PL que desobriga comprovante de vacina é um desserviço à saúde pública, diz Unila


- Por: Redação 1

PL que desobriga comprovante de vacina é um desserviço à saúde pública, diz Unila

Um grupo de professores da Unila, provocados pelo vereador Kalito Stoeckl (PSD), se manifestou contrário ao seu projeto de lei, que desobriga a apresentação de comprovante vacinal no acesso aos órgãos públicos municipais e eventos em Foz do Iguaçu. O parecer, em resposta ao pedido de "apoio técnico", diz ainda que a proposta espalha desinformação (fake news) sobre as medidas de combate à pandemia da covid-19.
A manifestação do grupo de trabalho de projeções da Unila é uma resposta dura, crítica e incisiva às pretensões do vereador. "A propagação de desinformação é muito prejudicial ao enfrentamento à pandemia, pois diminui a probabilidade da informação correta chegar à população. Muitos pesquisadores afirmam que estamos sendo assolados por uma pandemia de fake news", dizem os professores acionados pelo reitor Gleisson Pereira de Brito. 
O grupo destacou ainda a importância de reforçar a necessidade de ferramentas como o "passaporte vacinal", uma vez que são efetivas para a vacinação da população. "Destacamos ainda que o referido projeto de lei se configura como um elemento que induz dúvida sobre os processos de vacinação, diminuindo a probabilidade de que a correta informação de saúde pública chegue à população", diz o documento entregue na segunda-feira (31 de janeiro).

Fake news
Os professores citam ainda o relatório, de 2019, da Sociedade Brasileira de Imunizações onde se levantavam os motivos das pessoas recusarem a vacinação: 13% dos entrevistados que alguma vez deixaram de vacinar a si ou a uma criança, 31% responderam que não achavam que a vacina fosse necessária. Outras respostas apontadas indicavam falta de planejamento ou esquecimento (38%), falta de informação (27%) e difícil acesso a postos de vacinação (20%). 
Desinformações a respeito da segurança das vacinas também foram apontada, incluindo o medo de efeitos colaterais graves (24%), medo de contrair a doença através da vacina (18%), acesso a alertas, notícias e relatos de casos encontrados na internet (9%), além de opção por tratamentos alternativos (7%). "Uma das soluções apontadas pelo relatório é que o poder público contribua com campanhas educativas, de esclarecimento e de combate a notícias falsas".  

No documento de oito páginas, os professores escrevem sobre o histórico  de campanhas de vacinação no Brasil e táticas de desinformação, dos conceitos  virologia, imunologia e epidemiologia, e da comprovação científica e da eficácia das vacinas aplicadas no país. 

Medidas preventivas
Para os professores, a adesão integral às medidas preventivas terá efeitos positivos no enfrentamento à pandemia como dificultar a circulação viral, reduzir o risco de aparecimento de variantes mais infectantes e agressivas, diminuir o número de infectados, evitar gastos públicos aumentados e sobrecarga ao sistema de saúde e seus profissionais, evitar a doença em sua forma grave e evitar mortes e sequelas nos infectados.
"Gostaríamos de encaminhar pela rejeição do projeto de lei 09/2022. De forma bem clara e objetiva, consideramos tal projeto como um desserviço à saúde pública, que confunde a população por colocar em cheque o processo de vacinação, e se configura em um elemento de desinformação, prejudicando as nossas defesas contra a pandemia de Covid-19", completam os professores.

Da Redação

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