Coluna do Corvo

Água comemorada

Neste sábado haverá comemorações e atividades por toda a Foz do Iguaçu, cidade que é um exemplo da abundância do líquido mais precioso do planeta, a água. Aposto que um ou outro leitor pensou que eu fosse escrever “cerveja”. A cidade é praticamente uma ilha, cercada por grandes rios, nascentes, riachos, arroios, com cataratas, cascatas, lagos, lençóis freáticos e está sobre um oceano submerso, o Aquífero Guarani. Pode-se dizer que em certas épocas do ano, dependendo à água que cai do céu, o município faz concorrência com Veneza, tamanha a quantidade de alagamentos! Foz é quase sinônimo de “água”, e foi por essas e outras que este colunista, a pedido do Gilmar Piolla, criou o nome para um portal que seria especializado no Turismo das Águas, dentre outras, o H2Foz.

 

E como é essa água toda?

É boa. Segundo a Sanepar é ótima para o consumo. E vai ver é por isso custa caro. Vá ao mercado, compre fardos de água mineral e depois compare com o valor das faturas concessionária. Verá que proporcionalmente, a água é mais cara que a Luz. O caso é que até vivemos sem a energia elétrica, jamais sem a água. E é justamente para garantir a qualidade, que o povo se mobiliza em dias comemorativos. O bom mesmo seria não precisar realizar mutirões para retirar toneladas de lixo da nossa literal fonte de vida, e, deveríamos preservá-la cotidianamente. Mas vai explicar isso para os ignorantes, que não imaginam e nem acreditam que corremos o risco de secar o planeta? Isso aliás, pode acontecer bem antes do que se esperava. A “hidrosfera” é muito ameaçada e contaminada. O que o homem causou em menos de dois séculos, levará provavelmente milhares de anos para reverter. O desenvolvimento não é complacente às causas naturais, muito sensíveis diante de tanta agressão.

 

Burrice indômita

Hoje andam soltando mais foguetes em direção ao espaço, do que em festa de São João. Porque será? Para estudar o comportamento dos camundongos? Para saber como o corpo humano reage à falta de gravidade? Para observar lá de cima o planeta? Coisa nenhuma, é para tentar a todo o custo encontrar um novo lar para a humanidade. Vamos fazer as contas: juntando toda a grana investida nos programas cósmicos dos EUA, China, Índia, Rússia, Japão, Alemanha e até do Brasil, mais o dinheiro dos “bilhardários” encabeçados pelo Elon Musk, e a soma dos orçamentos voltados para a exploração espacial, alcançaremos alguns trilhões de dólares. Será que se usassem uma parte desse dinheiro em conscientização e educação em favor do meio-ambiente, não seria mais eficiente?

 

Vamos explorar?

É preciso sim explorar, faz parte da natureza humana, mas para se chegar ao planeta mais próximo e em condições de receber os humanos, só com a velocidade da luz. Um dos lugares mais próximos seria o Gliese 832c, um exoplaneta semelhante à Terra, a cerca de 16 anos-luz de distância. É semelhante, mas não é igual. Humanos não respirariam livremente lá, mas há muita água, segundo as investigações. Vamos pedir uma mãozinha da IA para imaginar como seria chegar até lá: para começar, um ano-luz é a distância que a luz viaja em um ano, aproximadamente 9,46 trilhões de quilômetros. Logo, 16 anos-luz equivalem a cerca de 151 trilhões de quilômetros.

 

E dá para chegar?

Considerando que uma nave espacial atualmente não supera 61.000 Km/h, a velocidade da Voyager 1, os 151 trilhões seriam percorridos em cerca de 283 anos! Então, para se percorrer essa distância, levando em conta que cada geração tem filhos a partir dos 25 a 30 anos, podemos estimar quase dez gerações procriando dentro de uma nave espacial, para ir buscar um balde de água em Gliese 832c! Lascou-se a humanidade. Do jeito em que as coisas vão, quando os exploradores chegarem ao destino, provavelmente a vida esteja muito comprometida em nosso planeta. Em síntese, a ciência precisa avançar muito, até que os astronautas não se convertam em geleia em suas missões de chegar a lugares assim tão distantes. É mais fácil, simples e barato, cuidar dos recursos naturais. Bora catar pneus, latas, garrafas pet e lixo nas águas iguaçuenses! Barbaridade!

 

A culpa é do seu Júlio

Resumindo, só se viaja de um planeta ao outro, por enquanto, em filmes de ficção científica. Há leitores que adoram esse tipo de texto, mas alguns reclamam: “poxa eu pago pela assinatura de um jornalzinho para ler essa cultura inútil?”, escreveu um amigo faz uns tempos. Não é cultura inútil, é exercício mental, pensamento, reflexão. Isso faz bem de vez em quando. “O que você andou lendo quando era criança?”, quis saber a leitora Elizabeth H. Dias. Faço questão de explicar: raramente ganhei brinquedos, porque meus pais eram humildes, trabalhavam muito para prover educação, boa alimentação e saúde. Não sobrava recursos para outras coisas. Nos aniversários e comemorações ganhava livros, especialmente da minha avó paterna, que me apresentou dentre outros, o Júlio Verne. Li todas as suas obras e por isso, vivia na imaginação, em submarinos, naves espaciais e no mundo da Lua. Em geral, quando minha mãe era chamada à escola, pelo meu déficit de atenção, voltava para casa insultando o seu Júlio. Peço desculpas aos leitores se os chateio com esses espasmos redacionais. Bola pra frente!

 

Perdendo tempo com a ideologia

Um leitor que diz frequentar sempre a Câmara Municipal de Foz, enviou mensagem lamentando, segundo ele, o fato de usar a expressão “perca de tempo” e por isso, foi corrigido por uma “otoridade”. Disse que não ligou muito, e, segundo o seu testemunho, nos recentes embates entre os vereadores há muito “enguiço” ideológico, e pouco exercício legislativo. Traduzindo, nossos calorosos representantes estariam perdendo tempo nas quedas de braço entre direita e esquerda, no lugar de pensarem no bem comum e tocarem adiante os projetos.

 

Paciência

O grosso da população pode não ser instruída como imaginam; a maioria é de gente humilde, que espera melhorias em suas localidades e o bem comum. Logo, corrigir alguém que não sabe se expressar é uma grande grosseria. Políticos e assessores precisam ter em mente, que o empregador é o cidadão e ele tem o poder de “descontratar” no dia do voto. Não é correto dizer “parca de tempo”, mas isso não mereceria puxão de orelha.

 

Falta gente

O Poder Legislativo precisa trabalhar para devolver a população ao plenário. Ele anda meio vazio ultimamente e, destemperando com o povo ainda, a situação corre risco de piorar. O fato é que muitos vereadores e também os assessores, são estreantes e ainda não pegaram o jeito de lidar com a função. O tempo vai passar e a ficha vaio cair. Se há exagero ou não na reclamação, aí são outros quinhentos. Bom mesmo seria saber nomes, hora, local exato e outras informações, dessa maneira, a presidência da casa poderia investigar o caso. O problema é que as pessoas preferem manter o anonimato. E aqui entre nós, o não falta é arranca rabo entre munícipe e vereador, ainda quando há fagulhas ideológicas. Nada foge à normalidade.

 

Lembrando…

…esta coluna não é redigida pelo Beto Maciel e tampouco este colunista é responsável pela “Palavra Livre”, que é publicada na página 11. Quase todos os dias, um ou outro reclama de notas que foram publicadas lá, e, certamente, devem fazer o mesmo, praguejando para eles, o que escrevemos aqui. É simples, basta ler o cabeçalho e decifrar a autoria. A reclamação recente é sobre a quantidade de votos para conceder o título de Cidadão Honorário ao Matheus Vermelho e para isso, “haveria uma dificuldade em razão da proximidade do deputado estadual com um blogueiro, no caso o Darlon Dutra”. Mas será que os vereadores agiriam dessa maneira, prejulgando um, em detrimento de outro? O Darlon é um rebelde desde o tempo em que vestia as fraldas e não é o Matheus quem consegue segurá-lo. Isso a cidade toda já sabe. Tudo bem que a amizade entre eles é longa, mas não foi uma vez que o blogueiro mostrou os dentes para o deputado.

 

De Britto

Pela manhã desta quinta-feira, 20/03, o vereador e presidente da Câmara Paulo De Brito, que pertence ao PL, enviou mensagem para este colunista, escrevendo que o teor da publicação na coluna Palavra Livre, “não era verdade”. Se é ou não, não seria assim um problema para este escriba, mas o caso chamou a atenção, porque se tornara público. Não é verdade que De Brito, pertence ao PSD, isso é notório. E vem a pergunta: não seria verdade também, que ele resiste à proposta do Beni Rodrigues, em conceder a honraria, em companhia de um grupo de vereadores? Ao que parece, isso realmente não é mesmo verdade. “Não sei de onde tiraram isso, sou amigo do Matheus como também do seu pai, o Vermelho e não tenho dificuldade de conversar com absolutamente com qualquer pessoa no cenário político”.

 

Eleições à vista!

Descontando o episódio e livrando o De Brito da saia justa, a verdade é que essas e outras situações, bem como se originam, fazem parte do jogo político. Há sempre o interesse de fortalecerem ou prejudicarem quem está no cenário. Quem cumpre mandato, geralmente vira Judas para ser malhado no Sábado de Aleluia. Isso acontecerá com o Matheus, o papi Vermelho, o Giacobo, De Brito e também com os virtuais candidatos, gente que anda se antecipando e pendurando o nome na vitrine eleitoral de 2026. Não escapará nem o povo da administração. É assim que as correntes se movimentam, cheias de tubarões, hienas e urubus.

 

Muitos candidatos

Foz do Iguaçu nunca aprende a lição de matemática; lançar muitos candidatos implica na pulverização dos votos, contando ainda com os paraquedistas, gente que vem de outras cidades fazer a pescaria em Foz. Até aí é normal, porque o povo daqui também vai peneirar votos fora. Mas segundo uma rápida apuração a lista de candidatos encosta em 30, e até mais. O curioso é saber que vereadores recém-eleitos e novos na carreira, também pretendem arriscar candidatura.

 

Isso muda?

É por esses e outros meios que avaliamos o IMP – Índice de Maturidade Política da cidade. Em Foz ele ainda é muito baixo e isso sempre acaba refletindo na falta de representatividade, por mais que a sociedade civil se organize e recomende a reflexão. Os políticos não estão nem um pouco interessados em questões assim, querem mais é mostrar a cara, porque quem não aparece não segue no trecho. É ruim para a cidade a ausência de um propósito em consolidar representantes; acaba perdendo para municípios pequenos, mas que são organizados.

 

RPC em cima

A emissora investiga a documentação dos assessores nomeados em gabinetes dos vereadores; querem saber se as informações e as documentações envidas são verdadeiras. Isso aliás está causando uma canseira em vários parlamentares. Por conta própria eles estão auditando os documentos, como medida de evitar escândalo e precisarem encostar o umbigo no Ministério Público. Chega a dar arrepio lembrar as visitas surpresa do GAECO, antes do galo cantar.

 

Ricardinho prefeito!

O General Silva e Luna vai fazer uma viagem ao exterior, não é até Puerto Iguazú e nem Ciudad del Este e o Ricardo Nascimento assumirá a Prefeitura de Foz. Haverá inclusive a transmissão de posse e será no Gabinete do Prefeito às 17h30 desta sexta feira. O que se sabe é que o Ricardinho fará um follow-up no andamento de uma série de iniciativas da administração. O vice entrará para o livro dos recordes, é o que mais rápido sentou na cadeira de prefeito após o início de uma administração.

 

Silva e Luna na OEA

Isso mesmo, o prefeito de Foz estará em Washington, neste 25 de março, participando DcGs – “Diálogo Hemisférico com Gobiernos Subnacionales”. Segundo se sabe, foi o único brasileiro convidado, pelo menos é o que informou a organização do evento chancelado pela OEA – Organização dos Estados Americanos. E o General Silva e Luna terá direito à fala. Luis Almagro, Secretario General, OEA é quem fará a abertura do evento.

  • Por Rogério Bonato

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