Coluna do Corvo

Eleição na Unimed

A exemplo da disputa pela OAB, em Foz do Iguaçu, a queda de braço entre os médicos que pretendem realizar a gestão da Unimed na cidade, começou a chamar a atenção. Isso tem explicação: a batalha que é travada nas redes sociais, entre os profissionais vazou, e, a troca de farpas não é em nada confortável. Dois grupos disputam o controle da cooperativa, em realidade, um plano de Saúde controlado de longe. Todas as observações aqui publicadas foram extraídas das declarações dos que permeiam a disputa e estão sublinhadas em aspas.

 

O caso do novo hospital

As torcidas do Flamengo, do Corinthians e a população de Foz do Iguaçu, acreditam que o novo Hospital foi construído pela Unimed. Não foi. É um edifício alugado; foi construído pelos donos do loteamento, para atrair para lá um centro médico e com isto, valorizar a área, desenvolvendo o setor Leste. O valor do aluguel é um dos “pomos da discórdia” entre os cooperados, até porque não foi informado quanto é. Ou se é de graça. O assunto parece trancado com sete chaves pela atual diretoria, segundo dizem os oposicionistas, queixando-se da “falta de transparência”.

 

Os oponentes

De um lado está o grupo que se mantém na direção por mais de uma década, período em que muitas coisas aconteceram, as “boas e as ruins”. Conversando com cooperados que se dizem independentes, o resultado “ruim” parece ser bem mais elevado que o “bom”, o que fez surgir uma chapa de oposição. A contenda deixou de ser reservada por um simples motivo: a Unimed-Foz possui milhares de conveniados, gente que paga mensalidades para escapar do SUS, postos de saúde e o atendimento da rede pública. É preciso um pouco de moderação ao comparar uma coisa com a outra, porque há quem garanta, que o serviço público de Saúde tenha se tornado mais acessível.

 

Interesse público

O assunto que envolve a cooperativa, ganha a atenção da opinião pública por vários outros motivos, como a suposta “debandada de médicos e de conveniados”, dentre situações estridentes e que até o momento, estavam embaixo do tapete. A eleição é programada para 11 de março, ou seja, na terça-feira da próxima semana. A motivação para acompanhar a disputa se deu pela enxurrada de mensagens, expondo um confronto que era para acontecer apenas nos bastidores, ou travado entre a classe.

 

Olho do furacão

A cooperativa vive em evidência desde que mudou para a nova sede, lá onde o Judas perdeu as meias, porque as botas ficaram pela metade do caminho. Os usuários não estão em nada contentes com o local onde o novo hospital foi construído, sobretudo quando necessitam encarar as obras da Perimetral, com desvios, terra, barro, máquinas na pista e até mesmo a falta de sinalização e iluminação. A doença não marca hora para acontecer e quem precisa ir até o hospital de madrugada, sente também as dores do deslocamento. Taxis e aplicativos andam recusando as corridas.

 

Defesa

Este colunista tem defendido a escolha do local onde está o Hospital, e, por isso apanha de muita gente. Mas a cidade precisa deixar o provincianismo de lado e pensar que as distâncias são pequenas, se comparadas aos grandes centros. E de outra maneira, ir até o novo Hospital da Unimed não é bicho de sete cabeças, é só seguir reto pela Avenida República Argentina. Com a Perimetral em funcionamento será bastante fácil para os moradores da área Sul, por exemplo; bem melhor que ir ao Centro de Foz nos horários de pico.

 

As pedras e as vidraças

Mas a construção do novo hospital parece não ser a maior das encrencas na disputa pela Unimed. Ambos os lados concordam, tanto que há muitos profissionais (nas duas chapas) comprando terrenos e planejando a construção de consultórios no entorno. A briga se dá pela  suposta “falta de transparência e da prestação de contas por parte da atual diretoria”, relatam. Querem saber, dentre outras, “o que vão fazer com o edifício do antigo hospital”, porque “contraíram um empréstimo de 20 milhões para equipar a nova unidade? Como isso está sendo pago?”. É uma das cobranças do “Chapa 2”, que faz oposição, encabeçada pelo médico Walid Mohamad Omairi.

 

Turbilhão

Os problemas da Unimed são muito grandes, em verdade. A coluna apurou a pior das situações: “a cooperativa teria perdido 100% dos usuários de Foz para a Federação da Unimed”. Sendo assim, na cidade, a cooperativa deixou de ser “operadora de planos” por “não conseguir manter os critérios exigidos”. Segundo informações, os médicos cooperados contam com o hospital alugado, um centro clínico também com salas alugadas, as dívidas contraídas para equipar o novo hospital, dentre outras pendengas, atormentando sono de várias pessoas, antes mesmo da Federação assumir.

 

O antigo hospital

Segundo se sabe, o edifício que fica no centro da cidade, teria sido alugado para o Hospital Frei Luiz. Basta acessar a entidade na busca do Google para saber que a empresa ocupa inclusive o mesmo endereço, “Rua Martins Pena, 297”. A área foi cercada por tapumes recentemente. O assunto, ao que parece estaria “sendo tratado em segredo pela atual diretoria”. A oposição cobra e, “a situação não presta as informações, até mesmo sobre o valor do aluguel na transação”, dizem opositores. Outra dúvida anda coçando a cabeça dos “sócios” da cooperativa: “se a rede Frei Luiz acabará aumentando a concorrência” que a Unimed já enfrenta.

 

Intervenção?

Não é a palavra adequada frente a necessidade de a Federação assumir a Unimed em Foz, mas é fato que a cooperativa se tornou apenas uma “prestadora de serviços médicos”, e, sem o controle de operação, os cooperados não sabem, por exemplo, quanto os usuários pagam em mensalidades, hoje realizadas diretamente para a Federação.

 

As chapas

Os “eleitores” de jaleco escolherão entre a Chapa 1, da situação, cujo o nome é Experiência e Futuro, composta por Isidoro Antonio Villamayor Alvarez, com o Dr. José Luiz Bertoli Neto, no posto de vice. A Chapa 2, da oposição, é denominada Renovação e Transparência e aparece com o Dr Omairi na presidência e o anestesista Carlos Henrique Zamarian na vaga de vice. Estamos de olho e seguimos na cobertura de mais este espetáculo dos ringues coorporativos iguaçuenses! Reforçando: a coluna foi redigida com base nas postagens de campanha e, pediu informações para as chapas em disputa. A Chapa 1 não respondeu a mensagem até o fechamento da edição. Ficando o espaço aberto para ponderações.

 

O caso da escola na arquibancada

Posso dizer textualmente que conheci a professora Lúcia Marlene Pena Nieradka, uma profissional da Educação muito dedicada e que certamente não imaginaria como o seu bom nome seria tão mencionado em um imbróglio, como o que envolve a escola que ocupa a parte inferior da arquibancada do Flamenguinho, o Estádio Pedro Basso.

 

Lá nave vá

Esta coluna foi na jugular do assunto e embora tenha consultado alguns moradores, acabou deixando de fora a parte que não concorda com a construção da escola na Praça das Aroeiras. O engenheiro Pedro Trevisan, inclusive, é quem assina a demanda judicial. Em contato com a coluna, ele lembrou que em 1996, o ex-prefeito Dobrandino, dividiu a área, onde hoje há a discórdia, em duas matriculas, sendo uma cedida para o Sindicato dos Funcionários da Prefeitura. A comunidade tomou as providencias, ingressou na Justiça, e, ganhou a causa, por se tratar de uma área verde. O sindicato recorreu e perdeu por unanimidade. Na sentença os desembargadores pediram que as matriculas fossem reunificadas, como originalmente. O que não foi cumprido.

 

Outros tempos

Nos anos 70, quando a proprietária da área, dona Irena Kozievitch, fez o loteamento, fez questão de incluir na documentação de registro, que o espaço deveria ser mantido como “área verde”, destinada à construção de uma praça. Segundo Trevisan, “o que aconteceu, foi uma mudança por parte da administração anterior”, onde fizeram uma nova matricula, em outro cartório, o que não deixa em tese de ser correto, mas pode não ser moral.

 

Posição

“Nunca fomos contra a construção da escola, mas cometeram um grande crime ambiental; para executar uma obra pequena, com apenas cinco salas de aula, o que não resolveria o problema educacional, e seria um espaço obsoleto em pouco tempo, arrasaram a praça! A escola tem sim que sair debaixo da arquibancada, mas entendo que a área de pouco mais de 4 mil m2, é insuficiente para uma unidade como a região precisará no futuro. Por outro lado, além uma construção ‘sem futuro’ levando em consideração a demanda de alunos. Por outro lado, nunca devemos deixar de lembrar que a área é denominada como ZR1, altamente residencial, sem logística, e, um bairro sem alunos”. Disse Pedro Trevisan.

 

C’est fini

Será mesmo o final do imbróglio? Ao que indica a prefeitura pensa que sim. Com a decisão judicial, a administração pública deve avançar nas providências para a construção da escola na área da Praça (ou Parque) das Aroeiras. Segundo o General Silva e Luna, em conversa com este colunista, “o assunto não tem volta”. Ele conta inclusive com o apoio irrestrito de todos os vereadores. O presidente da Câmara Paulo De Brito comentou que o Legislativo está convencido sobre a construção da escola naquele local. A secretária de Educação, por sua vez, respondendo a este jornalista no início da tarde de ontem, disse que em recente reunião com a comunidade, explicou claramente que “a princípio, conforme a demanda da região, havíamos pensado em outras possibilidades de terreno, pois a região hoje precisa de uma estrutura maior e em tempo integral”, mas que ao ouvir a comunidade, assumiu o compromisso de rever o projeto na praça, mas com dobro de salas de aulas. Segundo Silvana Garcia, as secretarias de Obras e Planejamento estão reestruturando o projeto, acompanhado por técnicos da área da Educação. Ela informou ainda, que tudo está sendo alinhado com o prefeito, General Silva e Luna.

 

Novidade!

Ontem o prefeito informou a este colunista, que o assunto despertou a necessidade de Foz começar a repensar todo um projeto para as escolas municipais e que isso já vinha sendo tratado com a secretária Silvana. “Foz precisa de escolas maiores, mais arejadas, com projetos modernos, sustentáveis e integrados, com muito conforto para os alunos e servidores. Esse impasse nos fez pensar mais nisso e apurar o passo para que aconteça essa mudança na área do ensino básico em nossa cidade”, ressaltou o prefeito.

  • Por Rogério Bonato

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