No Bico do Corvo
Comércio gradual again

O fim de semana foi cheio de emoção em vários setores, a começar pelo político e comercial. Apesar de guarnecida por uma decisão judicial expressiva, a equipe de Chico Brasileiro seguiu no diálogo com a área empresarial, no sentido de acalmar os ânimos e vislumbrar suas súplicas, de abrirem as portas dos estabelecimentos. 

Pressão
Há quem fale em exagero por parte da ala empresarial e comercial. Em verdade isso tem outro nome, “desespero”. O tempo passa, a grana acaba, os subsídios não chegam, é difícil o socorro, porque na fossa, contrair crédito requer o cumprimento de um ritual cansativo. Quem por exemplo, tiver nome sujo ou deixar de arrecadar impostos e pagar as taxas, não alcança benefícios. E considerando que boa parte das empresas já vinham enfrentando problemas, com a crise política/institucional, juros baixos podem não significar absolutamente nada, porque empréstimos e linhas de crédito são quase que inacessíveis.

A cadeia produtiva
Devemos levar em consideração a relação entre empregados e muitos patrões, cuja empresa e extensão laboral é quase familiar. Como um comerciante vai chamar um funcionário, padrinho de batismo de filhos e de casamento e diz: você será suspenso por dois meses e o governo vai pagar parte do teu salário; ou, acabar demitindo a mão de obra que ele formou durante muitos e muitos anos? Frente uma situação assim, há quem diga que “chega a ser melhor pegar o covid-19”, porque muita gente pensa em suicídio. Funcionar o comércio gradualmente e com os devidos cuidados, pode ser até uma loteria, mas parece não haver outra saída para a maioria; mesmo sabendo que isso contraria as orientações do setor de Saúde.    

As reuniões
Chico, mesmo com a ação movida pela ACIFI, vinha fazendo reuniões. Numa delas, na tarde do sábado, os comerciantes da Vila Portes entenderam que haveria flexibilização, diante de tantos apelos e mal os administradores públicos fecharam a boca, o assunto vazou em áudio. O Ismail, também conhecido como Magrão, não quis saber de esperar e botou a boca no trombone, sem dar chance ao tempo. Claro, o assunto se espalhou. O plantão do GDia confirmou o assunto e postou. 

O caso Acifi x Prefeitura
Advogados e políticos dizem que a ACIFI agiu na base do tudo ou nada. Um jogo delicado, pois dependendo, se o prefeito fosse o outro, não haveria mais conversa. A liminar foi negada porque manter ou não o comércio funcionando, é uma prerrogativa do gestor público. 1 x 0 prefeitura. Mas o assunto foi para o diálogo. 

A decisão
Em rápidas e poucas palavras, o magistrado Rodrigo LuisGiacomini mostrou que a justiça não iria interferir, porque a reabertura é decisão exclusiva do prefeito, respeitando o princípio constitucional da separação de poderes. A posição não foi a de abrir ou fechar, expôs que isso é competência e livre decisão do prefeito.

Sustos
A cada lance nessa queda de braço, outro setor vive a aflição das decisões: a Saúde. Em maioria esmagadora, os profissionais da área acreditam que é cedo e medidas assim deveriam dar os primeiros passos até o dia 10 de maio, pois o Brasil ainda não teria atingido 40% da escala de contaminação. Difícil nem é explicar e sim, o outro lado entender. Abrir o Comercio mesmo que com segurança e gradualmente, ainda é contra a vontade de muitos médicos. 

O MP
E todo mundo está feliz da vida com a notícia sobre os preparativos para a abertura do comércio na quarta-feira, após o feriado, mas, ninguém sabe a reação do Ministério Público. Pode não acontecer, mas a exemplo de outras cidades, um promotor poderá tentar impedir essa abertura e ele tem atribuições constitucionais para isso. E, analisando as decisões judiciais, é possível entender que os magistrados estão alinhados com o pensamento dos ministros do Supremo, ou seja, eles são a favor do isolamento social e do comércio como está, fechado. 

Que tipo de ação?
Segundo a opinião do consultor jurídico do Corvo, Dr. Rodrigo Duarte, seria uma Ação Civil Pública com Pedido de Tutela de Urgência Antecedente (tutela antecipada). O molde seria o mesmo dos motivos que levaram o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) a suspender o funcionamento de todos os Fórum do país.

A opinião do Corvo
Podem abrir comércio, autorizar a circulação de pessoas, a volta de academias, bares, enfim, podem agir como o mundo voltasse ao normal, o Corvo vai continuar quietinho no seu canto, obedecendo a recomendação da ciência. Cada um cuida do seu quadrado, mas se há aconselhamento, não custa ouvir. 

Aglomeração 
E quem diria, logo a prefeitura que prega o isolamento e combate as aglomerações, realiza uma reunião com 11 pessoas, sem contar quem estava em pé, fora da lente da câmera. E isso numa salinha espremida, ao lado do gabinete do prefeito. 

Limitação
No meio do fervo de ontem à tarde, antes da “live” das autoridades, havia o risco de a coisa desandar. É que, para variar, teria surgido um novo panorama, ou projeção matemática de colocar areia no motor. Uma saída fora da linha, e o Chico larga decreto apertando o afogadilho de novo. 

Hospitais x Hotéis
Tem um povo descendo a lenha na contratação de quartos de hotéis em caso de emergência. O GDia está preparando uma matéria especial. Construir hospitais de campanha é muito mais caro. Se Foz tem hotéis, qual o problema em utilizá-los? É provável que alguns estabelecimentos hoteleiros até mudem de ramo, ou ingressem no setor de Saúde. 

Dados sinistros
Alguém informou o Corvo sobre um possível aumento no número de óbitos em Foz do Iguaçu. Estaria acima da média e por causas diversas. Segundo este colunista investigou o movimento nas UTIs está dentro da normalidade. Vai ver as pessoas estão morrendo antes de ocupá-las. Que barbaridade. Mas o Corvo não é alarmista e nem nada, trabalha apenas com a realidade. 

Abre e fecha
O complicado é relaxar nas medidas de isolamento, por causa da pressão e depois ter que fechar tudo de novo, com o alastramento das contaminações. Isso aconteceu em várias localidades. 

Lili  
Foz tremeu na tarde do sábado, com o falecimento da produtora Lili Cristalvo. Profissional competente, era muito querida no meio da informação, sobretudo no setor de audiovisuais. Era o primeiro nome da agenda de muitos, na hora de preparar um vídeo, filme, arranjando atores, era uma aficionada pelo cinema, teatro, uma mulher das artes. Que tristeza. Segundo as informações, foi em decorrência de uma dengue hemorrágica.