Após tentativas de fuga, mortes e alerta de rebelião Penitenciária de CDE inicia transferência de detentos
Após tentativas de fuga, mortes, alerta de rebelião e apreensão de grande quantidade de armas artesanais e outros itens perigosos, a Penitenciária Regional de Ciudad del Este, no Paraguai, iniciou nesta semana a transferência de detentos para o Centro de Reinserção de Minga Guazú.
Na segunda-feira (17), 14 internos foram deslocados sob escolta para a nova unidade prisional, onde serão incorporados a trabalhos remunerados e supervisionados em uma empresa têxtil. A iniciativa visa auxiliar em uma melhoria no comportamento dos apenados e posterior reintegração social.
Todos os realocados passaram por um treinamento prévio. Outros presos também estão sendo preparados para atuarem em indústrias no futuro, visando garantir que eles se mantenham longe de atividades criminais.
A operação foi autorizada pelo Ministério da Justiça do Paraguai, que estuda um plano para fechar em definitivo o presídio de CDE, que sofre com falsa de recursos, condições precárias de segurança e superlotação. Atualmente, a unidade que foi construída para abrigar 700 detentos, possui mais de 1.800.
Muitos dos presos (cerca de 40% segundo estimativas das autoridades) são membros da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Uma parcela deste grupo (aqueles identificados como sendo chefes da organização) foi transferida em 2024 para outras unidades prisionais do país vizinho. Agora, uma nova operação foi iniciada e mais internos devem ser levados, de forma gradual e ordenada, para outras penitenciárias.
De acordo com o diretor do presídio de Ciudad del Este, Benjamín Ozuma, uma equipe técnica foi montada para avaliar os internos e preparar as listas com os nomes dos detentos que serão transferidos em breve. O objetivo é que estas ações ocorram de forma tranquila, sem riscos para os moradores e população que circula diariamente pela fronteira.
Mais de 100 presos não tem documentos
De acordo com as autoridades paraguaias, mais de 100 presos da Penitenciária Regional de Ciudad del Este não possuem carteira de identidade. Alguns não têm nem mesmo Certidão de Nascimento. Uma ação foi iniciada neste mês na unidade para solucionar o problema e registrar todos os detentos.
De acordo com o diretor do presídio, a falta de documentos dos internos gera uma série de transtornos, como o atraso nos processos criminais e impedimento de ingresso nos programas de reinserção social.
“Um trabalho conjunto e intensivo está sendo feito para solucionar essa questão, porque nada pode ser feito sem o documento de identidade”, explicou Benjamín Ozuna.
A autoridade disse ainda que o presídio não receberá mais detentos que não possuem documentos. Segundo ele, a polícia deve se responsabilizar pelo processo antes de encaminhar o preso à unidade.
Preocupação
A Penitenciária de CDE está localizada em uma área residencial, próxima, inclusive, de unidades educacionais. A superlotação e os incidentes recorrentes na unidade causam insegurança aos moradores e turistas, que temem a ocorrência de rebeliões.
No ano passado, após uma denúncia que revelou um suposto plano de fuga, a Polícia Nacional realizou um pente-fino no presídio, que resultou na apreensão de 250 facas artesanais, bebidas alcoólicas, entorpecentes, celulares e ferramentas de fabricação caseira.
Em janeiro deste ano, uma briga ocorreu em um dos pavilhões da unidade, resultando na morte de um interno. Um novo bate-grade foi executado e mais armas caseiras foram recolhidas. Desde os episódios, a segurança foi reforçada com a presença de tanques e militares do Exército.
- Da redação
- Foto: Abc Color