Muita pressão


- Por: Redação 1

Muita pressão

O caldo engrossou em Ciudad del Este e também em outras cidades de fronteira, como Puerto Franco, Hernandárias e Pedro Juan Caballero. Acontece que as localidades, além dos estabelecimentos voltados para o turismo de compras, comungam do relacionamento comercial com o Brasil, sobretudo na área do abastecimento de produtos hortifrutigranjeiros. Isso é fruto de comentários e justificativas todos os dias. Com as fronteiras fechadas e os decretos sendo continuamente prorrogados, bate a agonia na população. 

Desespero
Ciudad del Este concentra o maior número de casos de covid-19 e as manifestações agravam ainda mais a situação, porque promovem a concentrações; vão contra as regras de isolamento. Os distúrbios foram pesados na noite da última quarta-feira e, segundo informações, estão causando grande dor de cabeça no presidente Marito Abdo. Inconformados, os cidadãos paraguaios tentam a todo custo escapar para o lado brasileiro. Em alguns casos, usam até boias de câmara de automóveis (como já mostramos).

Fome
Então vamos imaginar uma localidade que emprega milhares de pessoas em várias atividades e da noite para o dia, tudo fechado? Muitas colocações beiram a subsistência, a começar pelo estilo paraguaio de se arranjar pelas calçadas, onde tentam a todo o custo faturar algum para simplesmente, atravessar de um dia para o outro. O fechamento de Ciudad del Este é uma tragédia social sem precedentes, pronta para se converter numa grande explosão, uma vez que as gangues que vivem do informal e ilegal, estão armadas até os dentes. O que não falta na faixa de fronteira é armamento pesado nas mãos de uma porção de facções. Mirem os tiroteios quase todas as noites.  

Brasil sofre
Sim, porque até hoje, ninguém sabe ao certo avaliar, quantos iguaçuenses vivem do comércio de fronteira, ou por meio de atividades laborais do lado de lá da Ponte da Amizade. São milhares, de balconistas à empresários, além de taxistas, moto-taxistas, carregadores, ambulantes, e no perrengue, entra a Vila Portes, com uma porção de negócios ameaçando fechar para nunca mais abrir. O covid-19, além dos problemas na área de saúde, já formou uma onda de violência descontrolada e que se aproxima do caos.

180 toneladas
É difícil de imaginar, o espaço ocupado por 180 toneladas de cigarros. Bom, foi necessário um comboio para transportar o fruto das apreensões até a Receita Federal de Foz, onde há equipamentos para reciclar até as embalagens. Há quem acredite que basta jogar numa fossa e atear fogo. Não é assim, a Receita trata os resíduos de forma muito responsável. O cigarro por exemplo, vira material de combustão, taí uma coisa que o Corvo não imaginava.  

“Quarentena”
Se houvesse um concurso, fatalmente o terno “quarentena” seria eleito como a palavra do momento! E é quarentena para todo lado, até para a eleição de ex-juízes, cuja janela, pode ser de oito anos. Mas os juristas garantes que a regra não se aplica ao Sérgio Moro. 

Encrenca grossa
Os brasileiros podem se preparar, porque as declarações do PGR, Augusto Aras, ainda vão render muitas trovoadas e relâmpagos. Que havia um movimento para desarticular a Lava Jato, isso não era segredo, só não imaginam o tom do tratamento. 

E como é que fica? 
A Lava Jato e a prisão de corruptos, foi uma das vias de eleição de muita gente. Na lista incluímos o governador do Rio, e o presidente Jair Bolsonaro. Uma evidência desse potencial foi o convite para Sérgio Moro assumir o Ministério da Justiça. E agora, depois das encrencas e separações, o “lavajatismo” não serve mais para nada? Que sazonalidade hein? Bom, são os ecos do judicialismo. Em país onde a política vive em descrédito, é natural que os membros do judiciário estejam em evidência. 

Novas ondas
Como acontece no Brasil, outros países não estão encontrando a fórmula correta para conciliar a covid-19 com o desenvolvimento. Quem parecia livre do vírus, teme novas ondas de contágio, de maneira que não se sabe até onde isso vai. Essa “nova” ordem mundial está longe de uma definição. Está mais para enredo de filme apocalíptico do que outra coisa.  

Cidades
Corvo, as eleições se aproximam e como em outros períodos, devemos avaliar a performance dos nossos representantes, para decidir se permanecem ou não na política. Em Foz, a tarefa não é das mais fáceis, porque a pandemia anuviou a situação. Não se fala em mais nada que não seja dar jeito no coronavírus. A gente vê notícias sobre obras, asfaltamento e outras providências administrativas e nada fala alto como antes. Que situação se formou em colunista de penas? 
Maria Angélica F. Ramos

O Corvo responde: prezada, isso não é uma exclusividade de Foz. Mas analisar o comportamento dos nossos representantes é algo que devemos fazer, independentemente da pandemia. O eleitor dever pensar, que a cidade deverá enfrentar um longo e delicado processo de retomada e ele não acontecerá da noite para o dia. 

Eleições
A cidade está sim discutindo o processo eleitoral e a cada dia o tema é mais recorrente. Como já cansamos de repetir aqui, todo gira em torno de quem serão os candidatos. O fato é que segundo a Justiça Eleitoral, escolheremos prefeitos e vereadores este ano e eles assumirão no dia 1 de janeiro de 2021, ao que consta, em plena pandemia, logo, o debate não será o que fazer depois dela e sim, durante. 

Responsabilidade
Em vários países europeus há focos de discussão sobre a culpabilidade dos gestores, se responderão ou não pelas mortes causadas em decorrência da fragilidade no sistema de saúde. Claro que o debate também ocorrerá no Brasil, mas por enquanto, o problema não é negligência e sim a corrupção, com gente indo todos os dias para a cadeia, ao se apoderarem do dinheiro público. Há quem garanta: nunca roubaram tanto em tão pouco tempo. 

Números altos
E nada dos boletins apresentarem informações mais alegres hein Corvo, todos os dias mais de 50 novos casos. A gente reza de joelhos, esperando que essa situação de estabilize, mas parece difícil. Pelo menos o número de óbitos parece baixo, o que já é uma grande coisa. Será que ainda corremos risco de mais quarentenas?
L.H.R (A leitora pediu para não ter o nome publicado)

O Corvo responde: prezada, com a escalada de novos casos, tudo é possível. O mapa de calor aponta para o alívio em algumas áreas e o sufoco em outras, é algo que parece até orgânico. Não haverá bloqueios, caso a população mantenha o distanciamento e aplique com severidade as regras de proteção contra o vírus. Os especialistas asseguram que estamos começando a enfrentar um período de estabilidade. Bom, saberemos sobre isso nos próximos dias. Enquanto isso, o país caminha para uma marca muito triste e que causará enorme impacto negativo quando atingir 100 mil mortes. Será um momento de grande comoção. 

Atrativos
Prezado Corvo, é impressionante como a abertura dos atrativos causam impacto na cabeça do cidadão. É possivelmente o sinal mais forte de resistência contra esse asco criado pela pandemia, de que nada mais será como antes. Parece título de música né? Mesmo a gente sabendo que a visitação não será grande, saber que as coisas funcionam já é um grande alento.
Paulo Márcio B. Costa

O Corvo responde: prezado é bem isso mesmo. O funcionamento dos atrativos causa essa sensação de retomada, de pelo menos a busca pela normalidade, que sabemos, ocorrerá tempos depois da descoberta de uma vacina. Tomara os atrativos encontrem uma forma de se manterem, se a necessidade de outro fechamento e isso, depende da comunidade em dominar o contágio, não deixando que ele se espalhe.   

Cataratas e Bossa Nova
O Corvo assistiu com satisfação e orgulho o vídeo da dupla Sofia Goulart e Tiago Rossato, interprendo o clássico Manhã de Carnaval. Arranjo, performances, imagens, trilha, edição, tudo perfeito o que mostra a qualidade profissional dos iguaçuenses, em especial o cineasta Marcus Vinícius Bonato, que empresta o talento para exportar a imagem de sua cidade. 

Sexta-feira
Esta é a última edição da semana, mas como o leitor já sabe, o jornal voltou a circular nas segundas-feiras. Um detalhe, como as edições são fechadas mais cedo, o impresso está disponível em algumas localidades na mesma noite. Esperamos que em breve, as coisas voltem ao normal. Desejamos a todos um ótimo final de semana.

 

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