Coluna do Corvo

Fespop cancelada

Passaram o facão no maior evento de música da região, produzido para comemorar o aniversário de Santa Terezinha de Itaipu. E, para variar, cometem uma baita gafe, ao culparem o Ministério Público, porque o órgão apenas recomendou uma reformulação legal do evento, ao prefeito, chamando a atenção para os preceitos legais, como concorrências, licitações, tomadas de preços e vícios que passaram a ser cometidos ao longo dos anos. Nunca que a Promotoria de Justiça cancelou ou pediu para cancelarem a Fespop. No lugar de matar os carrapatos, a prefeitura optou por sacrificar a vaca.

 

E o povo vai na balada…

E foi o prefeito convocar a imprensa, que todo mundo acabou na mesma vala, amplificando o equívoco, em que a Fespop teria sido cancelada por “orientação do MP”. Emissoras de rádio e veículos regionais alardearam. Puxa vida o que custa lerem o documento? O Ministério Público, após seguidas “considerações”, entre elas o combate à improbidade, que gera muita dor de cabeça, expediu uma “Recomendação Administrativa” orientando como realizar um vento daquele porte, com a opção de o município promovê-lo de forma direta inclusive, com seus próprios recursos humanos e patrimoniais, adotando as formas legalmente previstas. No fim, o Promotor de Justiça Tiago Lisboa Mendonça ainda clareia esse caminho das pedras, e, em momento algum recomenda a não execução da festa. Temos aí uma nítida preguiça política e que pode custar caro, uma vez que o MP já sabe em detalhes como a Fespop vinha sendo realizada.

A nota malfadada

A prefeitura de STI, emite nota com o título “gafotônico”: “Atendendo recomendação do MP, STI cancela realização da Fespop 2025”. Em coletiva de imprensa…tra-lá-lá…o prefeito Antonio Luiz Bendo…tra-lá-lá…a decisão foi tomada após uma recomendação do Ministério Público do Estado do Paraná, que apontou irregularidades na organização do evento, em anos anteriores…tra-lá-lá…chama a parceria entre a Prefeitura e o Provopar…tra-lá-lá… com o órgão alertando para a falta de chamamento público para a eleição do parceiro na organização…tra-lá-lá…a falta de publicidade em relação à destinação das receitas arrecadadas pelo evento, por meio de patrocínios e vendas de ingressos…tra-lá-lá…e a realização do evento, sem atender o que determina a legislação poderia trazer uma série de problemas jurídicos, como crime de responsabilidade e improbidade administrativa. Por si a nota dá um “tirambaço” no pé dos antecessores.

 

De olho

O caso é que o evento pode cair de mão beijada no quintal da vizinha, no caso, Foz do Iguaçu. Isso aliás já vinha sendo especulado, em trazerem a Fespop para a fronteira. Havia um gato na tuba desde o início do ano, quando alguém alertou o prefeito de Santa Terezinha sobre virtuais “pepinos” com os repasses na realização do evento. A esta altura e, depois do sucesso que foram os shows do Carnaval, a Fundação Cultural deve estar se adiantando em não perder algo que parece cair do céu. Estima-se que 70% dos frequentadores da Fespop é formado por gente de Foz, Ciudad del Este e outras localidades.

 

“Se sair não volta”

Segundo uma informação, um dos organizadores de evento teria advertido que se a Fespop deixar Santa Terezinha, dificilmente voltará. A marca, ao que dizem é privada e não pertence ao município. E não é apenas Foz do Iguaçu que grudou o olho na festa, ela estaria sendo disputada por Medianeira e Itaipulândia, dizem. Mas Foz está debruçada em um novo projeto de realização da Fartal e, pode ser, acabe realizando o evento. O problema é saber como farão algo dessa magnitude na área da terceira pista, onde disseram que acontecerão todas as festas populares doravante.

 

Bolsonaro e o bocão

Não adianta, não há o que faça o ex-presidente acreditar no velho ditado: “a língua é o chicote da bunda”. Por essas e outras está enrolado e fora do poder, por falar além da conta. E vai balançar a cristaleira do terrorismo na fronteira, de novo? Isso beira a irresponsabilidade.

 

Sem paz

A comunidade árabe não consegue descansar com tanta difamação e invencionice. Ontem, vários amigos entraram em contato informando a tristeza e a impotência em reagir a esse novo besteirol. Parece que o ex-presidente se esquece que o povo árabe ajudou a colonizar o país e, essas mais recentes declarações demonstram o quanto desconhece a região. Imagina, se for presidente de novo, permitirá a instalação de uma base dos E.U.A na fronteira?

 

Incompetência

Uma declaração assim, no mínimo, é um atestado da falta de competência aos órgãos brasileiros em lidar com as questões de fronteira. Uma barbaridade. Alguém acredita, que se existissem células do Hamas e Hezbolah em Foz, os norte-americanos já não saberiam? Em 30 anos de investigações descobriram um depósito de valor pequeno para a Crescente Vermelha, e quem disse isso para a comunidade árabe da cidade foi uma autoridade dos Estados Unidos, Steven Montblat, chefe do núcleo antiterrorismo da OEA – Organização dos Estados Americanos, em 2001. Bolsonaro precisa encontrar outros meios de chamar a atenção. Enxovalhar a cidade a sua gente não é um bom caminho.

 

Reações

A colônia está desconfortável com as recentes declarações, mas elas acabam aumentando o preconceito, a xenofobia, instigando a hostilidade contra pessoas de bem e de outras etnias. Não vamos esquecer que Jair Bolsonaro é seguido por muita gente na cidade e há radicais que levam muito a sério tudo o que diz. Em uma ocasião, um indivíduo balançava a bandeira de Israel, com a intenção de afrontar a comunidade islâmica. “Eu faço isso para irritar os turcos, disse o cidadão que serpenteava as ruas nas proximidades da Mesquita” em um veículo conversível.

 

Piada geral

As maledicências sobre terrorismo foram escrachadas por várias vezes nos últimos 30 anos. Bem antes da explosão na AMIA, em Buenos Aires, já espalhavam essas baboseiras. Houve inclusive a farsa, dando conta que Osama Bin Laden teria passado as férias em Foz e quem escreveu foi uma revista brasileira de grande circulação.

 

Base americana

E já que o assunto reflete o humor, onde será iriam construir uma base militar dos Estados Unidos em Foz, caso Bolsonaro volte à presidência? A notícia agitou a ala imobiliária da cidade. Não faltam ofertas de áreas e terrenos, porque os gringos adoram gastar nessas empreitadas.

 

Cai e sobe

A gangorra da moeda norte-americana é boa para uns e muito ruim outros. Quando sobe, ajuda nas exportações, mas prejudica a importação dos insumos, em todas as áreas. O agricultor exporta em dólar, mas quase tudo o que utilizado na lavoura é majorado com as “verdinhas”. No setor de turismo a alta é interessante quando o “gringo” nos visita, mas afasta os compradores das lojas francas e do destino paraguaio.

 

O que aprendemos?

No âmbito do favorecimento, o dólar alto deixa os produtos nacionais mais acessíveis para os compradores estrangeiros. O agro, a mineração, as commodities como a soja, carne, minério de ferro e aço ficam competitivos em todos os mercados internacionais e isso fortalece bastante a balança comercial brasileira. Dentre essas e outras, muito economias declaram a paixão ao dólar alto. O problema é que o brasileiro comum fica à margem dessa lucratividade e entra no funil do prejuízo; a gasolina, o diesel, e tudo o que esbarra na indústria alimentícia, a que abastece o mercado interno, vive fora da zona de conforto dos preços; do pé de alface aos automóveis. Segundo os economistas de pés no chão, não adianta inventarem outra moeda e se fecharem em bloquinhos, o que resolve é política econômica antenada.

 

Mercado Público Barrageiro avança

Aos poucos o local está se tornando um “point” para muitas pessoas e já desloca muita gente do lado de cá da BR 277. A população da área central e localidades próximas, aos poucos, deixa de esboçar preguiça em ir até a Vila A. Isso sempre foi um problema de duas mãos, mas que está sendo vencido pelo Mercado Barrageiro. Como este colunista já escreveu, pequenas coisas fazem uma enorme diferença. Espalhou-se, por exemplo, que por lá, andam fazendo um apetitoso sanduíche de mortadela aos moldes do Mercadão de São Paulo. E parece que na Semana Santa lançarão o famoso “pastel de bacalhau”! Chega a cair água no canto da boca.

 

Boa passadas

O Mercado Público Barrageiro avançou bastante em razão de um detalhe: a alimentação ao preço honesto. Quem vai ao local não é surpreendido com valores acima dos praticados pela cidade e, em alguns casos, são até bem mais baratos. Fora isso há variedades na alimentação e também nos produtos, sobretudo depois que as frutas e verduras ocuparam espaço e, além do mais, sempre há por lá uma boa música ao vivo, chope gelado e tudo o mais que as pessoas esperam. Outra notícia é a possível implantação de um sebo/livraria, colado com um empório de arte. E assim lá nave vá… sucesso ao novo empreendimento!

 

  • Por Rogério Bonato

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *