Operação no presídio de Minga Guazú descobre novo plano de fuga; cinco guardas foram presos
Uma operação coordenada pelo Ministério da Justiça do Paraguai descobriu a elaboração de um novo plano de fuga na Penitenciária de Minga Guazú. O local fica a aproximadamente 30 quilômetros de Foz do Iguaçu e foi notícia em toda a fronteira na semana passada, quando oito criminosos de alta periculosidade escaparam da unidade.
O trabalho contou com o apoio de 18 agentes da unidade de choque da Polícia Nacional. Após uma busca, em estilo bate-grade, foram localizados lençóis amarrados e diversos colchões preparados para serem utilizados como apoio e cordas. Como medida de segurança, os presos envolvidos foram isolados.
Investigações estão em andamento visando apurar o esquema que facilitou o escape do grupo de criminosos, registrada na noite do dia 26 de março. De acordo com o Ministério Público, que está apurando o caso, a ação ocorreu com a ajuda de agentes penitenciários, que foram “comprados” por um montante em dinheiro.
Cinco servidores da unidade, incluindo o diretor e guardas, foram presos suspeitos de corrupção. Os celulares deles foram recolhidos para análise, assim como as imagens captadas pelas câmeras de segurança do presídio. As informações obtidas auxiliarão nos desdobramentos.
Para garantir que não ocorram novos incidentes, o Ministério da Justiça implantou uma série de medidas, entre elas, está uma reforma na área de lazer dos detentos, que contará com mais monitoramento, além da troca de todas as trancas dos pavilhões e de equipes da Polícia Nacional de prontidão nos arredores da penitenciária.
Em resposta a ação e as investigações, o ministro da Justiça do Paraguai, Rodrigo Nicora, afirmou que a conduta será de tolerância zero para a corrupção e qualquer outra atividade que distorça a função penitenciária.
“O sistema prisional está em situação de emergência e enfrenta desafios que exigem ética, comprometimento e responsabilidade. Os agentes que atuam na linha direta com detentos devem cumprir sua função com integridade e adesão à lei. A negligência desonra e enfraquece a nossa instituição”, destacou.
A fuga
Segundo informações da Polícia Nacional de Alto Paraná, os oito detentos que fugiram na última semana usaram lençóis como cordas para escapar por uma guarita, que não era vigiada por agentes penitenciários, tendo acesso ao pátio externo.
Imagens captadas pelas câmeras de segurança mostram que a passagem dos presos foi facilitada por um grupo de agentes penitenciários, sendo que um deles teria sido o responsável por entregar uma chave aos detentos.
Os foragidos foram identificados como Wilson Rotela, Juan Valentín, Pablo Melgarejo, Derlis Ramón Giménez, Fredy González Delvalle, Marcio Caetano, Fernando Aquino e Anderson Queiroz, sendo este último suposto integrante do grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os criminosos
Do grupo de fugitivos, apenas Fredy foi recapturado. Ele possui uma condenação de 40 anos de reclusão por participar de um massacre na prisão de San Pedro, onde 10 membros do PCC foram assassinados.
Os outros sete criminosos seguem sendo procurados em toda a área de fronteira. Alertas foram emitidos para todas as forças de segurança, evidenciando a periculosidade dos fugitivos, que tem passagens por homicídios, roubos, tráfico de drogas e outras ações de grande violência.
Entre os foragidos, Pablo Melgarejo é líder de uma gangue dedicada a roubar celulares de última geração em Ciudad del Este. Ele foi condenado a oito anos de prisão. Já Wilson Rotela estava preso pelo assassinato de um agente da Polícia Nacional, em junho de 2022.
- Da redação
- Fotos: Abc Color