No Bico do Corvo
Bandeiras

Corvo, eu não sou um fanático pela política e também não quero polemizar, mas acho estranho um presidente andar por aí, carregando bandeiras de outros países. Muita gente não entendeu as bandeiras dos Estados Unidos e Israel na manifestação em Brasília, no domingo.
P.J.H (O leitor pediu para não ter o nome divulgado)

O Corvo responde: prezado, não era o presidente que carregava as bandeiras e sim, possivelmente, algum de seus apoiadores. Mas não é segredo que Bolsonaro cultua uma admiração muito grande pelos dois países. Nicolás Maduro, por exemplo, a exemplo de seu falecido ídolo, Hugo Chávez, vive acenando com bandeiras de Cuba. 

Militares explicam
O Ministro da Defesa assinou nota em defesa da democracia. Até o Corvo ficou surpreso, porque não se esperava uma manifestação das Forças Armadas tão cedo. No mundo atual, não parece ser bom para a imagem, a pecha autocrática. Democracia ainda é a melhor saída. 

Dona Regina
Após a saída de Sérgio Moro, abrem-se os guichês de apostas sobre a permanência ou não da atriz Regina Duarte à frente da Secretaria Nacional de Cultura, órgão que é subordinado ao Ministério do Turismo. A volta do maestro que distorceu as palavras de John Lennon causou dor de barriga na ala que ainda acredita que algo de bom acontecerá nas artes, neste governo. O problema com Regina é a outra ala, a que manda na ideologia do governo.   

Pelo Rio Paraná
O Corvo recebeu uma informação detalhada de como funciona o transporte clandestino pelo Rio Paraná. Se as autoridades paraguaias se espertarem, essa modalidade acabará e vidas não serão desperdiçadas na correnteza, como pode ter ocorrido na última segunda-feira. 

Vigília
O "serviço" de travessia possui duas linhas, uma que sai de Remansito e outra mais adiante, quase na fronteira com a Argentina. Os responsáveis por essa atividade ilegal, controlam a movimentação das autoridades brasileiras no leito do rio. Por meio de binóculos, eles controlam a navegação das lanchas da Polícia Federal e Marinha. Essa vigília, aliás, é comum, porque é praticada nas ações de contrabando. Segundo um informante, os "donos" das travessias controlam o tempo ao logo da margem, com precisão, ou seja, quantos minutos uma lancha da polícia leva até percorrer o trecho. 

Ilegais
A ilegalidade é praticada pela sobrevivência, contou uma testemunha. "Com a pandemia, muitas famílias paraguaias atravessam grandes dificuldades, passam fome, sendo assim, hoje em dia, atravessam gente no lugar de pneus e outro tipo de contrabando. Dá mais dinheiro até", revelou um barqueiro. Imagina? 

Horários
Os barcos saem em torno das 6hs da manhã, quando ainda está escuro e retornam à noite. Raramente fazem operações à luz do dia, revelou a fonte (que suplicou para não ser identificada). 

Bagunça
Semana passada, o Corvo recebeu uma denúncia e só não publicou devido a necessidade de checar o assunto de perto. Segundo uma leitora, há uma obra ao lado de sua casa e lá trabalhariam paraguaios. "Eles ficam o dia todo falando igual papagaios e colocam o volume da música no último", revelou. E o Corvo ficou pensando: como os paraguaios estão trabalhando nas obras, se aponte está fechada? Foi aí que começou a se desenrolar o caso das travessias clandestinas. 

Acidente
Até onde se sabe, ainda há muito mistério no tal "naufrágio", ocorrido na noite da segunda-feira. A suposta colisão teria ocorrido por volta das 19 horas, mas a marinha só foi acionada próximo das 22 horas. Nesse espaço de tempo, os organizadores da travessia tentavam por tudo, socorrer quatro pessoas, das 12 que estavam no barco. Quando a situação "enfeiou", é que resolveram pedir socorro. Isso dá para medir a irresponsabilidade dessa gente. 

Mulheres e crianças
Mais a fundo, foi possível descobrir, que as pessoas que usam esse "serviço de travessia", são operários de pequenas obras na construção civil e até domésticas. Em muitos casos elas levam os filhos junto, o que é algo muito temerário, uma vez que a travessia clandestina é totalmente desprovida de segurança, sem uso de salva-vidas e superlotação dos pequenos barcos. 

Rio baixo
"Atravessar é uma aventura para algumas pessoas, principalmente idosos e grávidas. Com o leito do rio muito baixo, as pessoas precisam escalar paredões de pedras, muitas pontiagudas, é normal ver gente se ralando e se machucando seriamente, mas o que se pode fazer, se essas pessoas precisam trabalhar?", completou a fonte ao Corvo.       

Desafio
Esse enfrentamento da legislação, burlando a fronteira, é um caso muito sério. O presidente do Paraguai esteve visitando a fronteira e poderia muito bem ordenar uma fiscalização mais ostensiva nas barrancas do Paraná, acabando com essas milícias de transporte de mercadorias e pessoas. Por outro lado, é triste saber o que esses paraguaios enfrentam, pela sobrevivência. 

Crueldade
A mão de obra paraguaia é contratada por valores bem inferiores aos padrões brasileiros, o que configuraria uma espécie de escravidão e tráfico de pessoas. Quem paga por essa mão de obra e tira vantagem dos trabalhadores, deveria responder na Justiça. É duro imaginar que não encontram atividades laborais em terras paraguaias, mas é justo que ocupem lugar de brasileiros?