Coluna do Corvo
Tristeza e felicidade
A revisão das terras paranaenses pelo IAT causou uma sensação diferente em algumas pessoas. Ontem, pelo menos dois leitores enviaram mensagens para este colunista. “Moro bem na divisa com Santa Terezinha e gostaria de saber, se a minha chácara mudará de município, e, se as galinhas residirão em Foz e as vacas na cidade vizinha?”, quis saber Osorio Ricardo. Já o aposentado Paulo J. Vasco, se disse desconfortável com a redução da área em 1,2 mil campos de futebol. “Tomara o campinho do meu bairro não entre nessa medição. Porque não desocupam outros tipos de áreas”, reclamou. Jesuiscristinho abençoado!
Pertinência
Se pelo humor ou ignorância, as dúvidas são pertinentes. O caso é que o encolhimento de Foz do Iguaçu só pode refletir no crescimento territorial de Santa Terezinha, a única cidade vizinha. Teoricamente não é possível diminuir o território nas áreas de fronteira, lago e Parque Nacional. Vamos corrigir, um pedaço de Foz, a localidade Bananal faz divisa com São Miguel do Iguaçu. De um jeito ou de outro, muitas pessoas gostariam de ver o mapeamento atualizado dos domínios municipais.
O dia das “cartas”
Sempre repetimos o tema, porque algumas pessoas consideram estranho os jornalistas receberem “cartas enviadas para a redação”. Isso é apenas força da expressão; o povo envia mensagens, e-mail, sinal de fumaça, e, acreditem, há quem ainda escreva uma cartinha de vez em quando e deixe, sim, na recepção da empresa jornalística. Um amigo deste colunista, por exemplo, disse que recebeu até um “telegrama” recentemente. Os leitores querem manifestar opinião e cada um faz do jeito mais fácil, inclusive telefonando fora de hora: “ah, lembrei de uma coisa e gostaria de te participar, antes que eu esqueça”, disse um, amigo. O problema é que ele fez a chamada perto das 02:00, da madrugada. Poxa, se enviar um whatsapp, a gente lê logo cedo. É para isso, dentre outras, que os aplicativos são inventados. Nesta sexta-feira a caixa postal da coluna estava abarrotada, mas filtrando as informações, quase tudo já foi respondido ao longo da semana.
Carnaval
“Prezado colunista, nasci em Foz e conheço bem a história do nosso Carnaval. Fui sócio remido do Foz do Oeste Paraná Clube e frequentei muito a sede no Centro da Cidade, onde ocorriam bailes épicos. Vale destacar, que os eventos aconteciam nos clubes sociais e além do Oeste, havia o Country, o Gresfi, o Floresta, as associações dos aeronautas, bancários, garçons, funcionários públicos; todos organizavam carnavais ou matines. O Trevão, um salão de molas fazia eventos populares e Wiskadão, uma boate que hoje é loja de móveis, também programavam os bailes. Só no início dos anos 80 é que surgiram os blocos, chamados de escolas de samba e pertenciam aos clubes, desfilando nas avenidas Brasil depois JK. O carnaval de rua era puxado pela banda “Xiru-curepi”, formada por músicos do batalhão. Foz já foi uma cidade muito carnavalesca e sempre contou com a participação dos vizinhos argentinos e paraguaios”, escreveu o Márcio R. V. Ramires, a quem agradecemos pela memória e boas lembranças.
Roubo de fios
“Prezado colunista, como pode essa gente surrupiar tantos fios e cabos elétricos? Se isso é tão frequente só existe uma resposta: há quem compre. Onde estão os receptadores e pessoas que diretamente auxiliam os inimigos do alheiro? Pois se não existissem esses “sócios”, os falsos comerciantes, muita gente não ficaria no escuro e as empreiteiras não seriam assaltadas. O comércio de cobre clandestino é muito movimentado em nossa cidade. Outra coisa interessante, é saber como um vândalo e ladrão de fiação ainda não amanheceu torrado na alta tensão? Pelo visto é gente que conhece o ofício da eletricidade. Não deveria ser tão difícil assim as autoridades policiais descobrirem os ninhos dos receptadores, eu mesmo poderia informar alguns locais, porque são conhecidos”. L.G.N.B assinou a nota e pediu para não ter o nome revelado.
Sociedade reclusa
Este colunista não vai “meter o colaborador em fria”, mas se ele de fato sabe onde estão os “ninhos dos receptadores de fios e cabos roubados”, deveria colaborar com a autoridades e denunciar, exercendo o seu papel de cidadão. Há meios de fazer a denúncia e não sofrer consequências e se expor aos denunciados. Apenas para ilustrar, há sim casos de pessoas eletrocutadas na tentativa de roubar fiação, bem como “QGs” de receptadores visitados pela polícia e os responsáveis presos. Denunciar é uma maneira de honrar a sociedade, tão afetada por ações irresponsáveis. Há várias situações de desligamento da energia que causaram acidentes, ou que deixaram clínicas, hospitais e estabelecimentos comerciais e até hotéis no escuro. A sociedade que não confia nas autoridades, com medo de retaliação, não avança no combate ao crime.
Ponte Matinhos-Guaratuba
“Como leitor assíduo e diário desta coluna, soube das obras que realizam a ponte na baía de Guaratuba. Fiquei curioso e fui conferir, diga-se, fazendo até mesmo um passeio de ferry-boat, em plena temporada de verão. Passei de um fado ao outro, com a família e os cachorros dentro do carro muito rapidamente e as operações estão bastante organizadas. E a ponte está avançando e já é possível ver como a estrutura unirá as margens. Isso por si, vai manter o governador Ratinho por muito tempo na memória dos paranaenses, porque teve coragem e tirou o assunto dos sonhos e do papel. Não sou de elogiar político, mas neste caso ele merece o meu aplauso”. Júlior B. C. Cardoso
Boas estradas
Sim, este colunista é testemunha também, de que a ponte está sendo construída. Em recente viagem até a bela e encantadora São Francisco do Sul, este colunista gastou o tempo fazendo um percurso diferente no caminho de volta. No lugar de encarar a BR 376, a opção foi atravessar a Baía da Babitonga em ferry-boat, chegar na paradisíaca Vila da Glória e seguir pela estrada litorânea até Itapoá, passando o Porto Seco que é lá. O único inconveniente é um trecho de areia, de cerca de 25 quilômetros. Depois a estrada é ótima até chegar ao Paraná. Guaratuba estará logo ali; um pulo e o percurso foi bem mais rápido até, do que se fosse por Joinville. Além do mais é um passeio bonito. As estradas são bem policiadas e seguras. Falando em estradas, não se pode queixar do governo com relação a BR 277. A manutenção está sendo bem realizada, mesmo sem a cobrança de pedágios em boa parte do percurso.
Meio compasso e tormento
“Entramos praticamente no período de Carnaval e vejo muitas manifestações em vários locais de Foz. A cidade está se antecipando em eventos, o que não acontecia em outras épocas. Ao que sabemos, teremos muitos visitantes e com eles as filas em tudo o que é lado, a começar pelo acesso até Puerto Iguazú. Entra e sai governo e isso nunca muda. Tudo bem, dá para entender, são questões federais, mas será que as cidades não poderiam encontrar solução, porque do jeito que está todos sofrem”, escreveu a leitora Maria A. C. Dias.
Entendimentos
Respondendo ao leitor, dificilmente as municipalidades terão sucesso na deliberação de assuntos que dependem de Buenos Aires e Brasília. É jogo duro e ainda mais quando os dois países vivem conflitos ideológicos. Seu Milei e o Lula andam em rota de colisão e os súditos é que pagarão a conta. Mas apenas dessa dissonância, brasileiros e argentinos se esforçam no relacionamento fronteiriço e tentam a todo o custo conviver com as filas e dissabores nas aduanas. O jogo é duro e os vizinhos levam a divisa de país na seriedade. Diga-se, isso nunca foi diferente até nos governos da esquerda platina. E convenhamos, o panorama é o mesmo em muitas outras divisas de países, seja no Mercosul, União Europeia e afins. A imigração está forçando um controle cada vez maior. E pensar que nos anos 70 e 80, imaginávamos que por estes tempos, o mundo seria “sem fronteiras”. Qual o que? Está é mais dividido e, vigiado.
A política
“Senhor colunista, deixe de rodeios e nos passe a sua impressão verdadeira sobre o governo do General Silva e Luna, afinal já faz tempo que ele assumiu e até agora não deste o ar da graça, com relação aos atos. O que você vê, além dos bastidores e os arranjos que estão sendo realizados?”, perguntou N.O.P, leitora que pediu para não ter o nome publicado. Respondendo a curiosidade, esse “afinal já faz tempo”, resume-se em 52 dias de governo, é pouco. E nem será fácil analisar quando completar 100 dias, pois a lista de problemas e heranças não é pequena e nem fácil. O que dizem é que o General e sua equipe trabalham respeitando bastante o antecessor, para não divulgarem a planta baixa da horta leguminosa. A nova administração está testando a máquina possante ainda e, mesmo assim, já causou algumas alterações, como é o caso do horário de atendimento da prefeitura. Todas as secretarias, secretários, diretos, nomeados e servidores de carreira estão moldando as atividades. Isso ainda vai levar um tempo.
Hipocrisia
Em tempos de polemização a crítica parece ser um subterfúgio eficiente para alguns. Olhando o passado, todos os prefeitos que assumiram, entraram no processo de malhação no Sábado de Aleluia. Vamos ver como o General lidará com o efeito Judas e quem estará com os porretes na mão, na véspera da Páscoa deste ano? Serão enfim, quase 100 dias de administração. Há quem garanta que será tranquilo, mas isso não é a opinião da oposição e dos revoltosos natos, gente que não conhece o gesso da atividade pública em uma cidade como Foz do Iguaçu. Lá pelo meio do ano saberemos melhor o perfil do atual governo, se será de articulação, de porrada, de choradeira, de contar vantagem, de mendigar ou bater no peito e trabalhar. Ainda é cedo.
Dúvida geral
Depois que surgiram os anúncios e prazos de entrega da Perimetral Leste e duplicação da BR 469, muita gente que se diz entendida no assunto, passou a expressar dúvidas e fazer até contas. A maioria não acredita nas previsões. Segundo uma informação, o governo do Estado está em cima, fiscalizando tudo e anda no pé das empreiteiras. Isso deriva de uma pesquisa que teria sido realizada recentemente com os moradores, usuários, e afetados com as obras estruturantes. Inegavelmente as demandas são bem recebidas, mas a população está com o saco para lá de cheio com os atrasos e expectativas frustradas.
Ensaios
“Prezado, pelo que vejo é bastante envolvido com o Carnaval, desde os tempos em que era uma criança e andava de bermuda. Espero não tenha vivido a experiência de ser vizinho de um local onde a bateria de uma escolha de samba ensaia. Ultimamente está difícil ficar em casa, no Porto Meira. É batuque das 18 horas em diante e às vezes os ensaios vão até bem tarde. Até o meu gato já se mudou para outro bairro. E, como sou evangélico e passo longe do Carnaval, tenho que viver com isso! Sangue de Jesus tem poder!”, relatou Márcio A.P. Sampaio, vizinho do batuque.
Lei do Silêncio
Independentemente de Carnaval, Marcha para Jesus, Festas na Igrejas e Templos, tudo deve respeitar a Lei, não invadir o horário e jamais, superar 60 decibéis de ruído, porque acima disso, o som em volume alto pode ocasionar problemas de saúde em humanos e animais. A alegria e descontração de uns, não deve prejudicar o sossego de outros. Um policial revelou a este colunista que volume alto, algazarra e festas fora de hora são os campeões de reclamações no 190.
Fim de semana!
Eis que chegamos ao sábado, o último de fevereiro, considerando que o mês terá 28 dias. O tempo voa mesmo. A dica para este final de semana é hidratar e descansar, bem que seja à sombra de um boteco, porque o calor persistira, diz a previsão, sempre com aquele tempinho marrento nos finais de tarde. A todos, um excelente final de semana!