Registro de acesso a câmeras de festa de GM assassinado em Foz foi apagado


- Por: Redação 1

Registro de acesso a câmeras de festa de GM assassinado em Foz foi apagado
Só perícia em celular do policial penal Jorge Guaranho pode indicar se houve participação de terceiros no crime

Uma nova perícia foi anexada  nesta semana ao processo que investiga a morte do guarda municipal Marcelo Arruda em Foz do Iguaçu. A vítima foi executada a tiros pelo agente penal federal Jorge Guaranho enquanto comemorava os 50 anos em uma festa com temática homenageando o ex-presidente Lula e o PT. A análise aponta que houve uma limpeza no registro de acessos ao sistema de monitoramento do local do crime, o quiosque de uma associação na região da Vila A.
O atirador, simpatizante de Jair Bolsonaro (PL), permanece internado no hospital em recuperação. No dia 9 de julho, ele chegou ao local acompanhado da esposa e o filho, com o som do veículo em alto volume e tocando músicas exaltando o presidente. Após uma briga saiu dizendo que voltaria para "matar todos", segundo as testemunhas. Na sequência retornou, desceu do carro e fez os primeiros disparos do lado de fora do quiosque onde ocorria a festa.
O laudo emitido pela perícia criminal informa que o serviço remoto do gravador estava ativado e que às 08h57 do dia 11 de julho, quase dois dias após o crime, ocorreu um evento de “Limpar”, que apagou todos os registros de acesso do aparelho. Assim, segundo a conclusão, não foi possível afirmar se houve acesso às imagens na data do assassinato, muito menos quem as acessou.
A investigação pericial não apontou, entretanto, que há indícios de alteração nas gravações ou imagens do sistema de monitoramento interno, como solicitou o Ministério Público (MPPE). O pedido para leitura labial das pessoas que aparecem nas imagens, também não pode ser realizada, afirma a polícia criminalística. Guaranho é réu por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil (motivação política) e perigo comum. Se condenado por pegar de 12 a 30 anos de reclusão.

Novas dúvidas
A limpeza no registro do dispositivo eletrônico de gravação das câmeras acabou gerando novas dúvidas, que podem resultar inclusive em novas diligências para esclarecer o crime. A adulteração resulta, na prática, e mais dificuldades para apurar um eventual envolvimento de terceiros, ressalta o MPPR. 
De acordo com o apurado até agora, no dia seguinte ao fato, já na segunda-feira (11 de julho), Claudinei Coco Esquarcini, citado por testemunhas como responsável pelo sistema, informou em grupo de WhatsApp de associados que o equipamento estava "sem imagens". Para os promotores, este fato acrescentou mais indícios da relação do caso com a morte de Claudinei, que se suicidou no dia 18 de julho. 
A Associação reconheceu que ele era encarregado pelo sistema de vigilância do local. "Pode existir conexão entre os fatos. Mas ainda precisamos aguardar pelo inquérito que apura o induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio", disse ao UOL o promotor Tiago Lisboa Mendonça. "Como houve a limpeza do registro de eventos, não é possível determinar os acessos realizados ao aparelho na data de 9 de julho", conclui o laudo.

Obstrução da justiça
O advogado Daniel Godoy, um dos representantes da família da vítima, afirmou que o episódio de limpar o registro de acessos mostra o envolvimento de outras pessoas na ação, que podem ter encorajado Guaranho de ir ao local. No entanto, ele afirma que essa apuração será melhor esclarecida com a conclusão do exame pericial no celular do atirador. 
"O laudo demonstra que houve uma tentativa bem-sucedida de apagar os acessos para dificultar as investigações sobre quem teve acesso às câmeras. Trata-se de uma manobra de obstrução da Justiça". 

Da Redação

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