No Bico do Corvo
A verdade

O covid-19 pegou o mundo despreparado. Isso é fato. Até hoje alguns países não dobraram o cume das contaminações e parece não haver dinheiro e recursos que vençam o triste episódio. O combate anda mais rápido onde há consciência e com isto, a população colabora. Achatou a curva, o governo que foi duro e mesmo assim, há muitas preocupações. Não se sabe ao certo se infectados e curados, desenvolvem a imunidade, ou estão suscetíveis à progressão da doença; não há medicamentos 100% confiáveis; os laboratórios estão longe de decifrar maneiras de proteger a população mundial. É um pesadelo!

A situação
No Brasil os números começaram a dobrar com velocidade e não se sabe ao certo, se há, ou se perderam o controle da situação. Estima-se que o número de infectados seja dez vezes maior que os dados epidemiológicos divulgados. Não parece ser um padrão de contágio brasileiro, cada portador, contamina em média outras 8 pessoas. Uma tragédia sem precedentes e em velocidade assim, não vai demorar até o atendimento colapsar, como acontece no Amazonas e outros estados mais afetados. As pessoas estão morrendo do lado de fora dos pronto-atendimentos e hospitais.  

Covid-19 ou reforma?
A situação do Brasil, enfim, não é em nada boa, se depender do alastramento do novo coronavírus. Não há governante que durma com barulho assim; em país algum do mundo, nos estados brasileiros e cidades, no entanto, o presidente Bolsonaro parece mais preocupado com a reforma ministerial. Não seria o caso, deixar isso para depois? Esse desvio de foco é péssimo para cidadão e muito ruim para o governo. Um monstro de sete cabeças à solta e o país dividido, fragmentado em badernas politiqueiras; em arruaças de ego, imagina?
 
Mudanças perigosas
Na pandemia incontrolada, em pouco mais de uma semana, Jair Bolsonaro arrancou do baralho, as duas cartas mais importantes e viveu a crise das substituições. Apanha na opinião pública de todos os lados, porque as pessoas em casa, possuem mais lastro para o discernimento; pensam mais, analisam e pesquisam os fatos. Ficam ligadas o tempo todo nas notícias e quase nenhuma é favorável ao governo. É preciso retomar o foco e isso quer dizer, se organizar para combater o covid-19; nada é mais importante.  

Opinião do Corvo
Este colunista responde aos leitores porque eles enviam comunicações querendo saber o que um inofensivo passarinho pensa sobre os ocorridos. Em verdade, a linha de pensamento não é simples, porque se divide em várias correntes. Mas, sobre as substituições ministeriais, é necessário fazer a análise: fora os ministros militares, porque possuem formação diferente dos carreiristas políticos, Moro, Mandetta, Onyx e Guedes, formavam uma espécie de sustentáculo, ou, serviam como os pés da mesa que suportava o governo. Sem Mandetta, em meio à crise do covid-19, e, Moro, o pilar da maior encrenca institucional enfrentada pelo presidente, o governo está apoiado numa mesa com um pé e meio. Isso porque Onyx já levou uma lambada e muita gente diz, que Guedes está se preparando para deixar o barco. É um panorama medonho.

Sem amigos
Vamos aprofundar o raciocínio: desde que assumiu, Bolsonaro desfez amizades importantes. Subiu a rampa com apoiadores importantes, como Luiz Henrique Mandetta, Sérgio Moro, Gustavo Bebianno (Falecido); Ricardo Vélez Rodríguez, Gustavo Canuto e os generais da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz e, Floriano Peixoto Vieira Neto que deixou o status de ministro para cuidar do Correios. Perdeu Joice Hasselmann e uma porção de deputados na encrenca do PSL; hoje só se vê, deputado coronel, deputado major, deputado tenente, descendo a lenha no governo. Os apoiadores xiitas odeiam comentários assim, mas eles são puramente analíticos e em acordo com a realidade. Comentar a crise, não é ofensa.

Números
Nesse embate público, devemos imaginar que muitas pessoas se posicionam ao lado dos dissidentes, mesmo eles pegando carona no então fenômeno Bolsonaro. Essa contabilidade ainda não é precisa, mas à cada escândalo e fato novo, que envolve o presidente, piora o rebuliço.     

Moro ou Bolsonaro?
Corvo estamos presenciando uma “seara” política, envolvendo o presidente e o agora ex-ministro Moro. Até ele se demitir, todos o tratavam como um homem até mais importante que o presidente, pois foi ele quem acabou com a raça do PT, na Lava Jato. Agora nos damos com esse dilema, em descobrir ou entender que está certo. Mas o ex-juiz está sendo defenestrado, sendo chamado de tudo e mais um pouco. Como o mundo dá voltas hein seo Corvo?
   
O Corvo responde:
o leitor quis dizer na “ceara” política. No caso, “Seara”, com “S”, é o nome de uma cidade no Oeste de Santa Catarina, onde há um grande frigorífico, que leva o mesmo nome; um dos maiores abatedouros e produtores de embutidos suínos do mundo.  Na ceara da política, os brasileiros estão divididos, mais até, que na separação da Joelma com o ximbinha. Separações assim são muito agravantes. Há quem até chore, como um vizinho do Corvo, que entrou em depressão quando soube da demissão do Mor
o. 

Moro surrado
O ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro é o exemplo de alvo genérico das fakes news. Apanhou doentiamente dos petistas, durante a Lava Jato e agora é surrado pelos bolsonaristas. Como ele mesmo diz, é experiente em levar pauladas nas redes sociais. Deve estar calejado. 

O futuro
O que será, fará o ex-juiz-ministro Sérgio Moro? Vai trabalhar no escritório de advocacia da patroa? Aceitará uma das tantas propostas que lhe já foram feitas, de trabalhar nos Estados? Ou ficará quietinho, esperando as eleições? Este Corvo nem sabe se ele aproveitou a janela e se filiou, mas ao que consta, está sem partido, logo, deverá permanecer assim por alguns meses. Em condições assim, não poderá se candidatar à vereador, prefeito ou vice de alguma cidade. O domicílio eleitoral de Moro é o Paraná. Pode vir pra cima do Ratinho, ou se somar a ele. O fato é que se popularidade valer, Bolsonaro criou um adversário forte.  

Mágoa
Moro deve estar contrariado, porque seus planos eram bem outros, ou, pelo menos ficar mais tempo no ministério, até surgir vaga no STF. Ele deixou de lado a carreira de magistrado, ao aceitar um cargo executivo. E estava no auge. Isso deve doer, o fato de deixar de ser um técnico para aspirar política. 

Guerra das fakes
As redes sociais estão beirando ao manicômio. Ainda há pessoas acusando os veículos sérios, de propagarem notícias falsas sobre a saída do Sérgio Moro. Em outras palavras, há quem ainda acredite que “isso é uma grande mentira, um complô para enganar o brasileiro”. O que dá na cabeça de um alienado escrever uma coisa dessas? Bom, se há gente teimando que o planeta Terra é plano igual a uma pizza, o que dizer do resto? 

Guerra contra as fakes
Pode ser, depois de tantas confusões e denúncias sobre a institucionalização das mentiras virtuais e eletrônicas, alguém faça alguma coisa para pelo menos, isso diminuir. É inadmissível aceitar que boa parte da população acredita nessas mentiradas. As investigações autorizadas pela Justiça talvez resultem em Leis, o que protegerá bem mais a sociedade e os atos públicos, porque são pagos por ela.   

Você sabe o que é fake news? 
O Corvo pergunta, porque em realidade, muita gente não sabe. Fake news não é somente aquilo espalhado maldosamente nas redes sociais; a deturpação da verdade em si, é notícia falsa. Há uma porção de pessoas produzindo mentiras a todo momento, forçando a barra para se tornem verdade; proclamam fatos inexistentes, situações sobre pessoas, pior, moldam o caráter de gente séria, como fossem aberrações sociais. O evento “fake news” é muito mais abrangente do que se imagina, sobretudo quando é patrocinado. 

Gabinetes
Esses agrupamentos de maléficos e malévolas cibernéticas não existem apenas em Brasília, supostamente no governo federal ou gabinetes de deputados. Eles estão espalhados pelo mundo e funcionam para valer em épocas eleitorais, com cifras milionárias movimentando bandidos cibernéticos e robôs. 

O conflito Joice 
A deputada federal é jornalista, ficou conhecida pela opinião contundente, ácida, pagou o preço, sendo afastada de veículos que no fim, passaram a sofrer a pressão dos governantes. Mas ao que se sabe, ela não vivia de notícia falsa, apesar da virulência. Joice Hasselmann, pelo contrário, é quem denuncia o emprego do dinheiro público nesse tipo de coisa.  

Ilusão
Voltando ao covid-19, existia lá uma esperança de Foz superar a crise sem óbitos, o que seria algo muito bom para a saúde política do governo. Mas não deu. O natural é esperar que no meio de uma situação assim, muita gente acabe sendo fatalmente atingida pela doença, como são os casos de óbitos por dengue e H1N1. Tomara a cidade não esteja nesses prognósticos velados, de haver bem mais casos do que se imagina. Por isso, o ideal é respeitar os alertas. 

Em casa
Não adianta, o melhor remédio ainda é o distanciamento social. Por isso, quem puder ficar em casa, que pregue as portas e jogue chave do carro no poço, porque ainda nem chegamos ao pior. Entendemos que o confinamento foi bom e por enquanto, permitir a flexibilidade possui amparo técnico. Este colunista espera que tudo se resolva o quanto antes. Aqui vai o recado: “isso vai passar, mas vamos cuidar, para não passar para outra”.