Coluna do Corvo

Reconhecimento

Itaipu ocupou um espaço considerável na mídia espontânea por meio de um assunto antigo, a reposição de terras aos povos originais, os indígenas da etnia avá-guarani, que já eram os donos do espaço antes da colonização hispânica e portuguesa. Aliás, a Binacional corrige um erro que é parcialmente de outros, porque os nativos sofreram muito com os ciclos da erva-mate, derrubada da madeira e a expansão agrícola, que lhes roubou muito mais que o habitat, e sim a espiritualidade.

 

Seo Enio

Itaipu disponibiliza R$ 240 milhões para a aquisição de 3 mil hectares, e isso atenderá 31 comunidades avá-guarani, ou seja, mais de 5 mil pessoas; e a ação é sim uma baita reparação histórica, depois de mais de meio século de audiências, conversas, tratativas, sobretudo com a inundação de áreas sagradas. Na ausência das soluções e os resultados, um imbróglio assim só acabaria em confrontos com os agricultores, como aconteceu no ano passado. O DGB Enio Verri disse ao Jornal Nacional: “Itaipu reconhecendo que a terra dessas comunidades indígenas lhes foi tirada e é preciso que se dê condições de vida. Por exemplo, quem mora aqui na região, recebe os royalties, porque a água invadiu as suas terras, e as cidades recebem anualmente um bom valor e, os indígenas, não receberam e nesse período todo, não lhes foi dado os direitos e nem as garantias, em troca daquilo que tinham que era o seu lar, o seu habitat”.

 

Estrutura

Itaipu ficou de bem com os colonos e agricultores, porque se preparou bem antes do enchimento do reservatório, construído centrais de captação para a irrigação, realizou novas estradas para facilitar as safras, enfim, desenhou toda uma logística pensando no futuro. Esse bom relacionamento garantiu a manutenção das faixas ciliares, áreas que aos poucos, se converteram em Corredor da Biodiversidade e hoje repões a Mara Atlântica, praticamente erradicada do lado brasileiro do Rio Paraná. Nas ações de reconhecimento, a Binacional deve atender as comunidades indígenas com estrutura, água potável e energia elétrica.

 

O pensamento natural

Os guaranis, embora muita gente resista em reconhecer, fazem parte de uma cultura avançada, exemplarmente sustentável, respeitam as leis da natureza e a ela nada causam, não interferem, nem que isso custe a mobilização. Para não degradar, se tornaram nômades, sempre dando chances à recomposição da fauna e flora. Em cada ser habita a força natural, com a literal grandeza do espírito e quando o “tekoá” é ameaçado, a alma sofre bem mais que o corpo.

 

Tekoá ou tekoha?

Tanto faz, isso mão importa. A palavra tem um significado maior que territorial, é o sonho de encontrar o paraíso e dele cuidar, mais até do que viver. O conceito antropológico Ara’puka, uma palavra tupi, surge dessa essência, de quando os “índios guardadores” predominavam na região; povos que se alternavam para proteger o santuário que nela existia, com água por todos os lados, florestas, animais e o que se jogasse ao chão, germinava. Assim Payaguás, Querandins e até Charruás se deslocavam em longas distâncias para resguardar o Iguaçu. Quem se embrenhasse pelo Peabirú, que ia até o contraforte dos Andes, era advertido: Ara’puka, ara’puka, ou seja, “não é lugar para ir assim sem mais e nem menos, precisa estar preparado, espiritualmente, e, com boas intenções. E o sentido dessa palavra, que dá o título ao meu primeiro livro, não é de “aprisionamento”, “armadilha”, e sim, de atração, como o canto de sereia. Quem me deu essa aula, gesticulando com eloquência e emoção, foi o grande Darcy Ribeiro, em 1996, na varanda da sua casa em Maricá, no Rio de Janeiro. Ele estava cometido pelo câncer e demonstrava grande interesse antropológico pela região que hoje, revê as injustiças cometidas contra os guaranis, em todos os seus subgrupos, seja Kaiowá, Ñandeva e Mbya.

 

Então vamos pensar…

…a peregrinação pelo Tekoá fazia parte da essência guarani e antes de se assentarem, erguiam a “casa de rezas”, onde agradeciam a água boa, que brotava da mina, o barro que lá havia para os utensílios, a sombra das árvores e os bichos que porventura se tornariam alimentos; sem permissão, um lagarto não era abatido. Então, do nada, aparecida o “branco” e ditava as regras; primeiro a escravidão, depois a religiosidade, como fosse algo importante a ensinar para um povo que tudo já sabia; e, por fim, a desapropriação, sem o direito de reverenciar os ancestrais ali enterrados. A história dos povos originários é muito triste, impiedosa, e que perdura. Logo, quando Itaipu devolve a dignidade, mesmo que tardia, repara séculos de afronta e equívocos.

 

Aqui e lá

Tudo sempre está mudando, mas há quem conserve hábitos antigos, como atenção à ancestralidade. O Japão dá exemplos históricos. O país e campeão em longevidade, possui cerca de 100 mil centenários e essa gente toda não está em asilo. Muitos vão às escolas, ensinam a história por meio da oralidade, como eram as coisas em seu tempo de vida. Nos Estados Unidos, cresceu vertiginosamente o interesse dos jovens pela cultura indígena e a tal forma, que o assunto anda causando mudanças sensíveis nos currículos escolares de quase todos os estados. No Brasil, se as escolas levassem os guaranis para as salas de aula, aceleraríamos a busca pela sustentabilidade. As crianças ensinam os pais.

 

Pensando mais ainda…

…claro, alguém vai aparecer se queixando, que esse reconhecimento aos originais, vai sair da conta de luz. Quanta ignorância. Esse povo é desprovido da matemática social, que melhora a educação, repõe os danos ambientais, desenvolve novas tecnologias para o campo e cidade, melhorando a vida de milhões de brasileiros. Itaipu investiu bem mais em amparo social do que em royalties, que ninguém sabe ao certo, o que as prefeituras fizeram com o dinheiro. Não há uma entidade, associação, em todos as áreas, que um dia não tenha sido ajudada por Itaipu.

 

Falar nisso…

Mais uma vez a dona Rede Globo, pisou no tomate, quando lembra as Sete Quedas e mostra imagens das Cataratas do Iguaçu. Puxa vida, alguém precisa dar aulas de geografia para os editores de imagem e diretores dos telejornais. Quando reservatório de Itaipu começou a encher, os apresentadores Cid Moreira e Sérgio Capelin causaram um dano na imagem de Foz, informando textualmente que as Cataratas desapareceriam, foi um escândalo. Na matéria da última segunda-feira, tratando da indenização aos indígenas, o repórter fala dobre o desaparecimento das Sete Quedas, mas a imagem é das Cataratas, inclusive com o Hotel ao lado. Barbaridade, como ninguém viu antes do material ir ao ar?

Corvo1

 

Ainda o Caimi

Francamente eu gostaria muito de deixar esse assunto no limbo, mas fazer o quê, se ainda repercute? O meu amigo Sérgio Caimi está matutando bastante o tema, remoendo o ocorrido de todas as maneiras e isso se faz necessário, claro. Logo ele ficará em paz. Mas segundo os relatos, membros da família não registraram BO contra ele, e, a esposa também não, porquê ela não foi agredida fisicamente, segundo revelou uma fonte próxima, que por sua vez garante, que há apenas um relatório dos policiais. Como isso gerou um Boletim de Ocorrências, é o que os advogados vão querer saber. Há muitas contradições incluindo o vazamento de documentos, porque o sigilo é coisa séria. O tempo vai passando e algumas situações ganham contornos de humor, como forma de aliviar a tensão, embora não se brinque com coisas assim.

 

Engraçado?

Não é não, mas há coincidências. O arranca rabo entre Caimi e a esposa teria acontecido no “Dia da Mulher” e a bomba estourou no “Dia da Água”, o que chega a ser hilário, considerando que ele trabalhou na subsidiária que administra o precioso líquido e é o secretário de Meio Ambiente? Tudo recheia a teoria do acaso. E no mais, olhando o vídeo que ainda circula nas redes, Caimi lembra o Pantaleão, personagem do Chico Anísio, que vivia perguntando: “é verdade Terta?”. E a Terta respondia…iiiiéééééééééé.

 

Reflexos

O texto que norteia o assunto abordou também outras situações, lembrando inclusive o Golbery do Couto e Silva. Perante isso, houve algumas manifestações: “Nos meus poucos estudos de línguas descobri que só duas possuem sete pronomes, que é o hebraico e o guarani. Nos meus estudos de física e matemática, aprendi com Einstein que dois mais dois, não é exatamente quatro, mas, ‘aproximadamente quatro’. Tudo no universo, afinal, é relativo. Eu, na minha vida de clandestinidade política, li algumas coisas do Golbery e, muitos de nós, da esquerda, passamos a ter esperança de uma abertura política que ele arquitetou”, escreveu o amigo Adão Luiz Almeida.

 

Djalma Pastorello na Agricultura

O ex-vereador assume a diretoria de Agricultura e Abastecimento na prefeitura de Foz, e, é uma boa escolha. Conhecimento não lhe falta. Para começar, estudou no Colégio Agrícola, é produtor rural e possui uma formação acadêmica que lhe garantirá uma boa interlocução com todo o círculo de produtores, que ajudarão bastante na composição da merenda e produção de alimentos para abastecer uma parcela importante das comunidades, não apenas as carentes. Lembrando, Pastorello é jornalista, por formação.

 

Made in Foz

Antes, todos os produtos rurais vinham de fora, e pensa, um pé de alface viajando 1200 km, de São Paulo, para depois ir parar na mesa dos iguaçuenses, dos restaurantes e hotéis? Quando era vereador, Pastorello sempre fazia rebuliço com o assunto e mesmo fora da Câmara, incentivou a produção local, tanto que hoje boa parte dos mercados de bairro possuem produtos direto de chácaras e pomares no cinturão verde de Foz. Ele certamente fará a diferença na função.

 

Caras novas

Uns dias sim, outros não, ficamos sabendo de gente entrando e saído de secretarias, fundações e autarquias municipais. É simples: a pessoa assume o cargo, é cobrada, não dá conta e pede para sair; em outra hipótese, garganteia que faz, que acontece e coisa e tal, mas na prática, decepciona. O General troca. Não pensa duas vezes. Aliás, isso é de fonte segura: todos que assumiram cargos sabem que devem desocupá-lo em caso não suprirem as metas e, as necessidades do governo e das comunidades.

 

Fuxico

O que não falta em Foz é gente espalhando maledicências contra uns e outros. A maldade da vez é que o estoque de indicações aos cargos é menor que a demanda. Há quem diga que até o Paulo Mac Donald foi indicado por um aliado como provável solução de um problema. Ele seria um secretário do tipo com poderes plenipotenciários, aquele que entra com a carta tão branca, que chega a ser transparente. Eita imaginação do povo!

 

Infância e juventude em pauta

As Desembargadoras Rosemarie Pimpão e Ana Carolina Zaina cumpriram uma intensa agenda em Foz; realizaram palestra no Colégio Cívico Militar Presidente Costa e Silva, visitaram os diretores de Itaipu, incluindo o Enio Verri; foram à Câmara de Vereadores, aos consulados da Argentina e Paraguai; estiveram na Prefeitura de Foz do Iguaçu e fizeram parte de atividades importantes, com a temática “defensores da infância”, desenvolvidas por professoras em várias etapas do ensino, a começar pelo conhecimento do “gênero textual” e as suas características, com pesquisas e práticas junto ao grupo de “defensores”. Além das desembargadoras participaram o conselheiro tutelar Gilliard Diniz e o defensor da infância Marcio Rosa da Silva, ex-vereador, que por sua vez, realiza o trabalho de longa data e é reconhecido por isso. Mesmo ao longo das atividades parlamentares, Marcio sempre dedicou importante espaço para as causas tutelares.

 

Péssimo exemplo

Alguns leitores vivem enviando mensagens sobre futebol, o desempenho dos seus times favoritos e o que acontece com a Seleção, na era Dorival Júnior. Para a minha tristeza, acabei vendo um trecho da entrevista do Raphinha com o Romário, onde ele emprega o terno “porrada neles”, se referindo aos argentinos. Que situação hein? Pior, o jogador disse que isso deve acontecer dentro e fora do campo, se for o caso. E, o seo Romário aplaudiu. Com sinceridade, depois disso, Rafinha não jogaria no meu time, se fosse técnico e o Romário não apresentaria programa em minha Tv, se tivesse uma. Ridículos. Não deveriam incentivar a violência, em caso algum.

  • Por Rogério Bonato

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