No Bico do Corvo
Contratações

Prezado Corvo, não entendo bem esses números. Eles chovem na cabeça da gente no início do ano, e é um pouco de tudo. Onde é que vocês conseguem essas estatísticas? 
Raimundo P Ceres

O Corvo responde: prezado, cada órgão faz o seu balanço do exercício anterior. A vida administrativa, especialmente a pública, é avaliada no fechamento de um exercício. No mais, os comparativos são interessantes e se fazem necessários, porque é assim que a população e os contribuintes balizam o que está bom e o que precisa melhorar. 

Mão dupla
O prefeito garantiu que as marginais da BR-277 receberão mão dupla. Mas há uma fonte, em Curitiba, que jura com os pés juntos que isso não será possível. Mas daí vem a pergunta: se as vias são municipais, qual a razão da ingerência externa? Foz sofre com isso, um perímetro urbano relativamente pequeno, com duas BRs que começam e terminam dentro da cidade e uma que divide ela ao meio, a BR-277. Vai Chico, destrava esse pepino que está entalado nos usuários.

Férias
O assunto é tão sério que o prefeito abandonou as férias para dar de frente com os "politiqueiros de plantão", que iniciaram o ano com a primeira marcha engatada, afinal de contas estamos a nove meses das eleições. Ele que vá acostumando-se porque daqui em diante só enfrentará pauleira. 

Chico & Bobato
Quem apostava no distanciamento entre prefeito e vice começou as coçar o cotovelo. Ao que consta, estão bem amarrados e pode ser que caminhem juntos novamente no projeto de reeleição. Isso se os radicais históricos do MDB permitirem. Ou será que o Chico vai para lá? 

Não vai
Contaram para o Corvo que o prefeito teve uma conversa bem profunda e demorada com o governador Ratinho. Embora ainda seja um tanto cedo, para a cabeça de algumas pessoas a palavra "eleição" fez parte do vocabulário de ambos, mais o deputado Hussein Bakri, que sempre faz a mediação. 

As noivas
O que causa desespero quando Chico e Bobato aparecem de braços dados é a possibilidade de o posto de vice-prefeito não ficar disponível nas eleições deste ano. Há pessoas com o enxoval completo e até o traje para usar na lua de mel, ou seja, uma roupa para a posse. Mas quem é que garante que o Chico vai reeleger-se? Vai precisar malhar muito e gastar sola de sapato. Não há mel na chupeta. 

Outros candidatos
Todos os partidos estão em arrumação com foco nas eleições. Uns correm atrás de assinaturas, outros organizam a caixa de ferramentas, porque ela será muito importante nos debates, sobretudo quando acontecem nos colégios, bairros, igrejas, onde o bicho pega.  

Cedo ou tarde
Em novembro o Corvo escreveu que ainda era "muito cedo" para antecipar o ano eleitoral e levou um puxão de orelha de uma leitora, dona Maria G Conceição Linhares. Para ela "eleição é algo que nunca sai da cabeça de um político. O que para nós é cedo para eles sempre é tarde". A conversa foi num supermercado, ao lado da gôndola de bacalhau. 

Balanço
Como os leitores podem atestar, o GDia inicia o ano publicando um resumo das atividades de todos os vereadores. Isso é importante porque revelam seus projetos e atividades, inclusive o que farão com as "verbas impositivas", aquela fatia orçamentária na qual o vereador indica obras e outras necessidades em suas áreas de peregrinação. 

Peregrinação? 
Sim, é como um vereador (que pediu para não ter o nome revelado) está considerando o contato com o povo. "Antigamente, quando eu era assessor de um vereador, ia com ele nos bairros e localidades das mais distantes. As pessoas faziam até festa, churrasco, e engordei de tanto tomar café e comer bolo que as donas de casa preparavam para nos receber. Hoje, quando a gente fala que é vereador, há quem olhe meio de lado. Outro dia um cidadão perguntou: ‘O que você veio fazer aqui? Teu lugar é lá na Câmara’." 

Insistência
Enquanto uns políticos encaram o approach com dificuldades, há quem adore fazer isso, independentemente da evolução nessa relação político/eleitor. A meta de todos é diminuir o refugo, a taxa de rejeição. O Brasil passa por essa revolução social, um momento considerado o "abrir de olhos" da população em relação à classe política. 

Desmerecimento
E a rejeição aumenta em anos eleitorais porque, enquanto há 15 vereadores trabalhando pelo voto, há outros 1.500 candidatos querendo entrar na Câmara. Quem está do lado de fora, em geral, mete o pau em quem exerce a legislatura. Essa atividade é desvantajosa para os que estão no poder. 

Moro & Bolsonaro
Papo de boteco: "Moro não vai até junho no ministério", dizem os especialistas em fuxicos políticos. As encrencas entre ministro e presidente parecem bem maiores do que muita gente imagina. Mas há quem jure que o ex-juiz não vai sair do governo. Bolsonaro sabe o peso da simpatia do ministro, colada na população. 

Teste
Alguém informou ao Corvo que o ministro Sérgio Moro teria sido convidado a testar seu potencial nas urnas. Ele poderia concorrer às eleições municipais de Curitiba. Rafael Greca quase teve um troço quando soube. Se Moro resolver sair candidato a prefeito de São Paulo, é bem provável que se eleja com o pé nas costas. 

Cadê o Lula? 
É a pergunta que muitos fazem: "Onde anda o petista"? Quando estava preso aparecia mais. Suas andanças pelo menos não estão despertando tanto interesse nos veículos de comunicação. Ele tentou uma aproximação com evangélicos, mas isso não foi só alegria entre as partes. 

Deportações
As levas de brasileiros tocados para fora dos Estados Unidos não agradam em nada ao governo Bolsonaro. Ele pensou que a "amizade" com Trump retardaria os processos de deportação. Tentou até uma trilha na reciprocidade, liberando a entrada de norte-americanos, mas deixar os brasileiros lá, isso não rolou.

Receio
Um amigo do Corvo, que mora em Nova Iorque, está com as pernas bambas de medo de largar o negócio que montou lá. Vive há mais de duas décadas na Big Apple e não conseguiu regularizar a situação. Segundo ele, muitos empresários em condições similares passaram os negócios para os empregados. Querem controlar as atividades pelo computador.