O inverno e as pedras nos rins

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Saiba da importância de tomar água mesmo nos dias mais frios para evitar a formação dos Cálculos Urinários

Chegou o inverno! Alegria para alguns, um certo desgosto para outros, mas o fato é que a estação mais fria do ano está aí e chegou com força. A parte boa é aproveitar o clima para saborear as comidas típicas da estação, principalmente as salgadas, mas não podemos nos esquecer de tomar água todos os dias!

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo diário de até cinco gramas de sal (equivalente a dois gramas de sódio). O consumo médio do brasileiro é de quase o dobro do recomendado e no inverno esta quantidade pode ser ainda maior, o que pode trazer riscos
aos pacientes, principalmente quando este aumento de sal estiver acompanhado da diminuição da ingestão de água e líquidos saudáveis, o que pode favorecer a formação dos cálculos renais”, explica o médico urologista, Dr. Gustavo Cruz.

Conhecidos também como pedras nos rins, os cálculos causam sofrimento ao ser humano há milênios, conforme registros da antiguidade. E mesmo na atualidade isso continua afetando as pessoas. O paciente K. C. entende bem disso, ano passado ele teve cálculos renais que chegaram a entrar no ureter, canal que leva a urina para a bexiga. Ele precisou fazer tratamento com medicação e laser e também uma cirurgia
para a retirada das pedras, “a dor é muito forte, a ponto de precisar ser internado e medicado para poder suportá-la, mas felizmente depois de tudo fiquei bem e agora procuro me cuidar para não ter nada disso novamente”, conta.

Dados da Associação Europeia de Urologia apontam que 12 % da população mundial algum dia apresentará um episódio de cálculo e a proporção é de quatro homens para cada mulher afetada, predominando na terceira e quarta décadas de vida. “A ingestão excessiva de alguns
alimentos pode provocar, ou acelerar, distúrbios pré-existentes no nosso organismo propiciando o desequilíbrio químico necessário para a
formação destes cálculos”, orienta o especialista.

São eles:
• Cálcio: o aumento de sua ingestão só deve ser controlado, em casos confirmados de pacientes com alta sensibilidade à ingestão de leite e derivados
• Sódio: sal de cozinha deve ser restringido para aproximadamente 1 colher de chá por dia.
• Proteínas: principalmente as de origem animal (carnes, peixes , aves, ovos, leite e derivados) apresentam um efeito agravante quanto à formação dos cálculos.
• Ingestão de Líquidos: o aumento da ingestão de líquidos é provavelmente a orientação mais importante que deve ser dada para estes pacientes, pois somente esta medida sem a ação de medicamentos pode reduzir em 60% a incidência destes cálculos.

Acredita-se que vários fatores possam estar envolvidos no processo de formação dos cálculos renais, como a super saturação urinária –
situação em que há excesso de elementos que compõem a urina; diminuição dos inibidores urinários – substâncias existentes cuja função é impedir a cristalização de urinas super saturadas, substâncias proteicas que servem como núcleo para a formação do cálculo sobre o qual se depositam cristais; e retenção de cristais no trato urinário, além de fatores genéticos que também podem contribuir para o aumento da formação de cálculos.

No caso de pedras na bexiga, pode ocorrer também por aumento da próstata, obstruindo parcialmente a saída de urina, o que causa o acúmulo de cristais e outros resíduos, que com o passar do tempo se transformam em cálculo. Outra causa seria condicionada pela impossibilidade do paciente eliminar uma pedra que teria descido dos rins.

Os cálculos formados no rim podem ter três caminhos:
Aumento de tamanho; Eliminação e estabilização.

Tratamento:

As abordagens cirúrgicas vão depender da localização, tamanho e tipo do cálculo.
1 – Litotripsia extracorpórea por ondas de choque – Nesse procedimento, não há cortes ou incisões. O paciente recebe ondas de choque que
se difundem pelo corpo e concentram sobre o cálculo, fragmentando-o.

2 – Cirurgia percutânea – Nessa cirurgia realizamos pequenas perfurações na região lombar para acessar o cálculo no interior dos rins. Por meio desses pequenos orifícios realizamos a fragmentação e remoção da pedra.

3 – Ureterolitotripsia endoscópica –Nesse procedimento utilizamos um aparelho endoscópico , com uma câmera que permite visualizar o interior da bexiga e do ureter. Esse aparelho é introduzido pelo canal da urina (uretra). Assim, não há necessidade de cortes ou incisões. Por meio desse aparelho remove-se os cálculos do interior do ureter.

4 – Cirurgia convencional – Em alguns casos especiais há necessidade de realizar cirurgia tradicional com incisão da parede abdominal para
remoção dos cálculos

 

Dr. Gustavo Zepka Cruz
Médico Urologista graduado pela Fundação UFRS, Residência médica em cirurgia geral no hospital São Vicente de Paulo/RS e Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Também foi Preceptor da Residência Médica de Urologia do Hospital Central da Aeronáutica. Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia e Membro da Sociedade Europeia de Urologia.

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