo que me fez pensar. A tropa de choque, ou os xiitas do Bolsonaro são muito mais radicais que os do Lula, não levam pra casa e não aguentam nem piadinhas. Pois eu votei no Bolsonaro e não é por isso, que eu não tenho o direito de criticar suas atitudes. Faria um bem danado à nação, caso os fãs do presidente baixassem o faixo e aprendesse a discutir, no lugar de ofender. Diálogo sempre ajuda, ainda mais em tempos de crise, onde todos somos brasileiros e teremos que conviver em paz. Guerra política não ajuda em nada. 
José Amilton L. F. Silva

O Corvo responde aos leitores: francamente, este colunista como boa parte da população já nem liga mais para essas atitudes do presidente Bolsonaro. Cabe a ele decidir se essas posturas fazem bem à sua imagem, ou não. Ele deve possuir muitos assessores avaliando essas aparições e a polêmica que elas podem causar. Ao que parece, situações assim, interessam mais a quem quer mudar o governo, e tirar o homem do poder. Será que isso ajudaria, num momento assim? 

Gripezinha
Quase todos os depoimentos sobre Covid-19 e a sua intensidade, perigo, e a violência da doença, até em pessoas bem mais novas do que na faixa vulnerável, acima de 60 anos, são importantes para ilustrar o grau de letalidade, mas é impressionante como quase todo mundo insiste em lembrar que o coronavírus não é uma “gripezinha” e nem um “resfriadinho”. Bom, quem inventou a moda que se aquiete e trate de não inventar outras. 

Mandetta, Moro e Guedes
O trio está batendo de frente com o presidente e tudo vaza na imprensa. Claro, a discussão é em razão do confinamento, porque seria a maneira mais eficaz de acatar a tal curva, de um jeito que todos tenham atendimento e o setor de Saúde não encare um caos. Na Itália e agora Espanha, há depoimentos terríveis de médicos que precisaram escolher quem viveria. Olhando para as deficiências no Brasil, mais essas encrencas sem pé e nem cabeça, é provável que muitas pessoas agonizarão em casa, o que seria muito dramático.   

Reclamações
E na terça-feira (31), o dia todo, o que mais havia de notícias era sobre o descontentamento de Bolsonaro com o ministro da Justiça. Vai que numa dessas, em meio à crise, ele não aproveita e faz uma reforma? Alguém contou para o Corvo que os militares estão quietinhos, na trincheira, e, possuiriam um oficial de alta patente para cada função, sem pestanejar. 

Eleições em 2020? 
Parece que isso já era. Ontem havia um zum-zum sobre o virtual adiamento das urnas para prefeitos e vereadores. E foi o assunto vazar, que já estão falando em unificar todas as eleições, o que seria um grande avanço para o país, além de economia. Será que o desgranhento do coronavírus faria acontecer um milagre desses?   

E as guerras?
Então Corvo, é impressão minha ou pararam de guerrear mundo afora? Não se ouve um pio sobre bombas atômicas, mísseis, essas coisas que parecem normais no campo da intimidação. É, o povo fica pianinho e é possível que até os inimigos voltem a conversar.
Maíra S. Fagundes

O Corvo responde: verdade. A pandemia está causando um efeito atormentador, como disco voador aparecesse e detonasse o mundo, fazendo as cidades virarem geleia de mocotó! Tem um velho ditado: quem tem... tem medo. Bocage o diga.