No Bico do Corvo
Aferição

Os vereadores querem que a medição de pressão nas farmácias da cidade seja obrigatória. A proposta recebeu pareceres favoráveis das comissões de Legislação, Justiça e Redação/Educação, Cultura, Esporte, Saúde, Assistência Social e Defesa do Cidadão. A multa prevista para quem não disponibilizar o serviço é de R$ 842,40 — ou dez UFFIs. Alguns donos de estabelecimentos nem ligaram, porque já fazem isso, além do mais, quando alguém vai medir a pressão, sempre acaba comprando um remedinho, uma pasta de dente e até um Viagra, se for o caso. O amor é lindo!   

Sessões técnicas
Contaram para o Corvo que, ultimamente, os encontros entre os vereadores têm sido um tanto questionados. É um tal de cara de dúvida, estranheza e comentário "O que é isso?", na apresentação dos projetos. Para explicar melhor as deliberações, o ideal seria a Câmara manter um economista de plantão. 

Medida simpática
O governo paraguaio aumentou a cota de compras para os produtos brasileiros e argentinos. Os cidadãos de lá poderão comprar até US$ 300 do lado de cá do Rio Paraná. Os paseros não fizeram festa, pelo contrário, endureceram ainda mais o diálogo. 

Os comerciantes
Donos de muitos estabelecimentos sérios, que respeitam as leis, bem como açougues e supermercados, estão preocupados, porque sabem que o comércio "formiga" não respeita as determinações quanto aos produtos restritos. Os hortifrutigranjeiros, por exemplo, que não deveriam entrar no país, furam as regras.

Enganação
Pequenos comerciantes que se abastecem dos paseros oferecem produtos com margem considerável de lucro. E quem vai fiscalizar ovos e legumes, tentando saber se eles são botados ou plantados no Brasil? 

Indústria
Alguns setores industriais paraguaios também não gostaram da medida. Há várias empresas em fase de implantação, de olho numa série de produtos que antes eram "importados" do Brasil e Argentina. Importação fake, diga-se, por baixo do pano. Um brasileiro investiu uma grana pesada em fábrica de papel higiênico a partir de reciclagem.

Endurecimento
Segundo um especialista no desenvolvimento paraguaio, o governo deveria agir ao contrário, porque com a mão de obra barata, custos acessíveis e escassez de produtos, o Paraguai tem tudo para criar um setor industrial exemplar. Aumentando as cotas, Marito retarda esse processo.

Enquanto isso...
Este colunista conversou com alguns empresários dedicados ao fornecimento de eletrônicos, perfumes, utilidades domésticas, relógios e produtos de luxo. Como sabemos, há lojas simplesmente espetaculares em Ciudad del Este; elas não perdem para outros locais, aos quais os brasileiros adoram viajar para as compras. A pedra no caminho é o dólar alto no Brasil. O aumento da cota para compra em Foz causou uma certa surpresa nessa gente, porque se espera pacientemente algum tipo de medida "protetiva" do governo paraguaio. "Geramos boa parte dos empregos em CDE, e está muito difícil segurar o rojão; logo os paseros não terão para quem vender o fruto de suas importações", disse um comerciante, que pediu para não ter o nome revelado. Ele fez referência ao desemprego.  

Vila Portes
O aumento da cota está causando fenômenos do dia para a noite em algumas áreas comerciais do lado brasileiro. O Jardim Jupira poderá voltar ao auge, na forma de um grande mercado de abasto. Proprietários de imóveis comerciais estão otimistas, pois ontem mesmo havia solicitações de gente querendo abrir "lojinhas". 

Sem o vinho
A fiscalização está de olho na entrada de vinhos argentinos no Brasil. Isso vai mexer com a cabeça de muitos donos de restaurantes e locais onde o produto é comercializado sem as devidas formalidades. Produtos sem o selo de importação podem gerar uma dorzinha de cabeça. 

 

Vinho nacional
Há vinhedos muito competentes no Brasil, mas os produtos são bem mais caros e, em muitos casos, não apresentam a mesma qualidade. As uvas argentinas e chilenas são bem mais aprazíveis e muito procuradas. O gosto pelo vinho é ascendente no país da cerveja. O caso é que, ao comprar uma garrafa de vinho, se for nacional, o consumidor bebe 54,73% de impostos e tributos; e se for importado, 74,73%. Se uma garrafa enche quatro taças, apenas uma é de vinho puro, sem mordidas. Que barbaridade! Mas não é muito diferente em outras bebidas, como é o caso da cachaça. Como pode? A bebida mais brasileira é a mais incidida. 
 

Lojas francas
O que parecia uma maravilha esbarrou na burocracia, no preciosismo das regras federais, além do mais a escalada do dólar melou uma porção de projetos que estavam disputando espaço no centro e em várias áreas da cidade. Este colunista conheceu projetos muito ousados e que estacionaram até as coisas melhorarem. 

Sofrimento
Então vamos imaginar o desastre que seria caso um investimento de grande porte fosse iniciado quando saiu a autorização dos free shops. Ele estaria fechado, aguardando o clarear das regulamentações, atrás do muro da burocracia. Lamentável isso. Quem passar pela Rua Marechal Deodoro notará que há uma loja franca, com as vitrines cobertas de papel. 

Censura
O confisco dos gibis da Marvel, na Bienal do Livro do Rio, está ganhando ares internacionais. O prefeito Marcelo Crivella tornou-se "o careta" do ano! Só falta ele proibir a exibição das novelas da Globo, nas quais não falta um pouco de tudo do que ele não gosta. Deveria ter aprendido que a arte imita a vida.   

Diversidade
A sociedade já entende e respeita a diversidade, e isso ocorre numa velocidade muito grande. Muita coisa mudou no espaço de uma década, e vão querer a intolerância nas escolas e feiras de livros? Oras, por favor! Foz bem que poderia dar um exemplo na Feira Internacional do Livro, que se aproxima. 

Duas vias
Algumas pessoas não se sentiram confortáveis com a publicação de matérias que retratam a visão do Ministério Público Federal em questões ambientais, especialmente quando o tema é a Estrada do Colono. O jornal propõe uma diversidade de informações e considera o debate, a via mais tranquila para a discussão. É necessário espaço ao contraditório. A reabertura da estrada é uma bandeira do jornal, pois o GDia acredita na união dos povos, no encurtamento do caminho, na preservação pela sustentabilidade; e contextualizar todas as opiniões é uma maneira de superar obstáculos.  
 
Convencimento
Desde o início da discussão, sabíamos que haveria oposição à abertura da Estrada do Colono; algumas até radicais. O Ministério Público Federal expõe a ótica da legalidade e da proteção ambiental, na conformidade constitucional. Mostrar aos procuradores as alternativas é uma forma de trazê-los para o debate, o que é extremamente saudável, quando há opiniões divididas até entre os favoráveis ao caminho. Discutir não dói.  

Tradição
Um dos pontos fortes do desfile da Independência foi o desfile da Guarda Mirim. Muita gente se emocionou, entre o público e quem desfilava, com lágrimas nos olhos e orgulho no peito. Entre os "guardinhas" havia muito cidadão formado, com destaque na sociedade, entre eles o nosso Ronildo Pimentel.