No Bico do Corvo
De volta

Até que o Corvo estava com saudade de trabalhar no domingo, em especial para poder ler e atender os comunicados dos leitores, que simbolicamente chamamos de "cartas". As edições das "segundas" eram praticamente dedicadas ao que leem e opinam quanto aos fatos cotidianos. Mesmo com a pandemia, a direção optou em devolver a impressão no primeiro dia da semana, obedecendo as regras de flexibilização. 

Acabou a guerra
Ontem o Corvo deu um passeio pelos sites de informações do covid-19 de universidades, OMS, Consórcio de Comunicação e Ministério da Saúde e parece, que todos voltaram a trabalhar com a mesma metodologia e com base nas informações dos Estados. Acabou-se aquela frescura de tentar diminuir o número de vítimas, ou de causar a recontagem. Levaram uma semana discutindo o "sexo dos anjos". 

E vamos que vamos...
...encontrar um número que jamais queríamos ler: um milhão de infectados e 50 mil mortes no Brasil. Impressionante admitir que chegaremos a isso muito rapidamente. Que barbaridade! 

Enquanto isso...
Este colunista pede desculpas aos fanáticos e fervorosos defensores do presidente Bolsonaro, mas enquanto o país afunda neste lamaçal de dúvidas, ele fica evocando militares em discursos paralelos, como isso nos levasse a um debate extremamente desnecessário neste momento. Nem o povo da ativa está contente com isso. Nosso presidente deveria se desarmar e voltar a governar, sem a necessidade de embates pessoais, contra o STF, instituições e preocupações com golpes e fantasmas que não existem. A população mais do que nunca precisa do governo e isso não quer dizer apenas distribuição de ajuda. O Brasil necessita de organização. 

Novos ministérios
Agora teremos mais uma vez o Ministério das Comunicações, coisa que governos insistem em fechar e depois, quando necessitam organizar campanhas, sentem falta. É difícil trabalhar orçamento com o setor de comunicação atrelado à outras pastas. O mesmo ocorre com a Cultura. Então, toda vez que um prefeito, governador e presidente aparece dizendo que vai reduzir ministérios, em nome da economia, vão acabar gastando muito mais no futuro. 

Manobra
Se muita gente acredita que colocando o genro no ministério, Bolsonaro ajuda Sílvio Santos, se engana. O Baú vai ficar triste, porque as empresas "SS" estão em nome das filhas do apresentador, uma dela, mulher do deputado, que agora vai virar ministro. Como ele poderá destonar verbas, para empresas da família? Claro que isso vai acabar em rolo na Justiça. No fim, temos aí mais uma história em que o genro ajuda a afundar o sogro. Se Bolsonaro queria afrontar a Globo, mais ajudou que outra coisa.

Preocupação agravada
Os casos de covid-19 em Foz estavam aparentemente sob controle, mas a casa começou a cair, com a necessidade de ceder leitos para as cidades da região, como é o caso de Cascavel, cujo sistema colapsou. Piorou e muito, com a flexibilização das regras. Durante uma semana, Foz acumulou mais de uma centena de casos positivos, coisa que demorou dois meses e meio, quando o distanciamento social era mais rígido.

E com o aumento...
...sobem os casos de internamentos e a cada paciente diminui a capacidade de ocupação das UTIs. Do jeito que vai, logo não haverá mais vagas para os contaminados na cidade e aí é que o povo vai se dar conta da burrada que foi não dar bola para os alertas. 

Dureza
A verdade é que o Chico está entre a cruz e a caldeirinha. Se decreta de novo regras restritivas, voltando a fechar comércio, hotéis, atrativos, vai levar tijoladas de todos os lados; se continuar flexibilizando, terá sérios problemas no setor de Saúde. Amigos, num ano político, com eleições para prefeito, a esta altura, o travesseiro do Chico deve estar mais peludo que gato. Haja falta de sono, com tantas preocupações.   

Fiscalização
Que funciona é fiscalizar e mesmo formando uma força-tarefa está difícil conter a população. Em algumas localidades há uma festa em cada esquina, com a turma sem máscaras, enchendo a cara e até comemorando "o fim da pandemia". Pode isso? Foi o que um fiscal relatou a este colunista. Ao chegarem numa localidade, um cidadão veio com uma garrafa de cerveja na mão, oferecendo aos agentes de segurança, para "festejar o fato do covid-19 ter ido embora". Quase acabou preso. 

Nas calçadas
Em muitos locais, pessoas formam aglomerações para fazer churrasco em frente à residência, formando rodas de narguilé, e dá-lhe som alto, gritos, risadas, coisa que irrita a vizinhança que leva a sério as regras de distanciamento. O número de ligações para o 199 aumentou tanto, que precisaram dar um jeito de aumentar a equipe e ir para cima dos desrespeitadores, porque senão, ia pegar mal com os denunciantes. Se fiscalizar, a prefeitura é malvada, e, se não atender as denúncias, é incompetente. 

Regulação 
Contaram para o corvo, que o estado de nervos na área da Saúde é muito grande. Alguns médicos e técnicos estão de bico virado com o setor político, porque são radicalmente a favor de um lockdown, mas que ele não acontece, em razão da pressão que haverá em caso de retrocesso na flexibilização. Que situação hein?

Normalidade
Olha Corvo, veja o que penso: se a população se precavesse, usando máscara, lavando as mãos, mantendo distância, acredito piamente que superaríamos a pandemia, sem colapsar a área de saúde. Mas o problema, é que ainda tem gente que se encontra e dá abraço, beijinho, aperta a mão, não usa máscara e organiza encontros, festas, reuniões e até jogos de futebol. Será que essa coceira não pode ser dominada? Entendo que dá para levar a vida normal, se os "outros" não atrapalharem.
Silvana R. G. Mazinno

O Corvo responde: prezada, a culpa sempre é dos "outros" não é? Isso acontece com a dengue, por exemplo, quando a gente mantém o quintal limpo e o vizinho não. O que precisamos fazer é ajudar a cuidar um dos outros, se isso acontecer, venceremos o coronavírus. Não dê a mão, não ofereça a face ao beijo, não aceite abraço. Se a outra pessoa se aborrecer, explique, ensine, esclareça os riscos de contágio. 
 

Disseminação
Corvo, leio sempre a sua coluna e não faz muito tempo, o senhor escreveu que a ignorância é o problema do covid-19. É verdade e eu concordo, é mais fácil vencer o vírus do que a burrice de muitas pessoas. A doença pega, no entanto, a necessidade de se proteger, via recomendações, não é tão levado à sério. Esses dias fui ao shopping e tinha um moço no estacionamento medindo a temperatura das pessoas. Eu estava ao volante e deixei ele aproximar o medidor, mas daí, para medir o meu marido, o carinha atravessou o bração dele dentro do carro, quase esfregando na minha cara? Poxa? Esse pessoal precisa se tocar, o que custa dar a volta no veículo? É o tipo de coisa que não dá certo, não acha? 
Márcia Medeiros S. Costa

O Corvo responde: prezada, é simples: depois que a pessoa medir a sua temperatura, peça para ele dar a volta e medir corretamente a das outras pessoas. O que ele poderá fazer? Reclamar? Fará o serviço de bico fechado e se não fizer, reclame para a administração do shopping.    

Política
Seu Corvo, tudo bem que a pandemia está desfocando nossas atenções, mas não seria o momento começar a discutir o cenário político, porque afinal você é um especialista eu leio a sua coluna por isso. Você tem acertado quase todas, e sendo assim gostaria de saber: Paulo Mac Donald vai poder ser candidato mesmo? E se ele vencer, assumirá o cargo de prefeito? É o que eu mais ouço por aí. O senhor já tem uma resposta para isso? 
Magdalena P. H. Horta

O Corvo responde: é necessário ter cuidado para uma resposta dessas, primeiro em razão das regras eleitorais e depois, para não fazer exercício de adivinhação, sem os dados necessários para uma afirmação. Segundo os advogados do Paulo, ele está apto e terá essa condição. Mas sobre poder assumir ou não, isso sempre estará na boca dos adversários. A novidade é que se depender de processo, não é só o Paulo que está ou estaria enrolado.

Sobre a política
O Corvo já está sentindo um fervilhar na área eleitoral e dá para imaginar que isso pegará fogo mais adiante, independa a pandemia e seus reflexos. Aliás, será o tema da vez, porque a cidade terá que enfrentar um processo de reconstrução. Será bem mais fácil depois da pandemia, do que do governo Reni, por exemplo, mas o debate estará acesso no campo da reconstrução. 

Boa notícia
O Corvo deu uma ligada para alguns hotéis e descobriu que a ocupação está acontecendo. Quase todos os consultados, dizem que operam com 10, 20%, como fosse em baixa temporada, no tempo que ela existia. Isso já ajuda na manutenção dos custos. Bola pra frente! Boa semana a todos!